O guaraná da discórdia (e outros fatos)

Comentar sobre as notícias da semana tem sido um desafio – Acontecem tantas coisas que se torna difícil filtrar e, mais difícil ainda, encontrar algo bom no meio de uma verdadeira avalanche de notícias ruins. Em uma semana marcada por um terremoto de magnitude 7,0 que atingiu Bulgária, Turquia, Grécia e Macedônia, uma reportagem chegou em minhas mãos e me deixou bastante apreensiva: Há um estreito na Costa Sul do Alasca chamado Barry Arm onde estima-se que a mudança climática possa produzir deslizamento de geleiras e conseqüentemente provocar um tsunami semelhante ao que seria provocado por um terremoto de magnitude 7,0. E não para por aí – Segundo a mesma reportagem, o derretimento do permafrost (uma camada permanentemente congelada presente no fundo do oceano) seria capaz de provocar tsunamis pois tal camada mantém a terra unida e, uma vez derretida, haveria movimentações causadoras de tremores e ondas gigantes. Assustador não? (Espero que essas notícias sejam suficientes para fazer com que vocês, leitores, repensem seus hábitos de consumo). Seria bom começar a se preocupar com o meio ambiente, para a humanidade ter alguma esperança de futuro caso sobreviva ao Coronavírus, que por aqui já ceifou 160 mil vidas e na Europa já atingiu a temida segunda onda, provocando novas medidas de isolamento social.

Como podem ver, são muitos problemas que irão exigir pesquisas e soluções rápidas e acessíveis aos países de primeiro, segundo e terceiro mundo – E isso nos leva a mais um enorme e preocupante problema: Uma pesquisa demonstrou que os jovens de hoje são a primeira geração com QI (Quociente de Inteligência) mais baixo que seus pais – A culpa seria principalmente da Era Digital, uma vez que crianças e jovens passam mais tempo na frente das telas de celulares e computadores, e menos tempo desenvolvendo outras atividades imprescindíveis para a formação do cérebro como leituras, estudos, brincadeiras, esportes e convivência familiar – Ou seja: No alto da nossa inteligência, estamos deixando para as próximas gerações um planeta caótico, mergulhado em complexas questões ambientais, sociais e políticas e, ironicamente, essas futuras gerações terão um QI abaixo do nosso – Um mundo caótico para uma geração menos inteligente. Não sei vocês, mas não prevejo um bom resultado. Enquanto o meio ambiente caminha para um colapso completo, possivelmente capaz de nos destruir, ainda há pessoas que acreditam em suas mitologias – Me desculpem os religiosos, mas toda religião nada mais é do que uma mitologia que ganha significado na vida dos praticantes através de ritualísticas repetidas de geração em geração – e não tem nada de errado em repetir e praticar se disso vem algum conforto e calma para a mente humana, entretanto há pessoas que acreditam em suas mitologias de forma tão extrema que são capazes de matar e ameaçar outras pessoas – Como no caso do professor assassinado na França por falar sobre liberdade de expressão e dos fatos subseqüentes ocorridos após Macron homenagear o docente morto.

            Aqui, em nosso país “tropical abençoado por Deus e governado pelo capeta” (perdoem o trocadilho com a música famosa, foi mais forte que eu), tivemos um susto essa semana com um decreto que abriria caminho para uma possível privatização do SUS (Sistema Único de Saúde). Ainda bem que, por hora, a pressão popular fez com que o presidente revogasse o decreto. Isso me recordou uma reportagem do jornalista Ricardo Amorim em Julho/2018; na época, Amorim disse que em Cuba “só três coisas funcionam: Segurança, educação e saúde” – Ora, não seria esta a tríade perfeita, buscada pela população de qualquer país? Parece que só no Brasil há quem prefira se revoltar e protestar contra uma vacina que ainda nem está disponível enquanto aplaude um presidente que visita o Estado do Maranhão e faz piadinhas de cunho depreciativo contra homossexuais após provar o “Guaraná Jesus”, refrigerante cor-de-rosa típico do Estado. Ah, Brasil… Tudo que eu desejo é que nas eleições que se aproximam a população consiga escolher prefeitos e vereadores dispostos a lutar para que a tríade cubana – segurança, saúde e educação – seja uma realidade nestas terras de gente sofrida. E quem sabe a gente não comemora brindando com um bom guaraná Jesus, que certamente não “torna” ninguém gay e ainda tem a vantagem de ser nacional.