Brasil – Conto de fadas ou império de sangue?

Geralmente aos domingos eu costumo escrever um texto sobre os rumos que o país e o mundo estão tomando e a cada semana penso que não pode piorar, mas piora – Por exemplo, descobri que nosso presidente não é um mito e que estamos todos e todas vivendo um conto de fadas neste país! Sim, contos de fadas existem e nós somos governados por uma célebre personagem – Ao mentir na ONU sobre o valor do auxílio emergencial e sobre a origem das queimadas que vem devastando nosso país, Jair provou que é o verdadeiro Pinóquio – E que diferente do filme fofinho da Disney, na vida real nosso Pinóquio esmagou o grilo falante, que deveria servir de consciência e se transformou no pior dos vilões!  E é bom lembrarmos que em suas versões originais, os contos de fadas não eram cor-de-rosa nem tinham finais felizes – Ou seja: Nada, absolutamente nada, garante que no último suspiro de nossas vidas, uma fada azul irá chegar e salvar o dia. Não há magia que possa nos tirar deste caminho perverso – Nada, além de nossa união enquanto classe trabalhadora poderá nos salvar. Agora que falei brevemente sobre a realidade brasileira neste momento, gostaria de fazer um pequeno desvio neste texto para falar sobre outro assunto – Roma: Império de Sangue. Vocês que me lêem devem estar se questionando “-ela enlouqueceu? Começa a falar sobre o Brasil e, repentinamente desvia o assunto e vai parar em Roma?”. Calma, irei explicar o meu ponto. Roma: Império de Sangue, é o nome de uma série da Netflix que comecei a assistir essa semana, ontem terminei a primeira temporada, sobre o Imperador Cômodo. O que me deixa pasma é que passamos um verniz de modernidade em nossas relações com o poder, mas no fundo quase nada mudou. Na série, Cômodo é mimado, incompetente e egocêntrico, mas se importa com a cidade de Roma. Na verdade, não é sobre o imperador que pretendo falar e sim sobre as traições que permeiam os espaços de poder – Assistindo, percebe-se o quanto os conselheiros e Senadores jogam, conspiram e traem uns aos outros o tempo todo. Cômodo poderia ter sido um excelente imperador e isso não mudaria seu destino. A disputa do poder pelo poder nos mostra que o assassinato continua sendo uma realidade – Opositores ainda matam! Que o digam Marielle e Anderson, que o digam todos os ativistas pelos direitos humanos, contra a violência policial ou contra a degradação do meio ambiente – Assassinados! Que o diga o Padre Julio Lancelotti, constantemente ameaçado. O Brasil, a exemplo de Roma, é também um império de Sangue, com a diferença que por aqui, não é necessário ser nobre, Senador, Cônsul ou Imperador – Por aqui, morre-se por ser sensato e lutar pelo bem comum. E sinceramente? Duvido que esses jogos mortais pelo poder ocorram apenas por aqui – certamente se esquadrinharmos as realidades de outros lugares, iremos encontrar sujeira e veneno suficientes para destruir três planetas. Eu não sei até quando continuará sendo desta forma – É necessário desmontar as principais garras do capital: Ganância, acumulação de renda, abismo social. É necessário remodelar a sociedade. O problema é que a elite sabe os próprios pontos fracos e se encarrega de esmagar – através da violência – aquelas pessoas que ousam lutar. Ainda bem que o legado dessas pessoas se torna semente e a luta se perpetua. Em Roma, não havia inocentes ou ingênuos e a população pagava com a vida por isso. Aqui, o povo vem pagando com a vida pela incompetência dos poderosos e pela ganância dos empresários, mas ao menos há sementes de luta que brotam e conseguem um espaço nas instituições e na sociedade, buscando mudanças que sabem impossíveis de serem manejadas por uma ou duas pessoas, mas que certamente virão quando o ser humano amadurecer e entender a necessidade de se livrar deste modelo falido de sociedade em que vivemos.

Um comentário sobre “Brasil – Conto de fadas ou império de sangue?

  1. obduliono disse:

    Muito lúcida a sua intervenção, Darlene. O poder é embriagante e governar um império ou um país, uma cidade que seja, passa pelo fio condutor básico – o ser humano. O governante emprega as piores características humanas para manipular seus governados, não muito diferentes de quem governa. Na democracia, elegemos certos tipos horrendos, principalmente porque há uma identificação com as ideias propagadas por esses mitos mitômanos. O desmonte da Educação ocorrida nos últimos 50 anos muito contribuiu para isso, mas não apenas esse fator. Para mim, vivemos ciclos de luz e escuridão. Seria muito triste constatar que o pior ainda está por vir…

    Curtido por 1 pessoa

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