Resenha: O Mandarim (Eça de Queiroz)

“No fundo da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a história contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ele soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia. Será então um cadáver; e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição de um homem avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, tocarás tu a campainha?’ (Eça de Queiroz em “O Mandarim”).

O romance, com pouco mais de 150 páginas, é o relato da vida de um rapaz português, Teodoro que se vê diante da questão proposta no parágrafo acima. Ele relata sua decisão e as conseqüências a que tal decisão o levou. Trata-se de um livro leve que traz em si uma proposta reflexiva profunda – Se você pudesse ganhar toda a riqueza que almeja tirando a vida de alguém que você não conhece o que faria? Apenas a vida de um idoso desconhecido separa você do dinheiro que deseja e você não irá sujar as mãos, não irá ver sua vítima, apenas sabe que ela irá morrer em um suspiro. Apertaria a campainha?

Em tempos como os que vivemos, onde a vida tem sido cada vez mais banalizada, essa é uma reflexão válida, importante, até mesmo urgente: O dinheiro é mesmo o mais importante? Qual o limite da ambição? Quais as consequências de ceder às tentações?

Título: O Mandarim

Autor: Eça de Queiroz

Ano:1880

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Sopa de letrinhas parte 2: Os melhores do Blog Devaneios e Poesias

Chegamos à penúltima lista deste ano: Os melhores textos no blog Devaneios e Poesias! Nesta listinha vou pedir uma participação especial de vocês: Eu vou fazer a listinha, como todas as outras, mas gostaria muito que vocês comentassem se concordam com os textos que selecionei e, principalmente, o que mais gostariam de ver no blog: Mais resenhas de livros? Mais devaneios? Mais poesias? Mais textos de opinião? O que vocês mais gostam quando acessam o meu cantinho?

1 – Um sonho,uma lembrança e outra carta que jamais será lida: Este texto foi escrito em 2013 e só este ano eu tomei a necessária coragem para publicá-lo. Sabe aquele texto que ainda consegue causar um nó na garganta, que te joga no túnel do tempo direto para a data em que foi escrito? Este texto é assim e por isso não poderia estar fora desta lista!

2-Livro do mês – Marília de Dirceu (Tomás Antonio Gonzaga). Gostei do livro e fiz a resenha. Não foi o livro que eu mais gostei este ano, mas foi uma resenha que achei especialmente boa, pois foi além da opinião sobre a obra e falou um pouco sobre o a vida do autor e o período em literário que classifica a obra. Preciso tentar fazer isso mais vezes quando falar sobre literatura.

3-Precisamos falar sobre Maconha – 2ª Marcha da Maconha da Baixada Santista: Esse texto foi especial por algumas razões – Me aventurei a escrever um estilo diferente, a embasar a necessidade de debater o assunto através de pesquisas, participei da marcha (com roupa estilizada e tudo, conforme podem ver nas fotos), obtive muitos comentários de amigos que leram e falaram comigo sobre o tema, enfim, foi um texto que dividiu águas este ano.

4- Até que o amor possa pulsar livremente (Sobre um texto não escrito para o dia dos namorados e a falta de sentido que toma conta do mundo): Esse é aquele texto que eu não gostaria que fosse necessário escrever. Um texto triste, um momento de indignação necessário. Na minha opinião, ficou bom, mas eu espero não precisar escrever sobre isso de novo, embora eu saiba que ainda serão necessários muitos textos, muitos debates, muitas manifestações e infelizmente muito sangue derramado para que casos assim passem a fazer parte de um passado vergonhoso. Seguirei sempre levantando a bandeira do arco-íris em meus textos e no dia a dia. Vamos adiante!

5- Playlist: Músicas que meus amigos me indicaram – Foi divertido escrever sobre as músicas que meus amigos me indicaram e em breve haverá mais uma postagem sobre o assunto! Música é algo que vibra dentro do meu coração, é o ar que eu respiro, por isso essa postagem, apesar de simples, está incluída na minha lista de melhores do ano.

6- Poesia para os camaradas do PSOL: Muitas vezes as pessoas comentam comigo coisas que não fazem sentido, alegam que minha alma artista seria infeliz envolvida na militância político-partidária e que eu deveria me afastar das lutas e do partido e me dedicar somente ao trabalho, estudos e literatura. Escrever poesias após reuniões do partido é a minha forma de mostrar que a militância não cala a poetisa que existe em mim. O mundo por vezes consegue calar, a militância não.

7 – Beltane ou Samhain: Um poema curto e simples sobre a minha festividade wiccana favorita. Estou afastada há anos dos círculos e celebrações. Sinto falta, mas não consigo incluir na minha vida neste momento, então, resta escrever sobre o assunto de vez em quando.

8 – Nossos sonhos não cabem em urnas (Ou um pequeno relato pessoal sobre as eleições de 2016): Este texto é um relato sobre a experiência que marcou boa parte do meu ano. Bastante pessoal, gostei de compartilhar com todos e todas que me acompanham.

9- Precisamos falar sobre censura e falsa moral: Este texto fala sobre a hipocrisia que se instala em nosso dia a dia tomando por base um fato bastante sério que ocorreu em Santos – Atores tiveram sua peça interrompida pela polícia de forma completamente descabida.

10 – Bolo de cenoura com cobertura de brigadeiro: Como eu poderia terminar essa lista sem falar de uma receita que foi postada no blog após ser exaustivamente testada e devorada aqui em casa?

Estes foram meus dez textos favoritos de 2016. Agora aguardo a participação de vocês com sugestões sobre o que mais gostariam de ver por aqui!

Abraços!

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Sopa de letrinhas: 10 livros que eu li em 2016 e indico

Continuando com as listinhas de final de ano, um tema muito importante: Livros! Quando eu estava no colégio, lia muito. Na faculdade, esse nível caiu drasticamente. Este ano consegui encontrar um meio termo – e nesta lista cito livros de diversos gêneros e autores, todos muito bons!

  1. Lua de Papel (Lunna Guedes): Falei sobre esse livro aqui no blog há pouco tempo. E repito: Leitura maravilhosa! Lunna Guedes é uma escritora incrível, cujos textos tem uma leveza única, ao mesmo tempo em que são intensos e profundos.
  2.  A filosofia na obra de Machado de Assis e Antologia filosófica de Machado de Assis (Miguel Reale) – Não é segredo para os leitores: Sou apaixonada pela escrita machadiana, então, um livro sobre a conexão da filosofia com a obra do Machado não poderia estar fora das minhas leituras favoritas do ano.
  3. Til (José de Alencar): Um livro brasileiro pouco comentado nos colégios, Til é uma narrativa da maturidade do autor José de Alencar. Uma história linda, surpreendente e emocionante.
  4. Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga): Este livro me surpreendeu. Não sei por qual motivo, pensei que não fosse gostar dele, e não é que acabei gostando? É simplesmente um livro muito lindo!
  5. Septum (Lunna Guedes): Mais um livro da querida Lunna Guedes para a lista. Septum é um livro que te faz ter vontade de se mudar e viver nas entrelinhas, nas páginas, nos crepúsculos e nas ruas. Abri-lo é ouvir o som de um velho relógio e o cheiro do café quentinho.
  6. Perdida (Carina Rissi): Carina Rissi é uma escritora brasileira cuja obra é – até onde eu conheço – voltada para adolescentes. Perdida é o primeiro livro de uma saga que inclui mais três: Encontrada; Destinado e Prometida. Ainda não pude ler Prometida, mas os outros três eu indico! São românticos e engraçados, uma leitura leve para qualquer idade
  7. O Místico (Ieso Nascimento): Um livro que, por enquanto, está disponível apenas em versão PDF e faz uma verdadeira viagem histórica pelo período compreendido entre a Revolução Russa e a Segunda Guerra Mundial enquanto nos descortina um romance envolvente sobre a jornada iniciática de um jovem místico.
  8. As crônicas de Gelo e Fogo (George R.R. Martin): Na verdade, “As crônicas de Gelo e Fogo” não é um livro e sim uma coletânea que eu ainda não li inteira. São livros muito grandes (e pesados), o que torna a leitura lenta por ser difícil carregar pela cidade para ler durante os dias mais corridos.
  9. As Ilusões Perdidas (Balzac): Se você não leu nada do Balzac, leia! Esse livro em especial tem uma narrativa densa e interessante, prende a atenção do início ao final e surpreende nas últimas páginas.
  10. Noites na Taverna (Álvares de Azevedo): Outro livro brasileiro, clássico e maravilhoso. Além de ser um livro relativamente pequeno, os capítulos também são curtinhos e é possível ler em qualquer momento livre. E vamos combinar? Álvares de Azevedo foi um dos nossos escritores mais brilhantes!

 

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Resenha: O Místico (Ieso Nascimento)

É difícil saber qual a característica de “O Místico” que mais prendeu minha atenção – A viagem histórica empreendida entre os anos anteriores a Revolução Russa até o final da Segunda Guerra Mundial? As personagens ricamente construídas em todo seu esplendor de detalhes psicológicos? Ou a jornada da Iniciação percorrida pelas personagens?

Alternando entre descrições, detalhes, viagens através da história e autoconhecimento, sem deixar de lado o romance, Ieso Nascimento nos brinda com uma pérola da literatura moderna.

O livro é disponibilizado gratuitamente pelo autor, que me autorizou a envia-lo a quem se interessasse, portanto, se quiser recebê-lo em formato PDF, basta me enviar um e-mail (bob_cristal@hotmail.com) com o assunto Livro O Místico, que terei prazer em envia-lo e divulgar esta bela obra!

 

 

Resenha: As Ilusões Perdidas

Um livro que , respeitadas as mudanças de costumes trazidas pelo decorrer das décadas, mantém-se desconcertantemente atual. O autor, magistralmente, mostra a força da imprensa, que já em seus primórdios parisienses, mostrava-se capaz de alavancar a reputação de obras e pessoas – ainda que estas não merecessem – ou de derrubar tantas outras obras e pessoas que mereceriam a glória almejada. Mostra também as intrigas de uma sociedade aparentemente perfeita. Acaso não vivemos assim hoje? Temos por verdade absoluta o que publicam jornalistas, deixamo-nos levar pela aparente perfeição desta ou daquela família e envolvemo-nos em intrigas que não nos dizem respeito. Acaso ainda hoje o dinheiro não tem sido capaz de comprar opiniões? O capital mostra-se cada vez mais cruel, comprando a honra dos que deveriam dedicar seu tempo a elevar as condições de vida da população? Não causa estranheza notar que já em mil oitocentos e tanto era assim? A humanidade acaso não consegue aprender a lição e despojar-se de supostas e falsas honrarias em busca de uma vida pacífica e igualitária?

Luciano é um anti-herói: Rapaz da província, órfão de pai, mantido pelo esforço da mãe parteira, da irmã engomadeira e do amigo, dono de uma tipografia e inventor, almeja alcançar a glória literária, envolve-se com uma senhora da nobreza, casada e que o toma por protegido levando-o para Paris após o que poderia ser um escândalo. Na capital ele irá vivenciar o abandono, a desilusão, a miséria, a amizade verdadeira, a camaradagem, o amor, o luxo e a humilhação que o levarão de volta a sua terra natal para vivenciar todo o mal que causara à família. Luciano, em Paris, perde suas ilusões de escritor e o pouco de caráter o honra que possuí, e em muitos momentos o leitor chegará a sentir ódio pelo personagem, para em outros, diante dos sofrimentos, torcer por uma reviravolta que o leve a posição almejada.

As personagens femininas merecem um parágrafo à parte: O autor diversifica bastante os detalhes de comportamento das mulheres em sua obra. São em geral mulheres fortes, astuciosas e decididas – seja para jogar em sociedade utilizando peripécias e meios sujos de obterem posição social ou vingança, seja para garantir a sobrevivência da própria família em momentos de apuro.

Balzac consegue traçar uma linha tênue entre vaidade e honra, quebrada algumas vezes, por motivos pessoais e/ou financeiros. Ele retrata uma sociedade moralmente decadente e as dificuldades de manter-se em luta por seus objetivos sem envolver-se em um mar de lama – E acredite, o autor consegue mesmo criar personagens capazes de manter a pureza de princípios em meio a tudo e todos. Além de traçar este retrato de costumes, mostra-se um retrato político da época. É um livro descritivo, cheio de períodos longos, porém não chega a ser cansativo.

Uma curiosidade sobre a obra: No decorrer do livro, surge a interação de personagens de outras obras do autor, o que inicialmente trás certo desconforto, mas depois acaba por despertar o desejo de ler os livros citados. Muito embora seja um dos clássicos da literatura francesa, apresenta um vocabulário acessível, de compreensão tranqüila.  Pesquisei e descobri que não houve adaptação cinematográfica para o livro, o que é ao mesmo tempo um motivo de lástima e de alegria para os amantes da boa literatura.

Sem dúvida, indico a leitura, principalmente se você pretende dedicar-se a literatura, pois perceberá, com o tempo, que o trecho que lhes deixo, é bastante verdadeiro:

“Para fazer obras belas, meu pobre rapaz, terá de, a penadas de tinta, esgotar seu coração de ternura, de seiva,de energia, e ostentar paixões, sentimentos, frases! Sim, escreverá em lugar de agir, cantará em vez de combater, há de amar, há de odiar, há de viver, em seus livros; mas quando tiver reservado suas riquezas para o estilo, seu ouro e sua púrpura para os personagens, tendo de andar em andrajos pelas ruas de Paris, feliz por haver criado, rivalizando com o Registro Civil, um ser chamado Adolpho, Corina, Clarissa, Renato ou Manon, quando houver estragado sua vida e seu estômago para dar vida a esta criação, há de vê-la caluniada, traída, vendida, deportada para as lacunas do olvido pelos jornalistas, sepultada por seus melhores amigos”

Desanimador? Talvez, mas ainda assim, há ainda outro trecho cheio de verdades:

“Quando uma águia cai, quem pode saber em que fundo de precipício se deterá? A queda de um grande homem é sempre proporcional a altura em que chegou”

E de que vale chegar às alturas por meios escusos, acumulando inimigos e devendo favores que não possam ser cumpridos com a consciência limpa? A obtenção da glória e do poder por meios escusos só garante uma grande queda sem rede de proteção rumo ao abismo.

Enfim, leiam, e, se puderem, compartilhem este pequeno artigo para despertar em outros a curiosidade pela leitura! E não esqueçam de deixar um comentário aqui ou na página do facebook dizendo o que acharam do livro!

Septum

Uma caminhada entre noites e crepúsculos, amanhecer, cidades, cartas. O cheiro de café, o som do velho relógio na parede.  Ler Septum trouxe tantas sensações que me é quase impossível enumerar. Um livro que me acompanhou por dias, entre páginas e mais páginas, li e reli trechos inteiros, confesso que queria me prender, morar naquelas linhas, e entrelinhas por mais um tempo. E assim me permiti viver por mais de um mês -sem pressa, indo e vindo ao final, ao meio, ao inicio. Há uma doce sutileza na forma como Lunna Guedes escreve, ela leva o leitor aos lugares que descreve e quase é possível ouvir os passos da autora par em par com os do leitor.                                                                                         Há um tempo fiz uma breve resenha do livro “Lua de Papel”, primeiro de uma trilogia, e senti que sequer cheguei perto de transmitir todo o encanto que aquelas páginas trouxeram aos meus dias. Sinto a mesma coisa com Septum! Não há como fazer uma resenha, pois é um livro para ler e sentir, ler e reler, ler e desejar tomar um café quente ou sair pela noite afora.

Querem um conselho? Não tentem entender os livros da Lunna pelas minhas palavras! Jamais minhas linhas serão suficientes para descrever as palavras dela. Entrem no blog Catarina voltou a escrever e conheçam um pouco a autora – se gostarem (e eu sei que irão gostar), adquiram os livros que são verdadeiras obras de arte, tanto pelo texto inigualável que trazem quanto por sua encadernação artesanal caprichosa!

Lunna, obrigada por novamente compartilhar teu mundo comigo. Você mora em meu coração! Espero caminhar contigo por muitos anos ainda!

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Livro do mês: Noites na Taverna (Álvares de Azevedo)

Setenta e três páginas,algumas histórias intensas e um final surpreendente. Alvares de Azevedo trás em seu livro “Noites na Taverna” toda a tensão das histórias que se pode contar em uma noite entre amigos. Em comum nota-se o envolvimento das personagens com mulheres idealizadas, em histórias de amor impossíveis e trágicas.

Infelizmente o poeta morreu jovem, aos vinte anos de idade, senão teria deixado um legado ainda maior. Um dos principais expoentes do ultra-romantismo (ou 2º geração do romantismo/Mal do século) no Brasil, Álvares deixou uma obra pequena e inigualável, publicada postumamente

Para quem gosta de leitura on line: Noites na Taverna 

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Resenha do livro Lua de Papel

Mais que um livro, uma oportunidade de sentir-se outra pessoa, com uma vida diferente, sentimentos intensos e surpreendentes. Poderia ser apenas a história de uma menina humilde de cidade pequena frente aos acontecimentos que se precipitam sobre ela ao longo da vida e, especialmente, após sua ida para a Universidade. Poderia ser mais um romance “água-com-açúcar” onde a personagem chora, se amedronta, encontra um grande amor e depois de muita confusão vivem felizes para sempre e fim. E isso seria um incrível desperdício de personagens cheios de características marcantes em um enredo banal.Ainda bem que não é! O livro é simplesmente um deleite, um barco aguardando o embarque do leitor rumo a uma viagem a bordo da alma de cada personagem. Lunna Guedes transcende todas as expectativas e nos leva a caminhar pelas ruas da cidade de Teodoro, sentindo o coração acelerado e o sabor das laranjas do quintal da D. Maria. Lendo, você é Raíssa ou Alexandra, por alguns instantes é também Maria. Vale ler, fechar os olhos e reler trechos. E continuar, seguir, querendo ver o final sem querer despedir-se das meninas que irão conquistar seu coração.

Se eu pudesse dar um conselho a cada leitor meu, este conselho seria: Acessem o blog Catarina voltou a escrever e conheçam os textos da Lunna. Serão momentos intensos e maravilhosos. Se possível, comprem o livro Lua de Papel e leiam, porque vale muito a pena – além de ser lindo por dentro, é lindo por fora, uma vez que é um livro artesanal como podem reparar na foto!

Lunna, gratidão eterna por dar-me a oportunidade de fazer aqui a resenha do teu livro! Tua amizade é uma preciosidade guardada em meu coração, e teu livro já se tornou o meu pequeno tesouro particular – certamente será lido tantas e tantas vezes!

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Livro do mês – Marília de Dirceu (Tomás Antonio Gonzaga)

Tomás Antonio Gonzaga nasceu no Porto, em 1744, vindo para o Brasil aos sete anos. “Marília de Dirceu” reúne toda a produção lírica do autor, tendo originalmente sido publicado em três partes, uma em 1792, uma em 1799 e a última em 1812, dois anos após a morte do poeta.
Seus poemas são interessantes, pois unem a paisagem bucólica típica do Arcadismo, do qual Gonzaga foi expoente, a uma forma bem suave de contar seus dramas pessoais. Nota-se também citações de deuses mitológicos gregos, como Vênus e Cupido – típicas do período neoclássico.
Um fato interessante que não cheguei a aprender nas aulas de literatura do colégio: Tomás Antonio  Gonzaga foi um um dos Inconfidentes e, por isso, foi preso na Ilha das Cobras e, depois, enviado para o exílio em Moçambique. Relatam seus biógrafos que sua prisão impediu o casamento com sua então noiva Maria Doroteia (A quem o poeta chama “Marília” em sua poesia). Por maior que fosse o amor que o poeta nutria por Maria Doroteia, o infeliz desfecho de seu noivado não impediu Gonzaga de encontrar uma esposa – Talentoso, culto e bastante ousado, conseguiu impor-se em Moçambique, casando-se com uma moça analfabeta e rica – O que deixa perplexos os leitores adeptos ao romantismo, cujos corações esperariam certamente saber revelações dando conta de que o poeta morrera sozinho chorando pela amada. Seja como for, foram os amores por Marília e a forma com que os retrata que fizeram o nome do poeta chegar até os dias atuais.

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Para quem quiser ler um pouco mais sobre o arcadismo, indico este material aqui ou este outro  – Em breve pretendo fazer alguns apanhados sobre história da arte e da literatura e postar no blog, preciso tomar um folego antes e relembrar bastante coisa, então estou indicando um dos materiais que li e gostei!

Ilustrando o post, uma imagem da tela “Os campos elíseos” de Antoine Watteau.

Leitura e música (ao menos para mim) caminham sempre juntas, infelizmente não estou conseguindo colocar vídeos nas postagens, pois aparentemente o plano gratuito não permite mais que sejam anexados vídeos, então, se quiserem ouvir um pouco das canções que apreciei durante a leitura do livro, é só clicar aqui. (Não, a música não se relaciona nem um pouco ao período em que a obra foi escrita).

 

 

Tag “Deuses do Olimpo”

 

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Fui indicada pelo blog “O eu insólito” da Jacqueline Bastos em 31 de Março deste ano!Desculpa a demora moça!

 

1º Zeus – Rei dos Deuses: Qual livro é o rei da sua estante?

Guerra dos Tronos – George R.R Martin

2º Hera – Deusa do Casamento: Um casal que você shippa?

Damon e Elena da Saga “Diários do Vampiro¨

3º Poseidon – Deus dos mares: Um livro que você jogaria no mar do esquecimento?

Os Sertões – Euclides da Cunha (É um clássico, eu sei… Mas dá sono)

4º Deméter – Deusa da agricultura: Imaginando que sua bagagem literária é uma árvore, qual foi o livro semente?

O sítio do Pica Pau Amarelo – Monteiro Lobato

5º Hades – Deus dos mortos: Um personagem que você mataria?

Difícil… Vilões são importantes para a história, então acabo prestando atenção neles e não imagino nenhum que eu queira matar.

6º Héstia – Deusa virgem do lar: Um personagem que você levaria para casa?

Sophia – de O Mundo de Sophia

7º Afrodite – Deusa do amor e sensualidade: Um livro pelo qual você se apaixonou?

As Bruxas Mayfair – Anne Rice

8º Apolo – Deus do sol e da arte: Um personagem artista?

Mia Hall – Do livro “Se eu ficar”

9º Ares – Deus da guerra: Um livro ou personagem que te deixou com ódio?

Anna Karerina – Tolstoi. Sério, o livro é incrível, mas em alguns momentos dá raiva, ódio, vontade de entrar na história e dar um chacoalhão na personagem!

10º Ártemis – Deusa virgem da caça: O livro que te levou a grandes aventuras?

As crônicas de Nárnia

11º Atena – Deusa virgem da sabedoria: Um personagem que te inspira?

Todos me inspiram um pouco

12º Dionísio – Deus do vinho e das festas: Qual foi a sua maior ressaca literária?

Não faço ideia… Acho que nunca tive ressacas literárias…

13º Hefesto – Ferreiro dos Deuses – Deus do ferro e fogo: Um livro que tenha ferro ou fogo na capa?

Confesso que não costumo olhar as capas dos livros, mas acho que Jogos Vorazes tem fogo

14º Hermes – Mensageiro dos Deuses – Deus do comércio: Um livro que você não compraria, ou se arrependeu de ter comprado?

Não  compraria  Cinquenta Tons de Cinza