Prioridades na catástrofe

Há duas semanas quebrei minha rotina de comentar os fatos da semana por aqui – No primeiro domingo, por ter participado do projeto 06 on 06, no segundo, por estar envolvida em projetos particulares, como a divulgação da antologia da qual faço parte. Hoje confesso que me peguei em frente ao computador imaginando qual motivo me leva a escrever esses pequenos textos-relatos irônicos – Aparentemente, estamos presos em um limbo sem possibilidades de boas mudanças – O presidente da câmara permanece sentado em cima de todos os pedidos de Impeachment contra o representante do inferno que tomou de assalto o governo do país, a covid-19 continua ceifando vidas, o fogo se espalha rapidamente devastando nossos biomas e gerando uma nuvem de fumaça escura. Um representante do governo americano em nosso solo faz fala atentatória contra a democracia venezuelana, Trump proíbe aplicativos chineses em território norte americano, a Europa já começa a lidar com novo aumento de casos da covid-19 enquanto no Brasil o lobby das escolas particulares faz pressão pela volta às aulas. O (des)governo brasileiro prepara um novo ataque aos trabalhadores – Dessa vez, buscando retirar a estabilidade dos funcionários públicos – Afinal, funcionário concursado não participa de rachadinha nem tem medo de cumprir seu papel e denunciar más condições de trabalho ou atos de descumprimento da lei, portanto, estabilidade incomoda os poderosos. A bagunça está tão grande que esta semana tivemos até mesmo um marido mordendo a esposa que tentava defender o pitbull da família: Detalhe que o marido tem dezoito anos, a esposa 16 (O que já é assustador, por tratar-se de uma adolescente) e o cachorro com fama de bravo e assassino, não mordeu ninguém, nem mesmo para se defender. Na minha região, teve festa com aglomeração em iates, com direito a uma pessoa rasgando dinheiro e jogando no mar. O quilo do arroz atingiu um preço tão alto que logo vai ter professor desmontando os chocalhos que fizeram com o cereal na sala de aula, para garantir mais uma porção de comida – Mas o importante, o fundamental mesmo é que o Brasil está longe do governo comunista do PT (que de tão comunista fortaleceu os bancos e os lucros das grandes empresas), longe das mamadeiras de (***) e do kit gay, fantasmas que assombraram os delírios coletivos de pessoas com sérios problemas de raciocínio.  Enfim, o mundo está um caos e aparentemente não há muita luz no fim do túnel – Mas, diante de tudo isso, gostaria de propor que adivinhem qual foi o assunto mais comentado nas últimas semanas: Conseguiram lembrar? A suposta traição de uma cantora pop brasileira – Será que ela estava se relacionando com um amigo do casal antes da separação? Eu pergunto, em qual realidade paralela as coisas que pessoas fazem entre quatro paredes sem prejudicar a sociedade ou algum ser indefeso, é tão importante a ponto de desviar a atenção da catástrofe plena em que estamos mergulhados e mergulhadas?

2 comentários sobre “Prioridades na catástrofe

  1. Lunna Guedes disse:

    Eu me sinto cada vez mais no mundo paralelo… mas, fico feliz por não saber absolutamente nada sobre uma cantora brasileira (confesso que fiz uma lista mental de Ivete Sangalo a Gal Costa) e não cheguei a um denominador. Me lembro que falaram a respeito dela estar separada do marido (assunto do dia no twitter que eu não acompanho).
    Enfim, às vezes, eu consigo me alienar de certos assuntos e focar no meu universo literário. Ainda bem ou enlouqueceria. Mas é isso aí, o importante é que tiramos o PT e livramos o país da corrupção e agora é aproveitar que a economia está ótima e as coisas estão mais caras porque os pobres tem dinheiro para comprar e não há fogo e nem fumaça no Pantanal e nem na Amazônia e o Brasil está de parabéns pelo que faz pelo meio ambiente. aff

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  2. Ana Claudia disse:

    Menina, fato é que parece que estamos todos, nações adversas, vivendo num mesmo propósito! Coisas de filmes e livros Sci-fi! Esse “limbo” que você menciona parece que aos poucos está levando muitos a começarem a se forçar a retornarem com rotinas, mesmo em meio ao caos. Me remete certo medo, as vezes, admito. Mas, vamos pensar na frase que mais temos ouvido: “Vai passar!”

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