Passaporte da Leitura: Chile

A leitura é mesmo mágica – em dois dias o Passaporte da Leitura me levou ao Chile e me trouxe de volta para contar tudo aqui no blog! Quem ainda não conhece o Projeto Passaporte da Leitura pode clicar aqui para conhecer mais!

O livro escolhido foi “O caderno de Maya” da autora chilena Isabel Allende.

Título: O caderno de Maya

Autor: Isabel Allende

País: Chile

Uma jovem fugindo da máfia de Las Vegas e do FBI. Uma ilhota nos confins do Chile e um homem solitário. Uma despedida e um caderno em branco. Juntar estes elementos em uma obra literária já é promessa de uma história atraente. Com a maestria de Isabel Allende, a personagem Maya Vidal conquista o leitor, levando-o hora ao paraíso chileno, ora a uma infância feliz e amorosa, ora ao fundo do poço das drogas, da prostituição e do crime. O livro é denso – mergulhar em suas páginas é sentir dor, medo, alegria, decepção – e também uma vontade imensa de conhecer o Chile, com sua história marcada recentemente pela ditadura e suas belezas naturais.

Maya é o exemplo de adolescente que guarda em si uma mulher forte, destemida e decidida, mas ainda não a conhece e mergulha em um poço sem fundo, numa busca incessante por algo que nem ela mesma conseguiria definir. Nini, a avó de Maya, por outro lado, é a senhora sábia que não deixa transparecer as marcas que a ditadura lhe deixou. Aliás, a obra merece ser lembrada pela construção de personagens femininas bem estruturadas, com histórias interessantes e fortes – Isabel Allende não deixou o amor romântico fora da vida das mulheres de sua obra – Ela o incluiu em seu texto de forma que a vida dessas mulheres não girasse completamente em torno do sentimento romântico. Importante também ressaltar que o livro tem alguns trechos onde a violência sexual aparece de forma explícita, o que pode disparar gatilhos em algumas pessoas.

Sem dúvidas “O Caderno de Maya” é uma obra bastante agradável e uma excelente dica de leitura.

Sobre a autora:

Isabel Allende é sobrinha do ex-presidente chileno Salvador Allende, deposto pelo golpe de estado que instaurou a ditadura de Pinochet em 1973. Apesar de ter passado anos longe do Chile, Isabel retrata seu país com maestria. Nascida em 1942, Isabel hoje vive na Califórnia. A autora coleciona êxitos literários, como o livro “A casa dos espíritos”, adaptado para o cinema.

Sobre o Chile:

O Chile é um país sul americano formado por uma área continental e também por ilhas. Seu clima é bastante diversificado – o país possui regiões de clima desértico e também partes extremamente geladas. Em relação a população, há uma mistura de etnias, principalmente entre europeus e indígenas, havendo também uma parcela da população descendente de imigrantes do oriente médio. O país passou por uma ditadura entre 1973 e 1990 – foi um período sombrio onde houve várias violações aos direitos humanos. Atualmente o IDH (índice de desenvolvimento humano) chileno é considerado muito elevado. Santiago é a capital e também a cidade mais populosa do país. O Chile tem como idioma oficial o espanhol – herança de sua colonização. Sua moeda é o peso chileno. O país não possui uma religião oficial – o estado é laico e a discriminação religiosa é proibida – entretanto a grande maioria da população se declara católica.

Devaneios e (1)

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Paixão Pagu – A autobiografia precoce de Patrícia Galvão

Falar sobre a vida e a história de alguém é sempre uma grande responsabilidade – o biógrafo pode muito bem conhecer datas e fatos, mas terá um longo caminho para chegar a conhecer as motivações que levam alguém a traçar seus rumos. Escrever sobre uma mulher como Patrícia Galvão é uma tarefa ainda mais complicada – Pagu foi intensa, buscou incessantemente um motivo ao qual devotar sua vida e encontrou na militância comunista a causa pela qual lutaria.
Paixão Pagu é a autobiografia escrita por Patrícia durante o período em que esteve encarcerada – O livro, publicado anos após o falecimento de Patrícia, é na realidade uma longa carta escrita para o companheiro, narrando sua história desde os tenros anos da juventude. Retomando o parágrafo anterior – Falar sobre a vida de alguém é uma responsabilidade e um desafio enormes – ainda bem que Patrícia encarregou-se de contar a própria história – a complexidade de uma pessoa como ela e também do tempo em que viveu é certamente melhor destrinchada desta forma: A história escrita por quem a sentiu na pele.
É fato que lutar por uma sociedade justa e igualitária é escolher um caminho árduo. Fazer isso nos tempos em que ser comunista levava pessoas à prisão e tortura é heroico. Fazer isso nos citados tempos e sendo mulher era se jogar em meio ao fogo duplo: Perseguida pelo sistema vigente e testada o tempo todo pelos próprios companheiros do Partido Comunista, Patrícia lutou para provar seu valor – por anos abdicou da maternidade e da alegria de ver o filho crescer, dedicando-se unicamente às tarefas da militância, sem nunca encontrar total aceitação dentro do partido, por ser mulher e por ter berço pequeno burguês. Isso traça um recorte historicamente bem interessante – A luta contra o machismo, muito presente em vários setores da esquerda brasileira – não era uma pauta sequer cogitada na época de Patrícia. Tal observação histórica, bem como a própria história, faz da obra uma leitura obrigatória.  O livro é curto, porém visceral e merece uma leitura atenta e crítica no sentido de refletir sobre o passado e comparar com o momento político presente para evitar que os erros de ontem se repitam e mais sangue inocente venha a ser derramado por conta de uma construção social desigual e autoritária.

Opinião:

Conhecer a história da Pagu foi o que posso chamar de “um choque de realidade” – como mulher e principalmente como militante de esquerda, confesso que até o momento não consegui entender de onde ela tirou tanta força. Em alguns instantes cheguei a pensar em abandonar completamente a militância por entender que jamais seria forte como ela foi. A carta de Patrícia emociona, machuca, desestabiliza – Mas depois de muita reflexão e inúmeras tentativas de traçar uma pequena resenha, o desconforto inicial quase insuportável dá lugar a outros pensamentos: Se desde o início da luta pela construção de uma sociedade socialista, contássemos com pessoas como Pagu, estaríamos já vivendo outra realidade. Se por outro lado cada lutadora que se reconhece como “não tão forte” tivesse desistido, estaríamos mergulhados em um caos ainda maior que o atual e muitas guerreiras valorosas teriam tombado sem sequer se darem a chance de descobrir toda a força que tem por não terem se dado essa chance. Eu decidi continuar trilhando o caminho que iniciei há anos atrás – até onde, o destino vai dizer – mas espero poder ver meus futuros filhos crescerem em uma sociedade muito mais justa que a atual.

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Título: Paixão Pagu – A autobiografia precoce de Patrícia Galvão

Autora: Patrícia Galvão

País: Brasil

Editora Agir

Passaporte da Leitura: África do Sul

Em Fevereiro postei a resenha do primeiro livro do projeto “Passaporte da Leitura“, a obra Como água para chocolate, da autora mexicana Laura Esquivel. Viajando através da leitura, deixei o México para trás e desembarquei direto na África do Sul, país de origem do livro Desonra. A obra, um achado ocasional durante buscas por novos livros para ler, surpreendeu pela tensão e densidade que o autor conseguiu imprimir a uma história aparentemente comum. Não há romances, não há magia e a poesia passa relativamente e longe das páginas onde impera a linguagem dura e direta – quase tão dura e direta quanto a vida real.

 

Título: Desonra

Autor: J.M Coetzee

País: África do Sul

Uma leitura bruta, nua e crua – assim pode-se definir Desonra, obra do autor Sul-Africano J.M Coetzee.  

O livro conta a história de David Lurie, um professor universitário divorciado, de meia idade que se envolve com uma jovem aluna e acaba acusado de assédio.

A obra de Coetzee poderia inicialmente ser confundida com uma narrativa semelhante ao famoso romance Lolita, porém poucas páginas após o desfecho do envolvimento do professor Lurie com sua pupila, a história vai tomando um rumo mais introspectivo e sombrio, onde ele, sem perspectivas, decide passar um tempo no campo com a filha, encontrando toda a brutalidade do ambiente rural africano.

Vale ressaltar que a história se passa numa África do Sul pós-apartheid – fato pouco salientado durante a história, porém perceptível na tensão existente entre as personagens.

A leitura não é difícil em termos de vocabulário, porém o ritmo introspectivo e depressivo, ditados o tempo todo pelo personagem principal, e a ausência de ápices românticos ou felizes, para contrastar com o humor sombrio do professor Lurie, acabam fazendo com que o livro possa tornar-se um pouco cansativo em alguns momentos.

Sobre o autor:

J.M Coetzee nasceu na Cidade do Cabo em 1940. Bacharel em língua inglesa e em matemática, o autor chegou a trabalhar como programador de computadores. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o prêmio Nobel de Literatura em 2003. Atualmente é professor na Universidade de Adelaide (Austrália). 

Sobre a África do Sul

A África do Sul ou República da Africa do Sul é um país localizado no Extremo Sul da África. O país possui três capitais: Pretória (capital executiva), Cidade do Cabo (Legislativa) e Bloemfontein (capital judiciária) e reconhece 11 idiomas oficiais, sendo os principais o africâner e o inglês sul-africano.

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Paixão Índia – Javier Moro

A maioria das meninas sonha viver um conto de fadas – as histórias mágicas onde garotas pobres ou princesas subjugadas por madrastas más transformam-se magicamente em princesas povoam a infância e acabam por moldar a adolescência das garotas mesmo com todos os esforços atualmente aplicados para que entendam que não dependem de príncipes ou magias para seguir seu caminho.

O livro Paixão Índia narra a história real da espanhola Anita Delgado e do que deveria ser seu conto de fadas – A jovem e pobre dançarina, moça de família católica conservadora torna-se de um dia para o outro o objeto de desejo do marajá de Kapurthala que vencendo a resistência da família da amada, acaba fazendo dela sua esposa. A história completa descortina não apenas a história de duas vidas que se cruzam, mas todo um panorama histórico-político bastante rico em detalhes sem que, no entanto, se torne tedioso.

Infelizmente os contos de fadas são apenas contos. Analisar a história de Anita mostra o ambiente machista e hostil no qual as mulheres viviam – Sem perspectivas adequadas por conta da pobreza de sua família, a jovem não se casa por ter-se apaixonado pelo noivo – o poder de tal escolha não lhe cabe inteiramente e a situação financeira da família faz com que optem por dar a ela sua melhor chance: O casamento com um príncipe estrangeiro que a levará para a Índia. Percebe-se o poço de solidão e insegurança no qual Anita é mergulhada – pode-se dizer que ela tem uma vida feliz com o marajá durante muitos anos a despeito de todo o panorama que os rodeia. O desfecho da história chega a parecer uma tragédia anunciada – mesmo não sendo tão trágico nem tão infeliz quanto poderia ter sido – E as reviravoltas nos lembram a todo tempo tratar-se de uma história real, onde a vida apresenta seus altos e baixos até que o último suspiro seja exalado e os olhos se fechem para sempre.

O autor espanhol realizou um excelente trabalho de pesquisa, o que nos permite conhecer a cultura indiana e um pouco do panorama geral da época em que Anita e o marajá viveram, tornando a história agradável e prendendo o leitor do início ao fim. Definitivamente é um livro que precisa entrar na lista de leituras das jovens que ainda ousam sonhar com príncipes encantados – um aviso de que nem sempre o “felizes para sempre” é um percurso agradável e também de que o “para sempre” é talvez um tempo curto demais perante a vida.

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Título: Paixão Índia

Autor: Moro, Javier

Ano:2006

Número de páginas: 387

Editora: Planeta

 

Dica literária: Todos os homens são mortais – Simone de Beauvoir

Imortalidade –  Desde os primórdios a origem da vida e o destino após a morte são mistérios que amedrontam o homem. Mistério e medo – ingredientes mais que suficientes para suscitar o surgimento de mitos e histórias diversas. Viver para sempre, acompanhando cada mínima mudança ocorrida no mundo, intervindo no destino de seu país e de seus entes queridos, seria um dom? Seria uma benção ou uma maldição? Talvez, num primeiro momento, sem maiores questionamentos, beber uma poção da imortalidade, fosse o impulso humano. Trazemos sem dúvida em nosso âmago um enorme instinto de sobrevivência que nos faria beber sem titubear uma formula que nos prometesse a vida eterna. Além disso, nosso ego inflado sussurraria aos nossos ouvidos o quanto somos importantes, as coisas grandiosas que poderíamos fazer caso nosso tempo não fosse tão curto e nossa existência tão frágil.

Na obra todos os homens são mortais, Simone de Beauvoir se debruça sobre a questão da imortalidade. É um livro sobre a inexorável roda do tempo que gira pesadamente sobre a humanidade reduzindo impérios a pó e pessoas poderosas a lembranças que aos poucos vão se apagando perante o brilho de novos rumos e acontecimentos. Tudo gira em torno do poder, da ganância, do egoísmo. Se em um primeiro momento o Conde Fosca desejou a imortalidade por acreditar-se capaz de ser o melhor governante que Carmona poderia ter, o tempo e as perdas inevitáveis da vida irão lhe mostrar que mesmo a morte possui um sentido, uma razão de ser. A imortalidade desejada torna-se um fardo sobre suas costas – um pesado fardo que atinge também as pessoas que o cercam, em especial àquelas a quem é dado conhecer a verdade sobre sua natureza; pode-se mesmo dizer que, se o primeiro questionamento do livro é sobre até onde a imortalidade é um dom ou uma maldição, o segundo questionamento é sobre o conhecimento – Afinal, conhecer e se afeiçoar a um ser imortal implica receber o conhecimento de séculos. Qual seria o efeito de alguém que vive a sombra desse conhecimento, adquirido não através do estudo, mas através de um ente imortal? Serviria tal saber para tornar uma pessoa mortal mais sábia, humilde, melhor? Ou serviriam para alimentar seu espírito com a certeza de que após a morte, pouco a pouco sua memória será apagada e esquecida? O conhecimento seria então um veneno a enlouquecer e desestimular tal pessoa a viver uma vida produtiva?

Beauvoir habilmente levanta tais questionamentos através de uma narrativa que, inicialmente parece lenta e cansativa, mas vai pouco a pouco cativando e arrastando o leitor a uma reflexão profunda e perturbadora.

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PASSAPORTE DA LEITURA: MÉXICO

Mês passado eu falei um pouco sobre o Passaporte da Leitura e a ideia de iniciar um canal especialmente para falar sobre os livros que fosse lendo. Pois bem, o canal ainda não saiu do papel, mas as leituras já estão a todo vapor! Para quem não lembra, a proposta que me fiz depois de ganhar o Passaporte da Leitura foi a de ler um livro de cada país do mundo – ideia ousada, mas divertida! A primeira parada será no México, acompanhando o romance impossível de Pedro e Tita da obra Como água para chocolate, de Laura Esquivel. O livro foi indicado pelo querido amigo Carlos, o mesmo amigo que me presenteou com o Passaporte da Leitura. Tenho que dizer que foi uma indicação literária que me emocionou bastante, pois eu e a Tita temos algo muito íntimo em comum: O amor pela arte culinária.

Como água para Chocolate

Autora: Laura Esquivel

País: México

O amor entre Pedro e Tita poderia ser comparado ao amor impossível de Romeu e Julieta – Um amor que preenche a alma dos jovens enamorados com um brilho único e uma dor voraz, impedido não pelo ódio, mas por uma antiga tradição familiar.

Tita vem ao mundo antes do tempo – Nasce na cozinha, sobre a mesa onde sua mãe chorava cortando cebolas “bem fininhas”. E será a cozinha seu refúgio durante a vida. A ela cabe um destino solitário: Como filha caçula, deve cuidar de sua mãe até que ela morra – Com isso, está destinada a ver ser-lhe negado o direito ao amor e ao casamento. O que sua mãe não imaginaria é que Pedro, que ama Tita com fervor e devoção, seja capaz de sacrifícios extremos para ficar ao menos um pouco próximo de sua amada.

A obra de Laura Esquivel apresenta o amor verdadeiro e puro através de nuances poéticas, em uma escrita rica e repleta de emoção. Tita é uma personagem doce, encantadora e que amadurece de forma dura. Outro detalhe que torna o livro inesquecível: A história é contada sempre a partir de receitas mexicanas típicas da época retratada – Dá vontade de preparar cada uma das receitas e provar o sabor, os sorrisos e as lágrimas de Pedro e Tita.

Sobre a Autora:

Laura Esquivel nasceu na Cidade do México em 1950. Começou a escrever quando trabalhava como educadora, para suprir a falta de materiais didáticos para as crianças. Posteriormente estudou também cinema e elaborou roteiros. Influenciada pela Avó, matriarca tradicional que costumava reunir as mulheres da família na cozinha, Laura passou a acreditar que este seria o ambiente perfeito para a troca de ideias e confidências entre mulheres. Atualmente, Laura é Deputada em seu país.

Sobre o México:

O México ou Estados Unidos do México é um país localizado na América do Norte cujo território abrange uma área de 1 958 201 km2, abrigando cerca de 109,6 milhões de pessoas. A capital do país é a cidade do México. O país é uma república presidencialista que foi colônia espanhola, tendo declarado sua independência em 1810 e reconhecido como nação independente em 1821. Em relação ao idioma nacional há o Espanhol, além de 67 idiomas indígenas. 

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Passaporte da Leitura – Um documento para documentar leituras e emoções

Há pequenos cuidados e carinhos inesperados que nos marcam com uma alegria intensa. Ano passado um amigo muito querido me surpreendeu com um presente muito fofo: Um “Passaporte da Leitura”. Trata-se da réplica de um passaporte normal, porém destinada a documentar todos os livros lidos no decorrer do ano. Este gesto foi capaz de me arrancar inúmeros sorrisos – não apenas porque eu realmente amo ler, mas também porque esse amigo me conhece tão bem que ao ver o passaporte, lembrou-se de mim. E foi tão especial o presente que eu decidi que iria me dedicar a fazer vídeos no Youtube para falar sobre ele e sobre cada um dos livros que lesse – minha intenção era fazer uma “volta ao mundo” anotando um livro de cada país no passaporte. Entretanto, nestes meses todos, não consegui me estruturar para criar vídeos – falta habilidade de edição, a câmera do celular não é a melhor do mundo e eu também sou um pouco tímida para gravar os vídeos – então, ao menos por algum tempo, o projeto de criar um vlog está suspenso, pois a ansiedade de começar a utilizar meu presente e ler livros de várias partes do mundo é bem maior que a vontade de gravar os vídeos – por outro lado, certamente será uma experiência enriquecedora ler e escrever resenhas de livros de todas as partes do mundo.

O primeiro livro será “Como água para chocolate”, livro mexicano indicado pelo  Carlos, o amigo doce e querido que me deu o passaporte. É um livro lindíssimo e já estou ansiosa para falar sobre ele, mas isso é assunto para outra postagem!

Abraços!

 

Design sem nome

Imortal – Histórias de Amor Eterno

Vampiros são seres misteriosos que há tempos preenchem um espaço considerável na literatura e nos filmes. Há uma diversidade de possíveis características e origens possíveis que explicam a existência desses seres – bem como cada autor desenvolve de diferente forma a interação entre vampiros e humanos

Imortal – Histórias de amor eterno é uma obra literária organizada pela autora P.C Cast e reúne várias histórias envolvendo vampiros e outros seres sobrenaturais, de diversas autoras, permitindo ao leitor apreciar sob diferentes prismas a trajetórias e características destes seres incríveis e apaixonantes

Uma leitura leve e ideal para quem está com pouco tempo para dedicar-se às leituras, uma vez que uma história não guarda relação nenhuma com a outra, o que permite apreciar o livro aos poucos – Isso quando o leitor consegue desgrudar os olhos do papel antes de terminar a leitura.

O livro é ideal para presentear pré-adolescentes e adolescentes, uma vez que seu clima romântico é delicado sem apresentar grandes detalhes sensuais ou íntimos, ao contrário do que acontece em outras histórias do gênero.

P.C Cast, organizadora da obra, é uma das autoras da série House Of Night – O que já a torna uma excelente indicação em termos de literatura fantástica.

Clube do Livro: Leituras de Outubro

Mês passado comentei aqui no blog sobre o projeto do grupo “Clube do Unicórnio”, um espaço virtual muito bacana cujo foco é realizar ao menos uma leitura por mês, sempre em conjunto, de forma que todos leiam o mesmo livro para poder conversar sobre ele, apresentar resenhas e, até mesmo, apresentar os textos que escrevemos em nossos blogs.

Para o mês de Outubro foram escolhidos dois livros: Fangirl e A Bela e a Adormecida.

Título :Fangirl

Autora: Raimbow Rowell

Editora Novo Século

Fangirl inicia como a maioria dos livros voltados para o público adolescente – linguagem fácil, foco na família e também nas novas experiências que a vida proporciona – no caso, a ida para a faculdade. É difícil não gostar do livro que tem um pequeno toque de comédia romântica, aliado a um enredo moderno sobre duas gêmeas: Cath e Wren. abandonadas pela mãe, as irmãs criadas pelo pai são idênticas em aparência e completamente diferentes em comportamento. Wren é uma garota popular; Cath também é popular, porém poucas pessoas sabem – Ela é autora de uma fanfic de sucesso baseada em uma série popular entre adolescentes o que faz com que mantenha várias amizades virtuais, mas poucas amizades na vida real.  E é no primeiro dia de faculdade que o livro se inicia – uma Wren ansiosa por novas experiências e uma Cath assustada por dividir pela primeira vez o dormitório com uma completa estranha.  Entre confusões, emoções e um romance delicado, o livro narra não apenas a jornada de auto-descobrimento de Cath (e porque não dizer, de Wren também) como também o encontro da jovem com sua verdadeira vocação: A escrita.

Opinião: Um livro muito bom, com enredo e vocabulário fáceis. Me identifiquei muito com a personagem Cath – me reconheci na timidez e no gosto pela escrita, embora nunca tenha me arriscado a criar uma fanfic.

Título: A Bela e a Adormecida

Autor: Neil Gaiman

Editora: Rocco

 

A Bela e a Adormecida é um conto de fadas, uma releitura bem interessante dos contos de fadas na verdade. Um livro curtinho, de leitura fácil, capaz de absorver a atenção do início ao fim e, principalmente, capaz de surpreender no final.

Opinião: Não gosto muito de livros curtinhos, sinto como se não conseguisse ter tempo de me apegar aos personagens – e no caso de A Bela e a Adormecida, o livro torna-se muito curto por ter ilustrações nas páginas. E por falar em imagens, a capa do livro é linda!

 

 

 

 

 

 

 

A menina submersa

Ler sempre foi uma atividade extremamente pessoal na minha vida – quase sempre escolhia o livro pela capa, pelo título ou por alguma indicação aleatória. Entretanto, no início deste mês de Setembro surgiu,em um dos grupos que participo no Facebook, o convite para participar de um Clube do Livro, o Clube do Unicórnio – um espaço de interação muito legal criado pela Carol do Blog Ei Carol em que o objetivo é ler um livro por mês e discutir sobre a leitura com as outras participantes.

O escolhido para o mês de Setembro foi “A menina submersa” e eu não poderia deixar de falar um pouco sobre ele, não é verdade?

“A menina submersa” – Um título intrigante. Confesso que não gosto muito de ler sinopses, mas acabei lendo o que trouxe ainda mais expectativas – que foram superadas a cada página!

A trama, embora narrada pela personagem principal, não segue uma linearidade e alterna entre primeira e terceira pessoa numa construção primorosa, permeada por pequenas histórias escritas pela personagem, memórias da infância, reportagens e descrições de obras de arte além de uma intrincada relação entre a vida e os contos de fada. Pode parecer confuso e talvez por isso a sinopse oficial do livro não adentre em tais meandros sobre a narrativa.  A autora retrata o delicado tema dos transtornos mentais por meio da personagem principal- narradora Imp e de sua “história de fantasmas” – A arte é, portanto, a catarse pela qual a personagem tenta manter sua frágil sanidade mental. Outro ponto interessante: Imp leva uma vida relativamente normal, apesar da doença: Trabalha, pinta, namora, escreve – e retrata tudo isso em detalhes, que, entretanto, podem ou não ser factuais. Se ela consegue lidar com isso? Na maioria do tempo, sim. Se o leitor consegue? Sim, embora com certa inquietação.  E talvez seja essa inquietação um dos fatores que fazem a leitura tão irresistível, como uma sede que só aumenta a cada página e sacia-se no desfecho.

 

A Menina Submersa – Caitlín R. Kiernan
Número de Páginas: 320 páginas
Editora: DarkSide® Books

Conheçam também o Clube do Unicórnio:

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