Brasil. Para a dívida das igrejas, o perdão. Para o trabalhador, o extermínio.

Em uma rápida busca, encontrei mais de cinqüenta municípios brasileiros com menos de 3500 habitantes. Não aprofundei a pesquisa para encontrar mais. Na última semana vivemos dias de terror, como se diariamente um município inteiro desaparecesse do mapa. Enquanto isso ainda há quem promova aglomerações, bata continência para caixas de cloroquina e defenda a política genocida do “a vida tem que seguir normalmente, mesmo que haja mortes”. Cobrar auxilio digno, vacinação ampla e que o dinheiro usado para perdoar a bilionária dívida das Igrejas seja destinado ao combate à doença essa galera não cobra. Gado não pode ver uma CORONAFEST que já quer participar.  Mesmo diante de toda essa tragédia, tive esperança de escrever um texto curto e senão feliz ao menos esperançoso – Afinal, tivemos sim uma boa notícia: O anúncio de uma vacina 100% nacional, a Butanvac, desenvolvida pelo Instituto Butantã em parceria com o hospital norte-americano Sinai seguido de um segundo anúncio, de outra vacina desenvolvida pela USP de Ribeirão Preto também com parceria internacional. Eu poderia parar este texto aqui comemorando o fato de que apesar dos cortes e da falta de incentivo, nossos cientistas trabalham incansavelmente. Mas infelizmente estamos no Brasil e a torneira de estrume vive aberta por aqui:

            Um funcionário da base governista fez um símbolo ligado aos supremacistas brancos durante a fala de um Senador. Ainda não houve punição. Circula um vídeo onde um homem cumprimenta o (des)governante do país e ao pousar para a foto faz exatamente o mesmo gesto – A reação de Bolsonaro? Repreender o homem, não pelo gesto descrito como “um gesto bacana”, mas “pega mal para mim”. O presidente considera um gesto ligado a grupos supremacistas como UM GESTO BACANA. Depois reclama de ser chamado genocida.

            A ex-apresentadora infantil Xuxa também mereceu repúdio ao sugerir que medicamentos sejam testados em presidiários “para que eles sejam úteis em alguma coisa”, evitando os testes em animais. Como vegetariana, também sou contra os testes em animais, mas acredito que a cobrança seja para que a ciência desenvolva métodos para depender cada vez menos desse tipo de teste, não para que usem seres humanos privados de liberdade como cobaias. A ideia defendida por Xuxa foi eugenista e merece repúdio, especialmente se considerarmos o sistema carcerário brasileiro como realmente é: Um sistema falido, que amontoa pessoas sem condições mínimas de garantia de seus direitos como seres humanos, onde muitos esperam anos até o julgamento, mesmo sendo inocentes – Inclusive recentemente o Fantástico e o Profissão Repórter falaram sobre isso: Pessoas presas injustamente, confundidas por características como “cor de pele” – Aliás, essa é mais uma prova do racismo: Todas as pessoas “confundidas” eram negras. É em um sistema desses que a ex-rainha dos baixinhos acredita ser ético testar produtos? Ela até pediu desculpas, mas não convenceu.

            Notícia mais ou menos boa é a vacinação de funcionários da educação e policiais. Infelizmente, ao primeiro grupo será exigida a idade mínima de 47 anos enquanto aos policiais será garantida a vacina para qualquer idade. Injusto, pois apenas aumentará a pressão pela volta às aulas presenciais em um momento delicado em que a COVID vem matando pessoas cada vez mais jovens. Espero que o movimento “volta às aulas só com vacina” se mantenha forte.

            Também tive conhecimento de que novamente tentam empurrar para as mulheres vítimas de violência sexual o projeto apelidado como “Bolsa estupro”: Uma proibição para o aborto em casos de estupro, com previsão de que o estuprador assuma o bebê ou caso isso seja impossível, que a mulher receba um auxilio financeiro para manter a criança. Lindo país onde a vida do feto vale mais que a vida da mulher. Uma verdadeira vergonha que nem deveria ser cogitada.

            Por fim, uma última noticia para fazê-los refletir: Nossos produtos viajam mais do que nós. Conseguem achar realmente normal que um navio encalhado no canal de Suez possa causar uma crise econômica tão grande? Pois é. A globalização está cobrando seu preço. A troca de conhecimentos entre países é fundamental, mas realmente é necessário que o comércio internacional seja primordial? Não é possível que cada país encontre a maioria das soluções para a vida em seu próprio território? Na semana em que comemoramos o Dia Internacional da Água (leiam minha postagem de segunda feira passada sobre o assunto), é interessante pensar na questão ambiental gerada pelos transportes marítimos, não apenas no caos econômico que acidentes assim podem causar.

            Termino o texto recomendando a vocês que usem máscara, se cuidem e usem toda a indignação do momento para cobrar auxílio emergencial digno, ajuda aos pequenos empresários, vacinação para todos e #Fora Bolsonaro.

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