Pró-vida?

Uma característica bem interessante da maioria dos eleitores do atual presidente é a bandeira “pró-vida” – Num primeiro olhar, pode parecer lindo atribuir-se esse título não é mesmo? Afinal, quem em sã consciência seria contra a vida? Entretanto, a passagem desse ano e meio de mandato deveria enojar qualquer pessoa que fosse realmente defensora da vida: Estamos em meio a uma pandemia, sem ministro da saúde e com uma ministra da mulher, da família e dos direitos empenhada em promover um concurso de máscaras para crianças – e a máscara campeã, com a ilustração e formato de uma vaquinha, só podem ser piada pronta ou a aceitação formal do título de “gado” atribuído aos que se deixam levar pelo berrante do Jair. Se isso é ser pró-vida, juro que eu gostaria de entender o que afinal significaria ser pró-morte – Afinal, na lei que estabelece a obrigatoriedade do uso de máscaras, o presidente vetou o artigo que exigia o uso do equipamento em estabelecimentos comerciais, industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais lugares fechados em que haja reunião de pessoas. Veja: Na prática as constantes omissões são um caminho a passos largos em direção a um precipício de novos casos de adoecimento e morte. Observando de perto, podemos utilizar aquela frase cuja autoria eu desconheço: Não é pró-vida, é pró-feto. Afinal, segundo Jair e seu rebanho, o aborto deve permanecer proibido (e isso não é uma atitude pró-vida, mas uma punição a toda e qualquer mulher que se permita viver o sexo de maneira livre e plena, como o homem já faz desde que o mundo é mundo), mas a milícia pode seguir matando, a COVID segue sem controle, a água está em vias de ser privatizada inviabilizando ainda mais o mínimo necessário a sobrevivência (é só ver o que aconteceu em outros países do mundo onde água e saneamento foram privatizados), os agrotóxicos liberados causam grande impacto na saúde humana e a educação segue sucateada – Afinal, no projeto de escravizar o povo e vender nossas riquezas, não há espaço para investir em um aperfeiçoamento intelectual do povo brasileiro, não é verdade? E para encerrar a semana com chave de ouro, é impossível não citar duas outras ocorrências marcantes: Um ciclone que causou destruição no Sul do país e um surto de peste na fronteira da Mongólia com a Rússia – Estaríamos vivendo um momento tão retrógrado que forçamos a Terra (plana?) a girar para trás, abandonando o caminhar em direção ao futuro e aportando logo ali na Idade Média? Se não tomarmos cuidado, em breve veremos bruxas queimadas em praças públicas.