Ornamentos na música erudita e popular

A postagem de hoje é dedicada especialmente aos que estudam música e sabem que nós, músicos, não temos férias. Pois é, Relendo alguns materiais do ano passado, encontrei este trabalho que eu tive que fazer ano passado para garantir nota no curso de música e decidi compartilhar com vocês! Espero que gostem bastante!

1- O que são ornamentos

1.1  Surgimento dos ornamentos.

2 – Ornamentos na música erudita e na música popular.

3- Os ornamentos na música erudita.

3.1 – Trinado ou trilo

3.1.1 – Trinado Simples

3.1.2 – Trinado Alterado.

3.1.3 – Trinado precedido de apoggiatura ou floreio.

3.1.4 – Trinado sucedido por apoggiatura ou floreio.

3.2 –  Mordente.

3.3 – Grupeto.

3.3.1 – Grupeto de ataque

3.3.1.1 – Grupeto superior

3.3.1.2 – Grupeto inferior

3.3.2 – Grupeto Medial

3.3.2.1 – Grupeto medial superior.

3.3.2.2 – Grupeto medial inferior.

3.4 – Appoggiatura, apojatura ou apogiatura.

3.4.1 – Apojatura longa ou expressiva.

3.4.2 – Apojatura breve.

3.4.3 – Acicatura.

3.4.4 – Apojatura irregular.

3.4.5 – Apojatura Sucessiva ou dupla.

3.4.5.1 – Apojatura sucessiva irregular.

3.5 – Floreio.

3.6 Portamento.

3.7 Cadenza ou cadência.

3.8 Arpejo.

3.9 Glissando.

3.9.1 Glissando diatônico.

3.9.2 Glissando cromático.

3.9.3 Glissando microtonal 

3.9.4 Glissando da série harmônica.

3.9.5 Glissando superior e inferior.

3.10 Trêmulo.

4 – Os ornamentos na música popular.

4.1 Slide.

4.2 Bend.

4.3 Hammer on.

4.4 Pull Of 

4.5 Vibrato.

4.6 Shake.

4.7 Trill 

4.8 Legato slide.

Bibliografia.

 1- O que são ornamentos

 Toda melodia é formada por notas musicais; quando um grupo de notas forma uma melodia, esse grupo passa a ser chamado de notas reais. Em alguns casos, no intuito de adornar ou enfeitar as notas reais de uma melodia, são acrescentadas notas ou mesmo grupos de notas, formando desenhos melódicos – essas notas ou grupos de notas são os chamados ornamentos. Vale lembrar que os ornamentos não são estritamente necessários na linha melódica, eles podem ser escritos na partitura por sinais gráficos ou pequenas notas, mas também podem ser improvisos acrescentados pelo executante, o que já foi relativamente comum na musica vocal antiga e na ópera. Portanto, é possível que os ornamentos sejam:

  1. Inteiramente improvisados – Ou seja, sem nenhuma informação na partitura.
  2. Indicados na partitura – O compositor indica com sinais gráficos a ornamentação que deseja incluir no trecho, mas não escreve as notas exatas.
  3. Grafados detalhadamente – O compositor escreve na partitura as notas exatas que deseja incluir no trecho.

1.1  Surgimento dos ornamentos

Os instrumentos de tecla antigos nem sempre apresentavam a sonoridade almejada pelos músicos, de modo que para evitar “lacunas” nos sons, os músicos acrescentavam notas inexistentes na partitura. A dificuldade de se traçar o histórico do uso de ornamentos na música decorre do fato de que, até o século XVII não era comum que eles fossem escritos – o que fazia com que em muitos casos a melodia original ficasse completamente diferente do que o compositor havia idealizado, a depender da ornamentação utilizada pelo interprete.  Seu uso decaiu durante os séculos XIX e XX, exceto no Jazz.

 2 – Ornamentos na música erudita e na música popular

Na música erudita, há nove tipos de ornamentos, cada um com características próprias sobre as notas que englobam: Trinado ou trilo, mordente, grupetto, apogiatura ou apojatura, floreio, portamento, cadência (cadenza), arpeggio ou arpejo e glissando.

Já na música popular os ornamentos consistem no uso de sistemas de execução com a intenção de extrair interpretações diferentes sobre o trecho musical. Neste caso, originaram-se na guitarra elétrica e são utilizados também no baixo elétrico. São eles: Slide,  bend, hammer-on, pull-of, vibrato, shake, trill, legato slide.

3- Os ornamentos na música erudita

 3.1 – Trinado ou trilo

 Indicado pelo sinal tr ou pelo sinal gráfico, consiste na alternância rápida de duas notas – a real e o grau conjunto superior ou inferior (este caso é bastante raro).

trinado ou trilo

trinado ou trilo 2

Em relação ao acento e a duração, salienta-se que o primeiro é sempre na nota real e a duração é equivalente a da nota real.

Há quatro tipos possíveis de trinado: Trinado Simples, trinado alterado, trinado precedido de apoggiatura ou floreio, trinado sucedido de apoggiatura ou floreio.

O trinado em geral começa e termina na nota real e sua velocidade é irregular, variando de acordo com a estética.

3.1.1 – Trinado Simples

Neste caso o trinado está acima de uma nota principal – ou seja, a nota principal será tocada revezadamente com a nota um intervalo de 2ª menor ou de segunda maior – um semitom ou um tom acima (dependendo da tonalidade na qual a música está escrita), assim, se há um trinado acima da nota dó, toca-se alternando dó e ré ou dó e ré bemol – salientando-se que o ré do trinado será bemol caso a tonalidade da música tenha o bemol como acidente fixo da nota ré, ou seja, os acidentes fixos da armadura alteram o trinado.

tr simples

3.1.2 – Trinado Alterado

Neste caso, haverá um sinal de alteração acompanhando o trinado, fazendo com que a nota acrescentada sofra essa alteração – vale salientar que os acidentes fixos na armadura de clave podem ser alterados com a utilização de um bequadro ao lado da notação do trinado se for o caso.

tral

3.1.3 – Trinado precedido de apoggiatura ou floreio

Também identificado por trinado com preparação, este tipo de trinado é aquele cuja nota principal está precedida de apoggiatura ou de floreio e, neste caso, o conjunto do trinado irá começar por ela. Exemplo – uma apoggiatura com a nota lá seguida por uma nota sol com trinado. Se a grafia fosse apenas o Sol com trinado, as notas tocadas seriam Sol e Lá. Com a nota Sol precedida pela apoggiatura, as notas tocadas serão Lá e Sol. O mesmo se aplica com o floreio, conforme pode-se ver na seguinte imagem:

tpaf

3.1.4 – Trinado sucedido por apoggiatura ou floreio

Também conhecido como trinado com resolução, o trinado sucedido por apoggiatura ou floreio é o que ocorre quando há uma apoggiatura ou floreio após a nota grafada com trinado e, neste caso o trinado acabará com as notas da apoggiatura ou do floreio. Assim,: um lá com um trinado acima, após a nota principal encontramos o floreio de lá-sol-lá-dó. Tocaremos: lá-si-lá-si-lá-si-…-lá-sol-lá-dó.

tsaf

Pode ocorrer um outro tipo de trinado, onde se misturam os dois últimos tipos demonstrados – ou seja, um trinado misto entre o precedido por apoggiatura ou floreio e o sucedido por apoggiatura ou floreio. Esse trinado também será chamado trinado com preparação e resolução. Vejamos:

tpr

 3.2 –  Mordente

Sinalizado por uma linha curva parecida com um M, o mordente pode ser superior ou inferior (também conhecido como mordente invertido),englobando a nota principal e uma sucessiva formando um intervalo de segunda maior ou menor de acordo com a tonalidade da música ou indicação na partitura. A diferença entre os dois é que o trinado mantém-se pelo tempo da nota principal, enquanto o mordente caracteriza-se por uma única e rápida alternância, utilizando-se apenas três notas, como pode se verificar na figura abaixo:

mordente

Na execução, o mordente terá uma parte do tempo da nota real, e o acento será na primeira nota do ornamento.

O mordente também pode ser duplo, ou seja, executado mais de uma vez. Neste caso, ele é grafado pelo sinal gráfico repetido e emendado um no outro:

mordente 2

Um detalhe importante: O mordente poderá ser grafado sem o sinal gráfico, na forma de apojaturas sucessivas:

mordente 3

3.3 – Grupeto

Grupeto significa pequeno grupo de notas, e compõe-se de três ou quatro notas que precedem ou sucedem a nota real. Sua representação assemelha-se a uma letra “s” deitada e possíveis acidentes ou alterações devem ser grafados acima ou abaixo do sinal gráfico.

O grupeto pode ser superior (começa um grau acima da nota real), ou inferior (começa um grau abaixo da nota real) e pode ser de ataque (executado no início da nota real) ou medial (executado no meio ou no final da nota real), conforme os seguintes exemplos:

3.3.1 – Grupeto de ataque

3.3.1.1 – Grupeto superior

Forma-se por três notas: Um grau acima da nota real, nota real, um grau abaixo da nota real e volta para a nota real. Em relação ao tempo, este grupeto fica com a primeira parte do tempo da nota real, e o acento fica na nota real executada ao final do ornamento, desta forma:

grupeto superior

3.3.1.2 – Grupeto inferior

Assim como o grupeto superior, é formado por três notas, porém, neste caso, a ordem é: Um grau abaixo da nota real, nota real, um grau acima da nota real e volta para a nota real. Em relação ao tempo e ao acento, mantém-se as regras do grupeto superior.

Exemplos:

grupeto inferior

Caso se deseje, pode-se grafar o grupeto como apojaturas sucessivas, sem utilizar o sinal gráfico.

3.3.2 – Grupeto Medial

Executado no meio ou no final da nota real, o sinal gráfico é colocado entre a nota real e a nota seguinte:

grupeto medial

3.3.2.1 – Grupeto medial superior

Quando o ornamento é um grupeto medial, é importante notarmos que as regras irão variar de acordo com a nota real. No caso de nota real sem ponto de aumento, o grupeto será formado por quatro notas, executado na segunda metade ou ultima quarta parte, ou outra fração final da nota real, que receberá o acento em seu início.

gms

Esse tipo de ornamentação evita a repetição de notas iguais, portanto, em caso de notas real e nota seguinte iguais, o ornamento terá apenas três notas:

gms2

No caso de nota real com ponto de aumento, o grupeto a duração do ponto será igual a do grupeto ou o ornamento será executado na fração ternária final da nota real.

No livro da professora Enelruy Lira, são apresentados os seguintes exemplos

gms3

Por sua vez caso a nota pontuada não corresponda a um tempo inteiro, o grupeto deverá ser executado no meio da nota real:

gms4

 3.3.2.2 – Grupeto medial inferior

Não há muito que se explicar, uma vez que as regras deste grupeto são iguais ao do grupeto medial superior, diferenciando-se pela ordem das notas, que no grupeto inferior começará um grau abaixo da nota real.

3.4 – Appoggiatura, apojatura ou apogiatura

É um ornamento que sempre precede a nota real com o intervalo de segunda maior ou menor. Ela pode ser inferior (abaixo da nota) ou superior (acima da nota). Há vários tipos de apojatura.

apj

3.4.1 – Apojatura longa ou expressiva

É o ornamento representado por uma nota pequena um grau acima ou abaixo da nota real – é comum que apareça ligada, mas isso não é obrigatório. O acento sempre recairá no ornamento.

apjl

Em relação a execução, a regra é que, se a nota real for simples (não pontuada), a apojatura terá a metade do tempo da nota real, como é possível ver no exemplo acima. Caso a nota real seja pontuada, a apojatura terá dois terços do valor desta. Quando a nota real se repetir, a ela será suprimida pela apojatura, evitando assim a repetição:

apjl2

3.4.2 – Apojatura breve

É uma apojatura representada pela nota pequena (geralmente colcheia) atravessada por um traço oblíquo. A apojatura breve, no momento da execução, ganha a parte mínima do valor da nota real. Diferente da apojatura longa, o acento no caso da apojatura breve, recairá na nota real e não no ornamento.

apjb

3.4.3 – Acicatura

É uma apojatura cujo acento recai na nota real e cuja duração é retirada do final da nota que a antecede e não do início da seguinte. Não há em geral uma diferença de grafia entre acicatura e apojatura, devendo, portanto, o interprete optar entre as duas conforme o estilo e a estética da peça musical executada. Para melhor entendimento, inclui-se o seguinte exemplo:

acicatura

 3.4.4 – Apojatura irregular

A apojatura em geral forma um intervalo de segunda com a nota real, entretanto, há casos em que o ornamento forma outros intervalos diferentes e, por isso, acaba recebendo o nome de apojatura irregular. Vale lembrar que há também a hipótese de acicatura irregular.

3.4.5 – Apojatura Sucessiva ou dupla

Pode ser inferior (quando inicia abaixo da nota real) ou superior (quando se inicia acima da nota real). Esse tipo de apojatura, representado por duas semicolcheias pequenas, ocorre quando na mesma nota real executa-se sucessivamente apojaturas superior e inferior. Neste ornamento o acento recai sobre a nota real, e a apojatura recebe apenas parte do valor da nota real.

3.4.5.1 – Apojatura sucessiva irregular

É a apojatura formada por notas que não são graus conjuntos da nota real. Esse tipo de apojatura pode ter mais de duas notas:

apjsi

A apojatura sucessiva irregular também pode ser lida como acicatura sucessiva irregular, antecipando-se a nota real, tirando sua duração da parte final da nota anterior.

3.5 – Floreio

Esse ornamento é formado por uma ou mais notas intercaladas entre duas notas reais. O floreio é grafado da mesma forma que a apojatura: pequenas notas antecedendo a nota real. Como já vimos a apojadura é o ornamento que forma entre a nota real e o ornamento um intervalo de segunda maior ou menor. Isso não acontece com o floreio. No floreio o intervalo formado é maior do que o de segunda e por isso dizemos que o floreio é uma apojatura ou acicatura irregular. Na imagem abaixo, um exemplo de floreio:

floreio

 3.6 Portamento

Pouco usado é um ornamento representado por uma colcheia que antecipa a nota real. Observa-se que ambos, portamento e nota real, devem ter a mesma entonação (ou seja, devem ser notas iguais). Executa-se dando ao portamento uma pequena parte do final da nota real anterior e recaindo o acento na nota real. Este ornamento não possui nenhuma variação.

portamento

 3.7 Cadenza ou cadência

Esse ornamento é muito usado em improvisações, e também em andamentos lentos, codas e codetas. Caracteriza-se  pela fermata que é sempre colocada na nota real que antecede este ornamento, formado por uma sucessão de pequenas notas que sempre ultrapassam o tempo do compasso mantendo entre si uma relativa a proporção nos valores de seus tempos.

cadenza

3.8 Arpejo

Este ornamento serve para embelezar os acordes com pelo menos duas notas. é representado por uma linha vertical indicando quais notas devem ser  arpejadas. As notas do arpejo devem ser executadas uma de cada vez sem ser descontinuadas. Interessante observar que no caso do piano há uma diferença entre o arpejo cuja linha ocupa as duas pautas, caso em que o arpejo percorrerá todas as notas das duas pautas como se fosse um acorde só, e o a notação onde o arpejo aparece duas vezes, cada um em uma pauta mas ambos com nota no mesmo tempo do compasso, caso em que os acordes serão arpejados separados, porém ao mesmo tempo.

arpejo

3.9 Glissando

Ornamento moderno representado por uma linha ondulada diagonal ligando duas notas de alturas diferentes e indicando que as notas entre elas deverão ser tocadas rapidamente (em alguns casos a linha é substituída pela abreviação gliss.) Na execução o glissando tira seu valor do final da primeira nota real. O acento também recairá na nota real.

Há algumas classificações diferentes de glissando:

3.9.1 Glissando diatônico

É formado pelas notas da escala diatônica, por exemplo, as teclas brancas do piano.

3.9.2 Glissando cromático

É formado pelas notas escala cromática, ou seja, variam de meio em meio tom.

3.9.3 Glissando microtonal

É formado por todas as frequências intermediárias ele não é realizável em instrumentos como piano ou outros instrumentos de tecla esse tipo de ornamento aparece é música vocal ou em instrumentos de corda, além de ser parcialmente realizável no trombone ou no tímpano de pedal.

3.9.4 Glissando da série harmônica

formado por notas da série harmônica.

3.9.5 Glissando superior e inferior

Além destas classificações, o glissando também pode ser classificado em superior ou inferior. No glissando superior, a segunda nota real está acima da primeira. No glissando inferior a segunda nota real está abaixo da primeira. Note-se que essa classificação complementa as outras apresentadas, de modo que podemos ter, por exemplo, um glissando diatônico superior.

glissando

3.10 Trêmulo

Quando o sinal gráfico de trêmulo aparece em uma partitura, a nota real deverá ser repetida em notas de igual entonação, porém com tempos menores executadas rapidamente, até completar o tempo da figura. Pode acontecer também o desdobramento de notas desiguais, neste caso o sinal gráfico de trêmulo aparecerá entre duas notas reais que deverão ser executadas rápido e alternadamente até completar o tempo da figura. Abaixo, dois exemplos, um com notas de igual entonação (sons iguais) e outro com notas diferentes:

Trêmulo com nota real igual ao ornamento:

tremulo com nota real igual ao ornamento

Desdobramento de notas desiguais:

desdobramento de notas desiguais

 

4 – Os ornamentos na música popular

4.1 Slide

É semelhante ao glissando da música erudita e sua representação na partitura também é parecida. Consiste em deslizar os dedos pela corda mantendo-a pressionada.

slide

4.2 Bend

Também chamado técnica de torção. Na execução deste ornamento, levanta-se a corda até a tonalidade desejada. Representa-se por meio de uma seta ascendente, representado a entonação. Já o reverse bend é aquele em que se faz a nota voltar até a posição original.

bend

4.3 Hammer on

Representado pela letra h acima da nota consiste em tocar a nota real e percurtir a nota seguinte com o outro dedo da mão.

hmon

 

4.4 Pull Of

Simbolizado pela letra p, é um movimento inverso ao Hammer on. Nele ataca-se a primeira nota, tocando-se a segunda por meio de um leve puxão para baixo.

pul of

4.5 Vibrato

Efeito produzido pela vibração da nota em repouso. Na execução, movimenta-se a corda para cima e para baixo, sendo o impulso para cima aos poucos e em movimentos constantes, deixando a corda voltar ao ponto de origem, controlando a sua volta. O símbolo usado para representar o Vibrato e parecido com um M em forma de uma linha horizontal.

vibrato

 4.6 Shake    

Nada mais é que um vibrato horizontal. Sua execução se dá pelo  posicionamento dos dedos próximos ao traste da frente retornando ao ponto inicial, em movimentos repetitivos. Esse ornamento pode ser entendido  também como uma espécie de trêmulo, normalmente utilizado como resolução de frase. Graficamente sua representação é o m em linha horizontal porém acrescentando de um tr no início.

shake

4.7 Trill

Esse ornamento cuja representação é o m em linha horizontal com o tr em cima da nota é uma espécie de vibrato executado com o Hammer on e pull off em um intervalo de segunda menor, com velocidade extremamente rápida.

trill

4.8 Legato slide

Esse ornamento funciona como uma base. Na execução, o indicador se move para frente e para trás com os outros dedos formando intervalos. Na figura do exemplo ele é mostrado em intervalos de terça mas pode ser utilizado em outros intervalos.

ls

 

Bibliografia

LIRA, Enelruy Freitas. Apostila de Teoria Musical. Ornamentos, Dinâmica, Expressão e Respiração.  Páginas 3 a 19.

Disponível em:

http://cursos.violinando.com/download/apoio/Enelruy%20Lira%20-%20Apostila%20de%20Teoria.pdf

Acesso em 15-09-2018 Às 23:20

Maestro Virtual – Curso de teoria musical

http://www.maestrovirtual.com.br/v1/curso/tm_36.php

Acesso em: 14-09-2018 às 19:15hs

MARQUES, Jean Ricardo. Ornamentos musicais.

Disponível em:

Clique para acessar o ornamentos-musicais.pdf

Acesso em: 14-09-2018 às 20:25

MELLO, Marcelo. Estruturação e Linguagem Musical. ETE Centro Paula Souza – Curso técnico em regência. Capítulo 1.1 – Ornamentos Musicais

Disponível em

http://marcelomelloweb.net/mmtecnico_estruturacao11.pdf

Acesso em 15-09-2018 às 22:20

 

 

17/04/16: O dia que historiadores terão dificuldade de explicar no futuro

Em 17 de Abril de 2016 votava-se no Congresso o afastamento da Presidenta Dilma, que posteriormente sofreria o impeachment. Foi o início de um período nebuloso que perdura até os dias atuais: O atual presidente aprofunda ainda mais o abismo social já existente no país através de reformas que precarizam o trabalho, o ensino, os serviços públicos e até mesmo a aposentadoria. É uma realidade assustadora, especialmente para as camadas sociais menos favorecidas economicamente e para as minorias. E isso tudo está sendo vendido e maquiado pela mídia de forma a levar uma parcela da população a acreditar que esta é a única maneira de sair da atual crise é a implementação de tais medidas que trarão resultados desastrosos para o futuro do país. É impressionante o silencio ou mesmo a fala em negação da grande maioria dos legisladores quando o assunto é taxar as grandes fortunas, exigir que as propriedades cumpram sua função social, priorizar o meio ambiente ao lucro das grandes empresas.  É deprimente vermos dívidas de teleoperadoras sendo perdoadas enquanto direitos básicos são massacrados.  Mas essas questões não são a parte mais nojenta e indigesta do período em que vivemos! Ao escrever este texto, recordo-me de estar assistindo à votação dia 17/04/16: Inicialmente foi chocante reparar na quantidade de deputados e deputadas que orgulhosamente diziam ter votado a favor do Impeachment do Collor! Eles simplesmente esqueceram que cargos políticos são temporários e se perpetuam no poder (com a ajuda dos votos da população que eles sistematicamente prejudicam)! Além disso, houve tantas citações religiosas (ignorando o fato de vivermos em um país laico), tantas falas “dedicando” o voto ao futuro de filhos e netos (como se o futuro dessas crianças, nascidas em berços regados a dinheiro e corrupção estivesse em risco). Houve também falas imundas e uma funesta homenagem a um torturador. Sim, essa votação deveria envergonhar a todos – até mesmo àqueles que discordam do governo Dilma. Aliás, certas falas deveriam especialmente envergonhar àqueles que se dizem “defensores de um país melhor, com mais igualdade e sem corrupção”. O Impeachment não se baseou em leis – não houve crime comprovado! O impeachment foi um acúmulo de forças corruptas que , em conchavos pretendiam barrar investigações antes que nomes importantes da direita caíssem e foi fortalecido pelo machismo e pela intolerância – dos nossos representantes e, infelizmente, de uma parcela da população que insiste em acreditar no que lhes é vendido por eles.

Fico imaginando como os futuros historiadores conseguirão explicar esse dia histórico para o nosso país: A retirada de uma presidenta do poder por motivos meramente políticos através de um circo de horrores.

Um ano depois, o que nos resta é buscar formas legitimas de organização para lutar pelos direitos que nos estão sendo tirados e pela melhoria geral da qualidade de vida neste continental país, mas isso só será possível quando cada um e cada uma se derem conta que política não é “aquele troço que acontece a cada quatro anos onde decidimos quem irá ocupar o poder” e sim uma atuação constante, diária, de cada um.

E, por falar em direitos e lutas: Dia 28 de Abril é dia de Greve Geral. Independentemente da opinião de cada um sobre o Impeachment (que foi tema inicial deste texto), a participação no movimento de greve é imprescindível para barrar a reforma trabalhista e previdenciária.  Se houver protestos na minha cidade, estarei na rua! E vocês?

#nenhumdireitoamenos #ForaTemer #PrevidênciaFicaTemerSai #DiretasJá

Navegações – Destino Mares do Sul

Em 1° de Agosto de 1785 parte da França uma missão com o objetivo de “dar a volta ao mundo” explorando as terras quase desconhecidas do “Grande Mar do Sul” (Oceano Pacífico). Compunham a missão duas fragatas (La Boussule e L’Astrolabe – A Bússola e O Astrolábio) sob o comando do experiente Almirante Jean François de Galaup – Conde de La Pérouse.  Partiram equipados com o que havia de mais moderno na época; suprimentos para quatro anos de viagem e artigos de troca para negociar com povos nativos (espelhos, contas de vidro, agulhas) e levavam uma tripulação de 400 pessoas.

Em 1786 os dois navios sofrem a primeira tragédia: 21 homens, entre eles 6 oficiais morrem após dois barcos de reconhecimento serem virados por ondas no litoral norte-americano, próximo ao Alaska.

Em 1787, na península de Kamachatka,  La Perouse desembarca um de seus oficiais, de nome De Lesseps, que falava russo, para que este pudesse atravessar a Sibéria até a Europa, levando relatórios da expedição.

Em Setembro do mesmo ano nativos da ilha de Tutuila – principal ilha da Samoa Americana – atacaram os barcos salva – vida da expedição, que se ocupavam de abastecer os navios com água doce, deixando um saldo de 12 mortos, entre eles o 2° Comandante e mais de 20 feridos.

Em Janeiro de 1788, ao aportar à costa Leste da Austrália, encontra-se com a Primeira Esquadra Britânica, entregando mais relatórios da viagem para que sejam entregues à França.  Em 10 de Março deixam a Austrália rumo ao nordeste para nunca mais serem vistos.

Na França, a revolução ocorrida em 14 de Julho de 1789 faz com que La Pérouse seja “esquecido”. Somente em 25 de setembro de 1791 o Contra- Almirante Joseph Antoine Bruni d’Entrecasteaux parte com dois navios buscando notícias da expedição de La Pérouse. Em 1973 vê em Vanikoro  (ilha ao nordeste da Austrália) sinais de fumaça que o fazem crer que encontrou os homens da expedição, mas não consegue chegar à terra devido à dificuldades causadas pelos recifes traiçoeiros próximos à ilha.  O Almirante adoece e morre dois meses depois. Seus navios são capturados pelos holandeses (que estavam em guerra com a França).

Somente quatro décadas anos depois , em  1826, Peter Dillon, um irlandês que praticava o comércio no Pacífico Sul, obteve indícios do paradeiro de La Pérouse ao ver objetos europeus (entre eles um garfo de prata com as iniciais do Almirante) com nativos da ilha de Tikopia (Próxima a Vanikoro).  Os rumores das descobertas de Dillon chegaram à França antes dele e, em 1828, sob o comando de Jules Sébastien Cesar Dumont , chega à Vanikoro a missão oficial francesa de busca. Dumont e seus homens, conversando com nativos da Ilha, descobriram que um dos navios havia naufragado ao entrar numa passagem cheia de corais e o outro encalhou e naufragou ao tentar socorrer o primeiro. Dos sobreviventes, dois construíram um pequeno barco e lançaram-se ao mar e dois viveram na ilha até 1826 – quando morreram. Foram encontrados objetos pessoais da tripulação, o que comprovou a história dos nativos. Nunca se soube qual o destino de La Pérouse.

Um fato curioso: O jovem Napoleão Bonaparte tinha 16 anos na época em que La Pérouse partiu da França e era um dos candidatos a uma vaga no navio. Fica a pergunta: quais seriam as conseqüências históricas se ele houvesse embarcado e desaparecido junto com os outros 400 homens de La Pérouse?

 

La_Perouse