Nádegas a declarar.

            A lava-jato foi extinta – Afinal, segundo o mitológico ser que dirige nosso país igual um moleque de onze anos dirigiria um carrinho de rolimã na descida da Serra do Mar, a corrupção no Brasil acabou. E isso é um fato que irá entrar para os anais da nossa história, juntamente com os mais de 150 mil mortos e com o dinheiro – provável fruto de desvio das verbas de combate à COVID-19 – encontrado nas nádegas do Senador Chico Rodrigues, do DEM (base de apoio do governo). Pois é, talvez fosse mais adequado mudar o nome da lava-jato para “Operação nádegas a declarar”, nome que soaria deselegante, porém se adequaria perfeitamente ao momento?

            Enquanto esse cenário dantesco se desenrola em Brasília, no restante do país vive-se a expectativa para as eleições municipais: E tem de tudo – Por exemplo, na capital paulista, o candidato Russomano (Aquele que vai aos comércios forçar a venda de papel toalha avulso e pretende proibir o UBER em São Paulo), em uma declaração desrespeitosa, sugere que os moradores de rua não sofrem com a COVID por falta de banho. A resposta correta para essa suposta inexistência de COVID entre essa preocupação é a mesma que tem levado a uma diminuição dos casos: Se não testar, não tem contágio. Igual a corrupção: Se não investigar, não existe. Aliás, a capital também tem mais duas situações curiosas: A Candidatura de Márcio França, ex-prefeito de São Vicente e a reeleição de Bruno Covas. Será que a promessa de agir nos próximos quatro anos com a mesma postura que agiram em seus mandatos anteriores é uma promessa ou uma ameaça? Fica difícil dizer.

            Aqui, na baixada santista – carinhosamente apelidada por alguns internautas de “Dubai do Brejo”, a curiosidade é o fato de que Santos não possui nenhuma candidata ao executivo – Sem exceções, apenas homens disputam a cadeira na prefeitura. Já em São Vicente, a novidade é a candidatura do ex-prefeito que terminou o mandato de 2016 em meio a um tsunami de lixo. Se depender dele e da teoria do prefeiturável de São Paulo, a cidade ficará tão suja que a COVID não terá vez.  Se ele for eleito e eu desaparecer daqui, podem investigar e provavelmente descobrirão que uma barata gigante resultante da falta de coleta adequada de lixo invadiu minha casa e me trancou em algum baú.

            E o último assunto da semana: Finalmente os internautas esqueceram o casal de famosos que separou-traiu-não traiu. Agora o assunto é o Robinho, condenado por estupro na Itália e aceito de volta no Santos Futebol Clube. Interessante notarmos que uma jogadora de vôlei que se posiciona politicamente tem a carreira imensamente mais prejudicada que um jogador de futebol que comete um estupro! O contrato foi suspenso depois da pressão das torcedoras (e de alguns torcedores) e da ameaça de debandada dos patrocinadores do clube. Muitos defendem o atleta, dizendo que “todo mundo erra”, mas vamos combinar? Erro é esquecer o dia de aniversário da esposa, estacionar em local proibido ou sair de casa sem guarda-chuva. Estupro (ainda que sem penetração), não é erro – É crime. E esse assunto não deveria sequer precisar ser discutido e qualquer tentativa de melhorar a imagem do atleta só prova o machismo estrutural da sociedade.

            Pois é, a coisa por aqui está tão complicada que é melhor sentar e beber um suco de laranja – E começar a pensar em um novo imposto, para taxar as grandes bundas (Mas apenas as grandes bundas que sentam nas cadeiras do congresso nacional).

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