Diários da Poetisa #01de365 (Feliz Ano Novo)

Enfim o primeiro dia um novo ano. A primeira página de um livro de 365 novos dias. O fim e o começo separados por uma cortina transparente que nos deixa, ao menos por algumas horas, a sensação de que tudo o que não nos agradou no ano findo ficará no passado. Ilusão. Coisas não resolvidas nos acompanham através dos anos – Ou resolve ou aprende a conviver. E como a maioria dos fatos que não nos agradam não depende unicamente de nós, acabamos aprendendo a conviver ou nos debatendo na busca por solução. Não é pessimismo, é apenas observação. Ainda assim, vale a pena permitir que as primeiras horas de um novo ano sejam inundadas por esperanças, por palavras doces, por amor e pelas melhores lembranças – Que também irão nos acompanhar no decorrer do ano que chega, como um lampejo de alegria para os dias mais difíceis.

         Nossa vida é um livro escrito a quatro mãos: Duas nossas, duas do Destino e mesmo sem saber o que o Destino escreverá o desenrolar dos capítulos cabe tão somente a nós mesmos. Você já começou a escrever seu novo ano? Ainda é cedo, mas é no raiar do primeiro dia do ano que começa a germinar em nós as flores que irão trazer cor e alegria para nossas novas páginas – Então, aos que me lêem, desejo um ano novo com a inocência de uma flor que se abre ao Sol, entregando sua beleza aos jardins da vida sem esperar pelos elogios que virão. Desejo a alegria dos pássaros que catam e a dedicação das abelhas que trabalham para fazer o mel e construir suas casas. Que neste ano que se inicia possamos escrever as mais belas histórias, valorizar nossos afetos e defender as bênçãos que a Mãe Natureza nos dá e tantas vezes em nossa pressa nós sequer olhamos. Que possamos estar presentes, sorrir, tocar as folhas das árvores e sentir sua textura única, colocar o pé na areia, tomar banho de chuva e, acima de tudo, que em breve possamos novamente abraçar com segurança as pessoas que mais amamos.

RECADINHO IMPORTANTE:

Já está disponível a Antologia Quimeras de Natal: Sonhos no Gelo da qual participo com o conto Encantos na Neve. O livro, vendido em formato digital, está lindo e parte das vendas será revertida em produtos de higiene e alimento para a OAIB (Obra de Assistência a Infância de Bangu) – Ou seja: Por um valor super acessível você incentiva os autores e autoras nacionais e ainda ajuda uma instituição que faz um belíssimo trabalho social. Bora adquirir? Só clicar aqui.

O conto do Pôr do Sol.

A menina sentiu o coração saltar quando ele se aproximou – Tantos meses de distanciamento, tanta saudade represada, tanto medo. Parecia irreal vê-lo, ouvir sua voz, sentir seu olhar. Caminharam pela calçada até atingir a areia da praia. Em nenhum outro momento o mar lhe parecera tão belo. Embevecida, ela buscava guardar cada mínimo instante, o som de cada risada, a sensação de um calor gostoso que lhe invadia o coração. Tocaram-se. Mãos, dedos entrelaçados, corpos que se aproximaram num abraço a tanto tempo aguardado. Ela fechou os olhos enquanto ele lhe beijava a testa. Tinha vontade de pedir para que ele nunca mais a soltasse, mas apenas conseguia retribuir os carinhos, respirando fundo aquele cheiro da pele dele – O coração apertado de saudade começava a relaxar. Abraçá-lo era como abraçar a felicidade, como segurar nas mãos a maior preciosidade que o Universo pudesse lhe presentear. Os lábios se tocaram num beijo longo, as mãos continuavam unidas, o abraço apertado. Ela sentia que o mundo havia parado abrindo uma brecha de paz e segurança em meio ao caos. Quando o beijo terminou, ainda abraçada a ele, a menina abriu os olhos por um breve instante e percebeu que o Sol já estava quase mergulhando na linha do oceano, deixando no céu um rastro alaranjado, brilhante como brasa, brilhante como o sentimento que ele lhe despertava no mais profundo de sua alma. Naquele momento, observando o céu, o mar e as mãos entrelaçadas, em um instante de silêncio, ela pôde ter certeza de que, se alguém perguntasse a ela qual é a definição de felicidade, ela teria a resposta mais verdadeira, simples e pura: Felicidade é poder segurar as mãos de quem se ama, sem pensar em mais nada, sem planos, sem pressa, apenas aproveitando cada instante precioso deste presente chamado vida. E ela, de olhos bem abertos para não perder nenhum detalhe, agradecia ao Universo por ser uma menina – mulher plenamente feliz.

O conto de Dezembro, da chuva e da saudade.

Chovia – Uma chuva fina, contínua, fria. O clima parecia querer desmentir o calendário. Não podia ser Dezembro. A menina lia um livro qualquer, recostada em uma confortável almofada. Uma plataforma digital reproduzia algumas músicas aleatórias. O tempo ganhara seu próprio ritmo – Passava rápido e ao mesmo tempo se arrastava. A saudade ganhava seus próprios tons, histórias, lembranças – Naquele dia, ela lembrava uma noite em que ele a havia abraçado e conduzido em uma dança numa noite do ano anterior no centro de São Paulo. Logo ela, que sempre havia se gabado de ser um pé-de-valsa, naquele dia se atrapalhara e não conseguira manter o ritmo, por outro lado, gravara-se em cada célula de seu corpo o doce perfume dele, a respiração, o calor da pele, o toque. Naquela noite, olharam a lua, sorriram, compartilharam carinhos. Quem poderia dizer que meses depois o mundo iria mudar tanto? Quem poderia adivinhar que uma viagem, um abraço, um toque, poderia se tornar tão perigoso? A menina desiste do livro, vai ler notícias. Do outro lado do mundo, em Moscou, a população já recebe suas primeiras doses de vacina enquanto no país em que ela mora, sequer haveria seringas suficientes e vacina ainda é tema de controvérsia antes mesmo de ter sua aplicação liberada.
É Dezembro e chove. Fino, pesado, contínuo. Uma chuva fria e contínua como a saudade que aperta o coração, maltrata a alma, angustia os dias. É quase Natal e, enquanto tantas pessoas começam a pensar em suas rotinas irresponsáveis de festas e viagens, ela procura uma foto dos dois e escreve um texto – O único presente que deseja é poder abraçá-lo novamente em segurança, sem medo do invisível que devasta o mundo. O coração bate forte como quem diz “Um dia… Um dia tudo voltará ao normal. Esperança.”

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*Recado Importante*

Dia 23/12 estarei no Meet&Greet: Natal na Quimera. O evento virtual vai reunir um super time de autores das últimas obras de 2020 e da Antologia de Natal (para a qual eu fui selecionada). Vai ter bate papo, sorteios, leitura coletiva e muito mais! O ingresso custa apenas R$10,00 e parte desse valor será revertido em donativos para a OAIB (Obra de Assistência à Infância de Bangu), ou seja: Você adquire o ingresso, prestigia a cultura nacional, participa de um evento super legal e ainda contribui com uma causa social! Tudo isso por R$10,00. Você não vai perder né? Clique aqui e adquira o seu convite! Te espero no evento!

06 on 06 – Meus cantos

Meus cantos não se encontram

Em lugares especiais da cidade

Pois a vaidade humana destrói

A beleza que a natureza constrói

Meus cantos não são cantos

Da casa onde resido

Meus cantos não são lugar perdido

Onde me esquivo do mundo

Meus cantos são tão meus

Alguns impalpáveis

Alguns inexplicáveis

Alguns talvez comuns, mas, meus

Meus cantos são as linhas vazias

Onde meus olhos espalham palavras

Como o agricultor espalha lavras

Criando com penas da alma, poesia.

Meus cantos são castelos de areia

São pessoas que nunca existiram

São personagens que me inspiram

Em algum livro da prateleira

Meus cantos são o aconchego

De uma panela e seus sabores

Da cozinha onde me achego

Alimentando corpo, alma e amores

Meus cantos são canções

Que se espalham pelo ar

Acalantam corações

De quem ainda ousa sonhar

Meus cantos são meu corpo

Altar maior da Deusa que sou

Recanto que me carrega pra onde vou

Passeio, trabalho, leitura ou desporto

Meus cantos são as ruas

Onde se constroem as lutas

Por um mundo justo e igual

Por uma vida livre e ideal

Meus cantos são os acalantos

Das memórias e momentos

Em que contemplei o olhar

Que me transborda de alegria

Meus cantos são lugares

Que não consigo fotografar

São as lembranças dos olhares

Que me ensinam a sonhar

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Não sei o motivo das fotos terem saído assim, pequeninas. Este mês tivemos um mini 06 on 06 por aqui 😦

O conto dos três anos

A menina abriu o caderno – Fazia tempo que não escrevia nada para ele. Não por falta de vontade, mas por falta de palavras – Não havia texto que conseguisse retratar tudo o que ela sentia. Nos últimos dias ela escrevera sobre política, sobre arte, sobre culinária, sobre casais que não existem – Porque pela primeira vez era mais fácil falar no inexistente ou da arte ou do mundo – Do que falar do que ela realmente sentia e desejava falar. Mas hoje seria diferente – Hoje ela queria falar da saudade: Daquela sensação de distância que nos tira do eixo, que bate como uma onda no mar bravo e afoga o peito e o olhar. Daquela sensação de “Quando eu vou te ver de novo?” que ela sempre tinha ao final de cada encontro e que a fazia querer segurar as mãos dele e nunca mais soltar. Aquela saudade antecipada, compartilhada no beijo trocado antes de voltar para casa. E não é que de repente o mundo se havia encarregado de tornar tudo caótico e fazer com que a maior prova de afeto fosse justamente a distância? Nunca havia feito tanto sentido fechar os olhos e perguntar “quando?” – É como se naquele último dia de carnaval, no ponto de ônibus debaixo de uma garoa que ameaçava se tornar chuva, o coração já intuísse que aquele ano não seria como os outros. Hoje ela precisava falar da saudade daqueles olhos, do sorriso, de entregar o corpo aos caprichos dele para encontrar a liberdade de sua alma e de seu prazer ao se deixar atar nos calabouços dos desejos que ele lhe apresentara. A menina de três anos atrás já não era tão menina – Seu rosto permanecia quase o mesmo, mas seus olhos haviam aprendido o brilho da sensualidade; sua pele havia se acostumado ao toque que lhe deixava marcas de luxúria, seu corpo desejava ser comandado por aquela voz que tinha um timbre único de autoridade e desejo. A menina tornava-se mulher, embora soubesse que, perto dele, seu olhar sempre teria o brilho do encanto que só as meninas sabem ter ao se perder no céu de seus sentimentos impetuosos que insistem em ser ponte e não muralha.

 Ela sorriu – Apesar da distância ser uma experiência dolorida, pensar nele era um motivo para sorrir – Especialmente na noite que marcava exatos três anos depois daquele primeiro mergulho nos olhos mais profundos, doces e misteriosos que jamais conhecera e que, uma vez conhecendo, sabia que seriam sua mais doce prisão, enquanto ele a quisesse como prisioneira.

Memórias da infância: O xadrez

Lembro de observar o tabuleiro colocado no centro da roda. Para mim, era um momento de curiosidade e expectativa. Não lembro se estava calor ou frio, nem se estávamos no início ou no final do ano. Apenas esperava meu irreverente professor de educação física terminar a chamada e começar a aula. Eu não gostava nem um pouco de Educação Física, era uma criança chatinha, achava uma imbecilidade sem tamanho correr batendo uma bola no chão para depois arremessar na cesta, me entediava correr, pular, disputar – Exceções eram o futebol, que o professor se negava a ensinar nas aulas (e mesmo que ele ensinasse, eu era uma grande perna-de-pau) e a dança que vez ou outra ensaiávamos para apresentar em algum evento escolar – Na época, estava na moda o axé do “é o tchan” e o funk começava a despontar como preferência com o Bonde do Tigrão, e a direção da escola fazia vistas grossas (ou devo dizer, ouvidos grossos) para as letras completamente inapropriadas. Quando disse que meu professor era irreverente, não exagerei – Aliás, suspeito que hoje em dia ele seria considerado inapropriado pela maioria das pessoas que se dedicam a trabalhar com a educação – Mas na época, não sei como ou por qual motivo, tudo parecia normal. E assim começou minha primeira aula de xadrez, com o professor segurando as torres e dizendo que elas deveriam ficar nas pontas, pois são altas e deixam ter visão de tudo. Ao lado, os cavalos – Que “cagam” fedido e não devem ficar perto do rei e da rainha – sim, meu professor utilizava estes termos e nós, bom, ríamos. Em seguida ele mostrou o bispo e perguntou: O que o bispo não faz? Duas respostas ecoaram: Pecar e filho. O professor, bonachão, respondeu: Vocês que pensam! O bispo, ele não reclama, não trabalha e mete o bedelho na vida do rei, por isso ele fica do lado do cavalo, pra não reclamar do cheiro de estrume, e ao lado do rei e da rainha, para aconselhar e fofocar. Depois disso, ensinei minha mãe a jogar e por muitos anos se tornou uma atividade rotineira de lazer – Assim como os livros, as questões de matemática, o truco e o buraco. Com o passar dos anos e os compromissos naturais da vida – Como trabalhar de dia e estudar durante a noite – o hábito acabou se perdendo embora eu ainda tenha aqui em casa um mini jogo de xadrez. Quem sabe não retomo esse hábito na quarentena?

Diamant – Minha coreografia no Chair Dance

No final do mês de Agosto, escrevi um post intitulado “para se movimentar” aqui no blog comentando sobre minha rotina de atividades físicas na quarentena e o quanto tem sido gratificante me dedicar a algo que amo e havia perdido na correria da vida: A dança.

Domingo passado, gravei um pequeno vídeo com a coreografia que criei, utilizando um pouco das técnicas de burlesco e chair dance que aprendi na internet. Ficou lindo, mas fiquei em dúvida: Postar ou não? Coloquei no youtube (meu canal só tem 8 inscritos, então era quase certeza ser pouco visualizado), ontem acabei publicando no Instagram algumas fotos – Na verdade prints de momentos da dança – tratadas com um app para parecer cartoons. Houve vários comentários e interações que eu não esperava – Afinal, eu não sou profissional na dança! Mas os comentários me deram coragem para mostrar a coreografia para vocês aqui no blog. A música é uma canção da banda alemã Rammstein, que me agrada imensamente e, como não poderia deixar de ser, eu escrevi uma poesia sobre o dançar. Espero que gostem!

Quando dança
A alma alcança
O êxtase dos céus
E a sedução do mundo
Mistério profundo
Quando dança
O corpo aprende
Que o movimento prende
O olhar que assiste
Enquanto insiste
Em libertar energia
Produzindo fantasia.
Quando dança
O corpo é alma
Luz, leveza, encanto
É pureza e sedução
É sussurro e acalanto
É paz e explosão

E, para quem ficou curioso para ver as fotos, é só espiar no Instagram @poetisa_darlene

06 on 06 – Equinócios

Equinócio é o período do ano em que o Sol corta o equador fazendo com que dia e noite tenha a mesma duração. Isso ocorre no dia 20 de Março, quando se inicia o outono no hemisfério Sul e a primavera no hemisfério norte e em 23 de Setembro, quando a primavera se inicia no hemisfério Sul e o outono se inicia no hemisfério norte. Tais datas são muito importantes para praticantes da wicca ou do neo-paganismo – Dias de energia e rituais deliciosos, por isso essa proposta de 06 on 06 me deixou com muita saudade já que há anos não participo mais de um coven.  Algumas bruxas comemoram os equinócios pela Roda do Norte (Ou seja fazem os rituais de acordo com os equinócios que ocorrem no hemisfério norte), no coven que eu participei, comemorávamos pela Roda Sul, então, dia 23 de Setembro celebramos Eostre ou Ostara – Esse ritual teria originado a páscoa dos cristãos, uma vez que antes do cristianismo já se celebrava Ostara com o uso de ovos coloridos, lebres, flores e fogueiras. A igualdade entre dia e noite marca o equilíbrio entre o Masculino e o Feminino sagrados – O Deus Sol representado como um jovem cheio de esplendor e a Deusa como uma Donzela – Ostara é uma fase de fertilidade latente, época de semear a terra e iniciar novos projetos. Gostaria muito de poder compartilhar algumas fotos de ritos dos quais já participei, mas no momento isso não é possível porque eu não estou encontrando! Então, postei a única que eu tenho em mãos e pensei em algumas imagens que simbolizam coisas simples que trazem uma magia especial para a data

1 – Se tiver um coven, se reúnam para celebrar. É sempre bom repartir rituais, conversas, reflexões e comidinhas típicas, de preferência adaptadas ao veganismo para respeitar a Mãe Natureza e deixar os animais em paz (pães integrais, saladas, bolos de melado, vinho, ovos pintados, leites vegetais e frutas da estação). Foto de 2009, após celebrar Ostara.

2 – Passeie por jardins, bosques ou qualquer área verde e celebre a Natureza e a vida. Lembre-se que a Deusa está em cada cantinho deste mundo. (Não, a foto não é de Ostara, mas senti que ela combinaria com a data)

3 – Faça ovos de chocolate enfeitando-os com frutas secas e castanhas. Evite embrulhar em papéis coloridos para não gerar lixo. Você pode fazer ovos de argila ou madeira e decorar, caso prefira algo que possa ficar no seu altar ou em um local visível. (Créditos da foto: Pixabay/Anncapctures)

4 – Plante – Pode ser um vasinho ou um jardim, mas plante. É tempo de fertilidade – E isso se aplica a todas as áreas da vida, então plante sementes daquilo que deseja colher – Inicie um novo curso, novas amizades, novos hábitos.

5 – Em silêncio, beba uma xícara de chá de uma das ervas relacionadas aos ritos de Ostara – Tanchagem, alecrim, limão, açafrão ou cravo (Outras ervas deste equinócio são lavanda, manjerona, lilás, violetas, balsamo, madressilva, musgo de carvalho, rosas, sabugueiro, narciso, junquilho, tulipa e verbena, mas eu desconheço se elas podem ou não ser utilizadas como chá)  e medite sobre as coisas que deseja semear. (Créditos da imagem: Pixabay e Pexels)

6 – Visite uma nascente, se preferir, leve um buquê ou guirlanda de flores em oferenda ao espírito da primavera – Mas lembrem-se, sem deixar papéis, plásticos ou fitilhos, apenas as flores presas com fibras naturais como folhas resistentes

E vocês, ritualizam ou conhecem alguém que ritualize os equinócios? Comentem!

(Geralmente domingo é dia de falar sobre política e sociedade, mas excepcionalmente hoje não haverá postagem, uma vez que o projeto 06 on 06 é uma proposição da qual adoro participar e diferente das besteiras do presidente, que são diárias, o 06 on 06 ocorre apenas uma vez por mês)

Este post faz parte do 06 on 06. Participam também:

Lunna – Lucas – Obduliono

O misterioso Sr. Noah (Conto BDSM, +18)

O conto a seguir foi escrito para um concurso literário com temática erótica/BDSM. Infelizmente, perdi o prazo de envio e, para que ele não fique parado em uma gaveta, estou publicando aqui. Se você tem menos de dezoito anos de idade ou não gosta deste tipo de leitura, peço que não continue a ler este post e procure outro – afinal, aqui tem conteúdo para todos os gostos. Se aprecia literatura erótica e é maior de idade, continue lendo e deixe um comentário.

Camila estava sentada sobre os calcanhares – Havia perdido a noção do tempo, mas os músculos de suas pernas já começavam a causar desconforto. As palmas das mãos viradas para cima, postura ereta, olhos baixos. Seguira todas as instruções enviadas por ele na mensagem de texto: O quarto escuro, exceto por uma vela lilás colocada em um suporte alguns metros atrás dela, o corpo nu, adornado apenas por uma coleira, a cama arrumada e, sobre a cômoda, os objetos que havia recebido pelo correio naquela manhã: Cordas de juta, um chicote de hipismo, um flogger, uma chibata, alguns braceletes com pesadas argolas de metal, uma mordaça, pequenos grampos e um dildo. Tudo organizado exatamente como na foto que acompanhara a caixa. A ansiedade a fazia ficar excitada – Em silêncio absoluto, ela tentava identificar passos pelo corredor ou o som da chave na fechadura – Era torturante estar de costas para a porta. Tudo havia começado com uma sacola plástica que rompeu na porta do elevador espalhando latas e outras embalagens pelo hall do prédio. Ela estava com pressa, mas ajudou o novo vizinho a recolher suas compras do chão. No dia seguinte, encontrou um cartão agradecendo pela gentileza. Depois disso, esbarravam-se diariamente todas as noites: Cultivavam o mesmo hábito de correr e fazer exercícios na praia. Não falavam, mas trocavam alguns olhares – O corpo dela respondia intensamente quando reparava na bunda dele espremida na sunga ou quando, ao sair ou retornar, sentia o cheiro dele naquele pequeno elevador – Inúmeras vezes fora dormir pensando nele, desenhando com as próprias mãos os caminhos que gostaria de senti-lo percorrer com dedos, lábios e falo, e só dormia depois de chegar ao orgasmo. Precisava tirá-lo da cabeça – Baixou um aplicativo para conhecer homens e, para sua surpresa, a primeira solicitação foi justamente a dele: Senhor Noah. Ela tinha certeza de ter ouvido o porteiro chamá-lo Francisco, ou estaria maluca? Aceitou a solicitação e começaram uma conversa que se arrastou pela noite. Falaram o suficiente, nem muito, nem pouco, apenas o suficiente para estabelecerem algumas regras – estranhas para ela em um primeiro momento – sobre como seria uma relação entre eles. Ela estava presa por um estranho e arrebatador desejo, pesquisou tudo o que pode sobre as palavras que ele sugeriu e, após um choque inicial, gostou do que leu e viu. Então, chegou a mensagem de texto e a caixa. Naquele dia ela deu uma cópia da chave do apartamento para ele. “- Pensativa, cadela?” – A voz firme ocupou o quarto de Camila, que não havia ouvido nenhum ruído que indicasse a chegada dele. “-Sim”, ela respondeu. Um tapa lhe acertou o rosto “- Sim, o que?”. “- Sim Senhor”. Ele a tratava como uma cadela, mandou que ficasse de quatro e caminhasse pelo apartamento, que beijasse seus pés e retirasse seus sapatos. E ela se sentia molhada, excitada. Tentou falar, mas ele lhe deu outro tapa, desta vez na bunda “Cadelas não falam”. Amordaçou-a e colocou em seus braços e tornozelos as algemas e tornozeleiras de couro, unindo-as com uma corrente, mas deixando espaço para que ela pudesse caminhar de quatro. Ela estava exatamente do jeito que ele desejava: Entregue, sem possibilidade de fugir ou gritar. “Lembra dos gestos de segurança, cadela?”. Ela levantou a pata direita, sinalizando que lembrava, fazendo-o sorrir por perceber que ela havia lido até o final as instruções. Então, ele se desnudou, caminhou em direção a ela, passando propositalmente o pênis ereto de encontro bem perto do rosto dela. Sentou-se na beirada da cama e sinalizou para que se aproximasse e o tocasse com o rosto – Ele estava extasiado ao perceber que em nenhum momento ela se afastava ou demorava a cumprir uma ordem, apesar de ser a primeira sessão deles e, em especial, a primeira experiência dela no mundo da submissão. Sem avisar, ele levantou e colocou o dedo dentro da gruta dela, úmida e inchada. Pegou o dildo e introduziu nela, fazendo-a gemer. “Agora, cadela, eu vou retirar a sua mordaça e a corrente que está prendendo seus tornozelos e seus pulsos, e você ficará de pé, com as pernas ligeiramente abertas e os braços apoiados na parede. Quero essa bunda bem empinada e quero que você lata a cada golpe que sentir”. Camila sentia o dildo entre as pernas, desejava poder tocar o próprio clitóris, sua respiração ofegava. Em seus quase quarenta anos de vida, jamais havia pensado que um dia iria se submeter, física ou moralmente, a um homem – E, de repente, lá estava ela, latindo feito uma cadelinha e quase gozando a cada golpe. Sentia sua pele arder, mas não queria dizer a palavra de segurança – Desejava explorar os limites do corpo que, por tanto tempo, só conhecera o prazer de suas próprias mãos. Então, repentinamente ele parou e ordenou-lhe que deitasse no chão, de barriga para cima. Retirou o dildo de dentro dela, trocando-o por um pequeno e potente vibrador. Se ela queria explorar o próprio corpo, ele desejava saber até onde ela seria capaz de ir – Prendeu os grampos em seus mamilos, ouvindo-a dar um gritinho de dor. Vendou-a para que não conseguisse enxergar e ordenou que se tocasse, mas não gozasse. Ele a via contorcer-se e diminuir o ritmo. Seu falo desejava introduzir-se naquela gruta úmida e, ela não sabe, mas, por um momento, ele quase cedeu ao impulso de possuí-la. Começou a se masturbar, e ordenou que ela gozasse para ele ver. Ela se entregou completamente ao êxtase e ele, enquanto ela ainda arfava, atingiu o ápice, derramando seu leite pelo corpo dela. Então, ele ordenou que ela se sentasse exatamente da maneira em que o havia recebido no inicio da noite, afagou os cabelos dela e ordenou que tomasse um banho. Foi até a cozinha e preparou uma pequena porção de legumes e macarrão, colocou em uma vasilha de cachorro e ordenou que ela se alimentasse. Depois, observou-a organizar dentro da caixa todas as coisas que havia enviado, deixou-a novamente sentada sobre os joelhos, desta vez com o despertador programado para que ela se levantasse dentro de quinze minutos. Observou-a por mais um tempo – Uma mulher deliciosa, sem dúvidas. Saiu, fechando a porta e empurrando a chave reserva por baixo da porta. Nos dias seguintes, Camila não o viu. Aguardou uma mensagem de texto ou notícia, em vão. O perfil na rede social de paqueras havia sido desativado. Recebeu uma carta “Cadela, eu ordeno que escreva cada uma das fantasias que imagina realizar. Você deve criar um pequeno blog e postar no mínimo três vezes por semana, quero revirar cada um dos seus pensamentos devassos. Você está proibida de se masturbar ou de manter qualquer contato sexual com outros homens ou mulheres. Comece relatando aquela nossa primeira noite e depois solte a imaginação. Não se esqueça de manter o anonimato: Ao criar o blog, utilize a assinatura “Cadela do Sr. Noah”. Até um dia”. Camila sabia que entre as regras estabelecidas naquelas longas conversas, estava a de jamais perguntar aonde ele iria ou quando iriam se encontrar. Foi até o computador e criou o blog. Dois meses após a primeira noite, ela recebeu outra caixa, desta vez com um par de orelhas e um plug anal que lhe proporcionaria um belo rabo. Uma mensagem de texto dizia: Prepare o apartamento exatamente igual a primeira vez. Tenho lido seus textos e acredito que merece uma nova sessão e, dependendo do seu comportamento, talvez ganhe um nome desta vez. Por hora, fique com um afago do Sr. Noah.

Este post faz parte do BEDA: Blog Every Day August. Também participam:

Lunna Guedes – Mariana Gouveia DricaObdulionoClaudia ChrisViviane – Adriana – Ale Helga

#TBT – Flores

“Flores! Para enfeitar nossa jornada, para perfumar, colorir. Tê-la ao meu lado é cultivar no Jardim da vida a rara flor do amor – Amor que colore, perfuma e alegra nossos caminhos. Amor que faz sorrir e também faz chorar. Amor que derrama o sangue de nossas almas – Pois, como qualquer rosa – Possui espinhos. Amor, simples e profundamente, amor e nada mais, amor que é tudo, que nos guia, alimenta nossa alma, amor. Amor, que como todas as flores, no inverno perde as cores, o verde das folhas. Amor que pensamos estar morto nos longos meses do inverno, da distância, mas no fundo sabemos que ele nunca morre, pois, sem ele, nada somos. Sem ele, a vida nada é. Amor que retorna na primavera do reencontro, atinge novamente seu ápice, faz-nos reviver, sonhar! Amor! Motivo maior da existência, pureza da água cristalina, brilho das estrelas, estrada da alma, estrada que sigo a teu lado, mesmo distante, sempre perto de ti, sempre pelo mesmo caminho. Você é meu amor, flor que enfeita e perfuma minha existência, minha estrada e meu motivo para segui-la, sem medo, embora não saiba para onde sou conduzida, com a confiança de que, qualquer lugar ao teu lado é o paraíso.”

29-04-2009 (Escrito para o romance Valeska)

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Ale HelgaLunna GuedesVivianeChris Mariana GouveiaObdulionoDricaClaudia