#TBT – Flores

“Flores! Para enfeitar nossa jornada, para perfumar, colorir. Tê-la ao meu lado é cultivar no Jardim da vida a rara flor do amor – Amor que colore, perfuma e alegra nossos caminhos. Amor que faz sorrir e também faz chorar. Amor que derrama o sangue de nossas almas – Pois, como qualquer rosa – Possui espinhos. Amor, simples e profundamente, amor e nada mais, amor que é tudo, que nos guia, alimenta nossa alma, amor. Amor, que como todas as flores, no inverno perde as cores, o verde das folhas. Amor que pensamos estar morto nos longos meses do inverno, da distância, mas no fundo sabemos que ele nunca morre, pois, sem ele, nada somos. Sem ele, a vida nada é. Amor que retorna na primavera do reencontro, atinge novamente seu ápice, faz-nos reviver, sonhar! Amor! Motivo maior da existência, pureza da água cristalina, brilho das estrelas, estrada da alma, estrada que sigo a teu lado, mesmo distante, sempre perto de ti, sempre pelo mesmo caminho. Você é meu amor, flor que enfeita e perfuma minha existência, minha estrada e meu motivo para segui-la, sem medo, embora não saiba para onde sou conduzida, com a confiança de que, qualquer lugar ao teu lado é o paraíso.”

29-04-2009 (Escrito para o romance Valeska)

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Escrita silenciosa

Escrever sempre foi, para mim, algo bastante íntimo, silencioso. Criei a página Devaneios e Poesias no Facebook no final de 2013, em 2014 criei o blog, mas não me atrevia a participar de concursos literários ou seleções para antologias. Até que escrevi um poema-homenagem à Marielle Franco e precisei recitar em um evento do coletivo feminista. E depois incentivada companheiras de luta, li outro, sobre violência policial, no “Open Mic” (microfone aberto) ao final da Marcha da Maconha, depois participei de um festival de poesia falada, em seguida de um slam no final de um curso sobre poesia marginal, e de outro slam e um Sarau online. E eis que surge uma antologia de contos sobre os perigos dos relacionamentos virtuais – Escrevi e enviei o meu trabalho, sem muita expectativa de ser selecionada – E não é que consegui? (Conto mais detalhes sobre o lançamento do livro em breve). Tudo isso me trouxe vontade de participar de outros concursos literários: Quero testar limites e ampliar horizontes. E então, buscando aqui e ali, encontrei o Prêmio Machado promovido pela Darkside Books (clique aqui pra saber mais) – E misteriosamente, cadê a inspiração? Tela em branco. Respiro fundo, passeio pela casa, brinco com a cachorra e, tela em branco. Cozinho, lavo louça, descanso, leio e… A tela permanece em branco. Semana passada, fico sabendo de outro concurso, não tão amplo (se você tem menos de 18 anos pule as próximas linhas e vá direto para o final), com temática direcionada: Contos eróticos sobre BDSM (Para saber mais, clique aqui). Eu gosto de literatura “hot” como as pessoas insistem em chamar, porém, muito antes dos 50 tons ou dos 365 dias serem sucesso, houve outros autores e autoras que trataram o sexo com estilo mais rebuscado – O erotismo não precisa ser uma sucessão de palavras rasas, o erótico é uma parte importante do ser humano e merece requinte, quando tema de literatura! Temos Anais Nin e seu “Delta de Vênus” para comprovar. Temos D.H Lawrence, Règine Deforges, Anne Rice. Todos e todas escreveram o erótico de forma espetacular, antes mesmo do estilo se tornar badalado e vendido como Best-seller. E é essa a literatura erótica que eu desejo produzir! Porém, me deparo com uma dúvida – É essa a literatura erótica que as pessoas desejam consumir? E essa dúvida faz com que, novamente, a tela do meu computador permaneça em branco enquanto os prazos se aproximam do final. Agora, pergunto: O que fazer para sanar estes bloqueios criativos?

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06 on 06 – A gosto

Pra alguns, desgosto

Como se o azar

Morasse no calendário

Agosto

Mês oito, faltam quatro

Pra mais um Feliz ano novo

De novo

Agosto

A gosto

Ao gosto

Que a vida tem.

06 fotos de alguns Agostos idos…

2014 – Luta pelo elementar direito de existir e demonstrar afeto, “beijaço” LGBTQI+ em Santos, em protesto contra a expulsão de um casal gay de um bar. Noite em que conheci pessoas incríveis ❤

2018 – Mais que amigos, camaradas! Reta final da campanha eleitoral 2018 #PSOL
Agosto/2017: Como diria Chorão “tão natural quanto a luz do dia”
Agosto/2019: Flores no quintal de casa ♡
Agosto/2019: Conhecendo um pouco mais sobre o alfabeto ❤ Exposição maravilhosa, na melhor companhia ♡
Agosto/2019: Te transformo em poesia…

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A saudade é o molho agridoce da vida

Há tempos a menina não tinha um momento silencioso, apenas entre ela e seus sentimentos. A rotina a estava sufocando em meio ao nada que se tornaram os dias, repentinamente iguais. De repente, estava mais fácil criar histórias do que contá-las. E certamente estava infinitamente mais fácil contar qualquer história criada, do que olhar para dentro e ver dentro de si um lago de águas espelhadas encobrindo um abismo profundo de emoções. Como tudo havia mudado em tão poucos meses? Algumas de suas certezas mais profundas haviam se reforçado com o isolamento, outras haviam mudado um pouco. Ela tinha certeza sobre o amor, sobre a escrita e sobre a magia encontrada no calor aromático da cozinha. Ela tinha certeza sobre as saudades e lembranças que a invadiam ao sentir o aroma do café pela manhã ou ao ouvir Rammstein enquanto flutuava entre as posturas do yoga. Então, um dia, enquanto olhava seu velho livro de receitas, encontrou uma receita que a fez perceber que a saudade tinha um sabor agridoce – Unia, dentro de seu coração de menina-mulher, memórias doces, apimentadas, salgadas: O doce mel daqueles olhos profundos, o apimentado da pele que se arrepiava quando os corpos se encontravam em um abraço, o sal das lágrimas de saudade que insistiam em descer pelos olhos dela tão logo se despediam. Sim, o amor, a saudade, a ausência e a esperança eram sentimentos agridoces e a menina era grata por poder senti-los com tamanha intensidade, por isso, ela abriu seu caderno e escreveu sobre o que sentia enquanto provava o molho que havia preparado. Um dia talvez compartilhasse o texto e a foto em um livro de receitas ou nas redes sociais, como um registro de seus sentimentos deixado para uma posteridade que possivelmente não tivesse tempo ou sensibilidade para perceber que as coisas mais bonitas moram na capacidade de se entregar completamente aos sentimentos e sabores que a vida nos traz.

Receita: Molho Agridoce

100gs de açúcar

1 colher pequena de sal

6 colheres (sopa) de água

2 colheres (sopa) de shoyu

4 colheres (sopa) de vinagre

2 colheres (sopa) de katchup picante (ou um molho de tomate caseiro bastante condimentado)

1 colher (sopa) de maisena

Misturar bastante e depois levar ao fogo para engrossar, mexendo sempre para não criar pelotas. Passar sobre couve-flor pré-cozida, cebola fatiada e proteína de soja previamente hidradata, colocar tudo em uma assadeira e levar ao forno até dourar.

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A pizza, o suco de laranja e a naja presidencial.

Tem um dia de verão no meu inverno e isso me deixa sem vontade de fazer praticamente qualquer coisa, porém, lembro-me que hoje é Domingo, dia de falar sobre o país, o mundo, a pizza e o suco de laranja. Por falar em suco de laranja, com a prisão de Queiroz convertida em prisão domiciliar, aumentam os riscos de que, no final, a laranjada acabe em pizza – Aliás, como bom esposo, Queiroz já está dividindo a pizza e o suco de laranja com a esposa que estava foragida até este sábado, mas voltou para casa após ter sua prisão também convertida em domiciliar – Me recuso a pesquisar fundamentos jurídicos, mas arrisco dizer que é um fenômeno jurídico raro, talvez único, a conversão da prisão de uma foragida para uma condição mais branda. E por falar em laranjas, pizzas e casamentos, o presidente que no início da pandemia precisou ser judicialmente obrigado a mostrar um exame de coronavírus negativo, repentinamente apresentou sintomas e declarou ter contraído a doença – Por coincidência em uma semana sensível diante das investigações sobre as rachadinhas que, ao que tudo indica, aconteciam em seu gabinete desde a época em que foi deputado – A parte curiosa é: Quando a maioria da comitiva presidencial adoeceu, ele foi a exceção, agora, nem mesmo a primeira dama testou positivo apesar do contato com ele, o que levanta suspeitas em muita gente de que a doença seja apenas mais uma desculpa para esquivar-se das respostas que precisam ser dadas. Pelo há algo azedo na laranjada presidencial. Outro destaque da semana é o anúncio do novo ministro da educação – Lembram que domingo passado eu comentei que estamos andando a passos largos em direção a uma nova idade média e que se não tomarmos cuidado, logo haverá fogueiras em praça pública? Pois é! O que me dizem dessa velha novidade que parece ter sido retirada diretamente de um armário perdido nos séculos? Um religioso que não deveria sequer assumir uma Igreja, portador de opiniões antiquadas, defensor até mesmo da aplicação de castigos físicos sob a fala de que crianças precisam sentir dor. Para ser ministro deste (des)governo, aparentemente os requisitos são: Ignorância, pensamentos retrógrados, fascismo e uma exacerbada religiosidade que não passa de falsa moral, também conhecida como hipocrisia, e oportunismo. Possivelmente, a única notícia boa desta semana foi a quase liberdade da cobra escravizada pelo playboy do planalto central! Num ato heróico a serpente mordeu seu raptor e acabou levando a polícia a encontrar as outras espécies criadas clandestinamente, em condições insalubres e degradantes para a vida animal. Espero que as cobras sejam devidamente encaminhadas a um lugar confortável e adequado, afinal, vamos concordar que é muita tristeza ser seqüestrada, traficada e ainda viver no Brasil (des)governado pelo Bolsonaro – Aliás, talvez entregar para a naja nossa faixa presidencial fosse uma boa ideia, afinal ela não fala asneira, não pratica rachadinha, não aprecia suco de laranja e, principalmente, mata uma pessoa por vez, diferente do genocídio promovido pelo atual governo através do péssimo gerenciamento da pandemia e das políticas contínuas de desmonte da saúde pública e retirada de direitos básicos, e o melhor, após empossar a cobra, bastaria colocar um ser humano competente para tutelar o réptil e teríamos um início de recuperação para este país, que está na UTI apesar das manchetes irresponsáveis alardeando um falso novo normal. Sabe de uma coisa? O jeito é comer um bom pedaço de pizza (afinal, dia 10/07 foi o Dia da Pizza, segundo o calendário capitalista) e aguardar pacientemente o desenrolar da próxima semana.

Sobre memórias, pães e textos

Diz a sabedoria popular que sons altos podem fazer os pães deixarem de crescer. Na dúvida, durante muito tempo, evitei movimentos bruscos e conversas animadas perto das assadeiras de pão. Tenho poucas lembranças da infância e em muitas delas a cozinha é personagem-cenário comum – O som das pás de madeira raspando o fundo dos tachos de doce, o cheiro dos bolos, das esfihas, o som do tec-tec da faca cortando a salsinha bem pequena, da panela de pressão, da água caindo da torneira, todo um passado-presente repleto de aromas e sons; tão antigas são as memórias que não me recordo o exato momento em que arrisquei minha primeira receita, mas sei que estava nos primeiros anos do ensino fundamental quando fui levada a um curso de culinária patrocinado por uma conhecida marca de farinha de trigo; não me recordo como era a professora ou como eram as outras pessoas presentes, mas recordo perfeitamente o livreto de receitas pequeno com títulos remetendo ao carnaval e a ansiedade de ir para casa com e testar logo todas as receitas, na pressa natural das crianças. Na época acreditava que precisaria seguir sempre passo a passo todas as instruções, incluindo marcas dos produtos e apenas o passar do tempo foi capaz de me ensinar que cozinha muitas vezes se faz do improviso e sempre demanda uma grande dose de amor. Lembro da alegria infantil em que, em alguma daquelas tardes perdidas no tempo, fiz uma das receitas: O pão de metro que, apesar do nome tinha um formato  redondo, com corte em cruz e massa macia, perfumando a casa e conquistando paladares e atenções. Hoje, quando sento diante de uma folha em branco, vejo a escrita como um pão que cresce lentamente, misturando ingredientes-histórias reais e devaneios, todos repletos de sabores únicos. E, da mesma maneira que, quando tomamos entre as mãos um naco de pão e o levamos até a boca, não sabemos o que é farinha, o que é fermento, o que é água, nem sempre as crônicas e devaneios irão permitir saber se o relato foi realidade ou imaginação alimentada pelo aroma da cebola, do alho, do caldo que ferve, do doce que borbulha, da paixão que arrepia, do amor que encanta, da saudade que machuca, da lembrança que faz rir. E esse quase não-saber é uma parte deliciosa da leitura e da culinária.

Pão (que deveria ser) de metro

2 xícaras de água morna

1 xícara de azeite

3 colheres (café) de sal

2 colheres (sopa) de açúcar

1 colher (sopa) de fermento biológico seco

3 xícaras de farinha de trigo (integral, branca ou meio a meio)

1 xícara de aveia ou uma xícara de trigo para quibe já hidratado e escorrido (pode colocar meia xícara de cada também)

Farinha de trigo branca para dar ponto.

2 colheres de sopa de chia hidratada em meia xícara de água

2 colheres de sopa de linhaça

Numa tigela, faça a fermentação: Misture o fermento, o sal, o açúcar, uma xícara de farinha de trigo e a água morna. Deixe descansar até dobrar de tamanho. Acrescente os outros ingredientes, sove bem até que a massa fique lisa e homogênea. Faça uma bola e deixe crescer até dobrar. Faça os pães em formato de bola e deixe crescer na assadeira untada e enfarinhada até que ao fazer uma leve pressão com o dedo a massa permaneça afundada. Asse em forno pré-aquecido.

Pró-vida?

Uma característica bem interessante da maioria dos eleitores do atual presidente é a bandeira “pró-vida” – Num primeiro olhar, pode parecer lindo atribuir-se esse título não é mesmo? Afinal, quem em sã consciência seria contra a vida? Entretanto, a passagem desse ano e meio de mandato deveria enojar qualquer pessoa que fosse realmente defensora da vida: Estamos em meio a uma pandemia, sem ministro da saúde e com uma ministra da mulher, da família e dos direitos empenhada em promover um concurso de máscaras para crianças – e a máscara campeã, com a ilustração e formato de uma vaquinha, só podem ser piada pronta ou a aceitação formal do título de “gado” atribuído aos que se deixam levar pelo berrante do Jair. Se isso é ser pró-vida, juro que eu gostaria de entender o que afinal significaria ser pró-morte – Afinal, na lei que estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras, o presidente vetou o artigo que exigia o uso do equipamento em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais lugares fechados em que haja reunião de pessoas. Veja: Na prática as constantes omissões são um caminho a passos largos em direção a um precipício de novos casos de adoecimento e morte. Observando de perto, podemos utilizar aquela frase cuja autoria eu desconheço: Não é pró-vida, é pró-feto. Afinal, segundo Jair e seu rebanho, o aborto deve permanecer proibido (e isso não é uma atitude pró-vida, mas uma punição a toda e qualquer mulher que se permita viver o sexo de maneira livre e plena, como o homem já faz desde que o mundo é mundo), mas a milícia pode seguir matando, a COVID segue sem controle, a água está em vias de ser privatizada inviabilizando ainda mais o mínimo necessário a sobrevivência (é só ver o que aconteceu em outros países do mundo onde água e saneamento foram privatizados), os agrotóxicos liberados causam grande impacto na saúde humana e a educação segue sucateada – Afinal, no projeto de escravizar o povo e vender nossas riquezas, não há espaço para investir em um aperfeiçoamento intelectual do povo brasileiro, não é verdade? E para encerrar a semana com chave de ouro, é impossível não citar duas outras ocorrências marcantes: Um ciclone que causou destruição no Sul do país e um surto de peste na fronteira da Mongólia com a Rússia – Estaríamos vivendo um momento tão retrógrado que forçamos a Terra (plana?) a girar para trás, abandonando o caminhar em direção ao futuro e aportando logo ali na Idade Média? Se não tomarmos cuidado, em breve veremos bruxas queimadas em praças públicas.

As dez pragas do Brasil

Acompanho os fatos da semana com um silêncio cansado e uma xícara de chá antes de dormir. Não tomo notas, apenas leio e vou digerindo todas as notícias indigestas, aguardando o final da tarde de domingo para prosear sobre o caos, quero dizer, sobre o mundo, e suas notícias. Dentre muitas coisas, uma notícia e suas repercussões me chamaram a atenção: A nuvem de gafanhotos que se aproximou do sul no país. Brasileiro é um povo que realmente precisa ser estudado – E isso é uma constatação e não uma crítica , afinal a mesma imaginação que nos permite zombar de qualquer limite é o que nos faz conseguir estender o salário até o final do mês – A quantidade de “memes” criada sobre os gafanhotos inundou as redes sociais e ironicamente, muitas pessoas que criticaram e acusaram a China de ter espalhado o COVID-19 pelo mundo por consumir carnes exóticas, passaram a postar receitas de como consumir gafanhotos, como se isso fosse comum. Também reparei que muitos deles relacionavam os insetos a certo capítulo bíblico onde dez pragas teriam castigado o povo do Egito. Confesso que não sou uma especial apreciadora de contos e histórias bíblicos, mas fui procurar um pouco e encontrei algumas coisas bem interessantes: Observando bem, o Brasil já está há tempos lidando com pragas, o rompimento da barragem de Brumadinho tingiu nossas águas de sangue inocente, nossa fauna silvestre vem sendo massacrada, chuvas e secas castigam as lavouras, ano passado o céu escureceu com as nuvens de fumaça proveniente das queimadas na Amazônia, nuvens de pernilongos espalharam de norte a sul dengue, chikungunya.e zica (inclusive temos uma nova linhagem da zica circulando, então todo cuidado é pouco), diariamente, filhos e filhas, primogênitos ou não, são assassinados pela violência policial, pela fome e, agora pela COVID. E os sapos? Se no Egito eles castigaram a terra, aqui no Brasil nós engolimos um caminhão deles todos os dias: De ministro mentindo no currículo a advogado da presidência contestando a decisão que obriga o presidente a usar máscara em locais públicos, passamos também por fogo destruindo terras indígenas, mães indígenas desesperadas por notícias sobre seus bebês (ou os corpos deles), cloroquina, funcionários públicos sem aumento até dois mil e vinte e dois, racismo e tantas coisas mais. É tanto sapo engolido que fome nem deveria ser problema por aqui. Aliás, por falar em sapos e políticos, não sei se a maioria já percebeu, mas as pragas do Egito, apesar de atingir todo o povo, resultaram da ira divina contra o Faraó que escravizada os hebreus. No Brasil, não temos Faraó, mas uma parte da população escolheu ser praticamente escravizada (arrastando junto a parte sensata da nação) por um presidente e uma bancada do boi, da bala e da bíblia que, de tão honrados e moralmente ilibados, são dignos receberem uma chuva de fogo e enxofre vinda dos céus, mas este é um outro conto e fica para outro dia – Se não formos atingidos por um dilúvio de suco de laranja até lá.

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Hoje, apesar do caos, eu quero falar de amor.

Finalmente a chuva e o frio típicos do inverno estão dando as caras por aqui. E com o frio meu humor diário melhora e por alguns momentos, eu encaro a página em branco pensando: Não, hoje eu não vou falar sobre o governo jogando para ocultar o número de mortos da COVID (e dizendo que a intenção era melhorar o sistema), nem sobre as sinistras filas nos comércios que vão aos poucos reabrindo durante o pico da pandemia ou sobre o fato de que países europeus proibiram vôos vindos do Brasil ao ver o descontrole da situação por aqui… Pois é, eu realmente não quero falar sobre tudo isso, mas já acabei falando. Entretanto, no próximo parágrafo eu prometo ignorar o caos e falar de amor. Não porque foi o dia dos namorados na sexta feira – Coisa que eu esqueci e acabei não preparando uma listinha de músicas ou filmes fofos para postar aqui no blog. Quero falar de amor em um sentido que acompanhe meus textos de domingo: O amor que acontece no mundo e todo seu sentido social e politico.

E como o amor é bem mais que a relação romântica que ocorre entre pessoas começaremos falando logo de um tema polêmico – Nesta Quinta Feira foi exibido no canal Corpo Rastreado (youtube) a peça teatral “O Evangelho Segundo Jesus, A Rainha do Céu”, monólogo onde a atriz e ativista trans Renata Carvalho recria a vida de Cristo vindo ao mundo como uma travesti. A peça, exibida na emblemática data no feriado de Corpus Christi, reflete sobre o amor na sociedade, sobre empatia e sobre a forma como as minorias são tratadas – Afinal, como seria se Jesus realmente voltasse como uma pessoa trans? A autora transexual Jô Clifford consegue passar uma verdadeira imagem de amor.

A segunda notícia sobre o amor é mais romântica e polêmica: Um trisal de Sorocaba está esperando o nascimento do segundo bebê. Para quem não sabe, trisal é uma relação amorosa entre três pessoas. Diferente do que muitas pessoas pensam, a poligamia não é sinônimo de pessoas tendo relações aleatórias e sem cuidado. O poliamor ou poliafetividade é uma relação onde os envolvidos possuem a intenção de manter uma relação romântico-amorosa com respeito, atenção e carinho entre si, por longo prazo (sabe o “até que a morte os separe?”, então, imagine isso dito por três pessoas e vocês irão entender o conceito de trisal). A família de Sorocaba é formado por Marília Gabriela, Natali Júlia, Jonathan e o filho Raoni, além da menina que ainda irá nascer – De acordo com a reportagem, a relação teve início em 2011 e, como em muitos casos, as pessoas envolvidas não pensavam em formar um trisal. Infelizmente no Brasil as uniões poliafetivas são proibidas e as já existentes foram anuladas – O que não impede que, de fato, existam pessoas vivenciando essa rotina e tendo dia a dia seus direitos negados perante a legislação de um Estado que insiste em querer comandar o sentimento e o corpo das pessoas, ditando regras que não lhe caberiam ditar – Tudo em nome de moral e bons costumes – Conceitos que as bancadas do Boi, da Bala e da Bíblia e seus seguidores já jogaram pelo ralo há muito tempo e que, de verdade, jamais deveriam ter como balizas a maneira como os seres humanos decidem amar e utilizar seus próprios corpos.

Quem quiser ler a reportagem original sobre o trisal, é só clicar aqui no link.