A partida de várzea, a Idade Média e o Ministério da Eliminação do Meio Ambiente. Parágrafos de um país em decadência.

Dentro da lógica bolsonarista pode-se comparar o Brasil a uma bola durante a partida de futebol no campinho de várzea – O presidente seria então o equivalente ao menino mimado dono da bola que ao ver o time adversário fazer gol pega a bola, coloca debaixo do braço e volta pra casa com cara emburrada. Isso aconteceu essa semana por ocasião da compra da Coronavac, a vacina desenvolvida pela China que seria fabricada aqui no Instituto Butatã: O Ministro da Saúde, Pazuello sinalizou interesse na compra da vacina Chinesa, o que ocasionou um momento de garoto mimado no presidente que fez questão de demarcar território deixando claro que quem manda é ele, atitude que deixa claro uma postura que inviabilizaria qualquer trabalho em equipe, caso o presidente tivesse sido suficientemente inteligente para nomear uma equipe com competência e compromisso com o país.

            Enquanto isso, o STF deverá decidir se a vacina contra a COVID será ou não obrigatória – Assunto que divide opiniões antes mesmo da disponibilização da vacina. Os argumentos rasos dos antivacinas ganham espaço muito rápido com o advento moderno das redes sociais, mas não passam de argumentos do século XIX repaginados. Como eu disse em um texto no início deste ano, o Brasil está fazendo a Terra girar ao contrário e, se não tomarmos cuidado, logo acordaremos na Idade Média. Vacina é um pacto social de proteção mútua: Quanto mais pessoas imunizadas, menor o risco do vírus chegar aos grupos que não podem receber imunização (pessoas alérgicas ou bebês que ainda não atingiram a idade ideal para receber a vacina, por exemplo), portanto não há justificativa válida para recusar a vacina da COVID ou qualquer outra vacina disponibilizada pela rede pública de saúde.

            Outra situação inusitada – O Ministro Ricardo Salles recebeu a Grã Cruz da Ordem de Rio Branco, o mais alto grau de honraria concedido pelo Ministério das Relações Exteriores. A condecoração foi dada por Serviços Meritórios – Ou seja, no Brasil, um Ministro do Meio Ambiente inerte, que “passa a boiada” e permite uma série de degradações, segundo o presidente, presta serviços meritórios ao país. Talvez seja tempo de mudar o nome do ministério para Ministério da Eliminação do Meio Ambiente.

            No exterior, as notícias são preocupantes: Uma segunda onda da COVID varre a Europa com mais velocidade que a primeira, colocando o velho continente novamente em alerta. Nos Estados Unidos, o período eleitoral avança e uma astronauta votou do espaço através de uma cédula virtual.

            No Chile um plebiscito ocorrido hoje irá decidir se a Constituição, herança do período ditatorial, será reformulada. Ainda na América do Sul, essa semana a Bolívia reagiu ao golpe sofrido por Evo Morales ano passado e elegeu o candidato indicado pelo partido do ex-presidente – Uma notícia boa para essa semana complicada.

            Outra notícia boa: O Papa, pela primeira vez, se pronunciou favoravelmente a união civil de pessoas do mesmo sexo. Muito embora religião e Estado sejam coisas diferentes e em um mundo ideal a primeira seria relegada a um papel de conforto individual e o segundo buscaria o bem comum da sociedade sem interferências religiosas, sabemos que ainda há uma tendência muito grande em basear a sociedade e suas leis nos valores religiosos, portanto, qualquer manifestação de um líder como o Papa em favor de direitos e garantias civis é um marco a ser comemorado – Mas sem o exagero que vimos nas redes esta semana!

            Por falar em comemorações, vocês se deram conta de que os panetones natalinos estão chegando às prateleiras dos supermercados? Pois é! Faltam exatamente dois meses para o Natal e o capitalismo já começa a colocar as garrinhas de fora e vender seus ideais de que um Natal só será Natal para quem puder consumir – Que tal modificar esse padrão e fazer a economia circular na sua comunidade, comprando guloseimas natalinas e presentes de artesãos e artesãs? Consumo consciente também é um modo de atuar politicamente e melhorar a economia do país, mas isso é assunto para outro texto.

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