A eleição e a revolução dos animais

Tudo parece ter começado quando papagaios-robôs iniciaram uma campanha baseada na repetição cansativa e ininterrupta de mentiras como mamadeiras de * (me recuso a escrever, vocês sabem do que se trata, certo?), kit gay e tantas outras coisas sem nenhum respaldo na realidade. Tivemos tempo para perceber que a coisa iria descambar, mas embora alguns e algumas tenham percebido rápido, outros quedaram-se letárgicos e, de repente, já havia gado nas ruas apoiando os papagaios e repetindo com suas vozes raivosas: “e o PT?”. E assim, apoiado por uma legião de gado falante, elegeu-se o jumento para o cargo mais alto da república (há controvérsias, alguns insistem em dizer que elegemos uma anta, o que também não seria nada errado).  O fato é que o país que já caminhava a passos largos para o abismo desde o governo do vampiro golpista,  passou a correr em direção ao caos. Se nas matas das fábulas o leão é rei, aqui, onde um ruminante utiliza a faixa presidencial, as coisas vão de mal a pior, pois, como todos e todas sabem, jumentos não conseguem fazer planos sensatos, eles comem a grama, ruminam, fazem cocô e soltam gases poluentes. No caso, a “grama”, é o dinheiro público utilizado em rachadinhas ou até mesmo, “para comer gente”, conforme o dito já disse rispidamente em uma entrevista. O cocô é onde a imagem do país está sendo jogada e os gases poluentes nós conseguimos encontrar facilmente pairando no ar poluído pelas queimadas que aumentaram desde o ano de 2019. Tudo bem, verdade seja dita: Assim como há pessoas sensatas que votaram contra esse projeto de Hitler tupiniquim, há também animais sensatos: O cavalo que tentou impedir a posse passando em frente ao carro presidencial, a ema que bicou o presidente desejando talvez ter o mesmo veneno da Naja… Pois é, vivemos uma guerra dos bichos por aqui e nem estamos nos dando conta. Por enquanto, estamos encurralados entre hienas fardadas que  pisam no pescoço de trabalhadoras negras (aliás, vidas negras importam mesmo? Ou isso só vale quando a tragédia ocorre em outro país?, mera pergunta de uma pessoa inconformada com o silêncio quase ensurdecedor desta semana), jumentos presidenciais, um vírus letal e gado galopante. Mas tenho esperança de que, num futuro não tão distante, o povo seja capaz de ouvir a sabedoria das corujas – símbolos de uma classe que está ralando muito para manter a educação funcionando em meio ao caos e a tanta desigualdade – E entenda que é preciso pensar e analisar bem antes de apertar qualquer número na urna para evitar que o gado vença o pleito, o jumento assuma a presidência, as matas se queimem e as vacas se atolem no brejo.