Maratona de Maio, dia 1 – Um livro para cada uma das iniciais do meu nome

O grupo Interative-se, coordenado pela escritora Lunna Guedes, propôs que os integrantes participassem de uma maratona de postagens, a Maratona de Maio, e o tema do primeiro post é “escolha um livro para cada uma das iniciais do seu nome”. No meu caso, acredito que será um desafio (onde vou encontrar livros começados com e, r, l? #socorro), mas, vamos lá!

D – De repente, nas profundezas do bosque (Amós OZ)

A- A montanha e o rio (Da Chen)

R –Razão e Sentimento (Jane Austen)

L  – Lira dos Vinte Anos (Álvares de Azevedo)

E – Eurico, o presbítero (Alexandre Herculano)

N – Noites na Taverna (Álvares de Azevedo)

E – Estrela da vida inteira (Manuel Bandeira)

R – Reunião Sombria (Da saga Diários do Vampiro, L.J Smith)

E – Espumas flutuantes e outros poemas (Castro Alves)

G – Grande Sertão, Veredas (Guimarães Rosa)

I – Inocência (Visconde de Taunay)

N –  Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei (Paulo Coelho)

A – Alexandros (trilogia do autor Valério Massimo Manfredi)

Então, gostaram dos títulos? Me contem, quais desses livros vocês já leram?

Sobre dia das mães, conchilhone e molho pesto

Minha mãe sempre me ensinou que dia das mães é todo dia, por isso, comemorações nunca foram prioridade, muito embora tenham sido frequentes ao longo dos anos. Somos iguais em muitas coisas, diferentes em outras tantas coisas e por isso algumas vezes parecemos até duas birrentas cabeças-dura juntas, mas se há uma certeza no mundo é a de que entre manifestações, baladas, passeios, concordâncias e discordâncias, o amor é o elo mais forte. E foi com essa mãe incomum, nada fofa e sempre incrível que aprendi os primeiros caminhos em uma arte que hoje faz parte de quem eu sou: A arte da cozinha. Talvez por isso hoje, ao picar alho,  azeitona e cebola pra refogar a berinjela em pequenos cubos, com noz moscada, sal, orégano  e pimenta do reino, eu tenha percebido que raramente escrevo sobre ela. Talvez tenha sido o aroma do tomate em pedaços, colocado na panela junto com a berinjela refogada. Ou talvez o formato de concha do macarrão, que  recheado com a berinjela, me lembra  época em que eu tinha paciência para ir pra praia de manhã apesar do Sol e ela pegava conchas e mais conchas. Ou o manjericão, colhido da horta – arte que ela domina muito mais que eu, batido com azeite, castanha do Pará, sal, pimenta e limão, formando nosso primeiro molho pesto. Não sei em que momento em meio a esses detalhes sutis, percebi que muitas vezes, descrevendo o mundo e outros amores que ele me proporcionou, acabo esquecendo de registrar por aqui os detalhes e o amor que se nutrem nos dias ao lado da melhor mãe do universo. E então, cozinhando, fui pensando o que poderia dizer e, as únicas palavras possíveis neste momento são as mais simples: Mamis feliz dia das mães! Obrigada por, nestas estradas loucas da vida, me ajudar a construir a pessoa que eu estou me tornando a cada dia! Te amo muito, e a Domitila, sua neta de quatro patas, também te ama muito.(Como sei que você não é fã de fotos, vou ilustrar esse texto com o almoço que fiz pra você)

#diáriosdapoetisa #131de366 #diadasmães #almoço #veganfood #veg #amor

Histórias Fantásticas

O primeiro livro concluído no #DesafioLiterário2020 #Maio é a coletânea Histórias Fantástica, da editora ática. O livro, que é o 21º volume da coleção “Para gostar de ler”, traz histórias de autores como Edgar Allan Poe, Lima Barreto, Guy de Maupassant, Moacir Scliar, Charles Dickens, Frans Kafka, Murilo Rubião e Modesto Carone, mesclando nomes consagrados da literatura brasileira e da internacional. É um livro de leitura bem fácil – Sabe aquele livro que uma pessoa pode terminar em um dia? Então, é esse. Por ser composto por contos, não é necessária uma leitura linear ou mesmo longo tempo ininterrupto, o que favorece a leitura naqueles  15 minutinhos de descanso após o almoço, o  tornando indicado pra quem ainda não tem o hábito da leitura. Também é um bom presente para adolescentes, por apresentar histórias curtas e intensas, capazes de exercitar a imaginação. Apesar de não ser uma grande apreciadora de alguns tipos de histórias fantásticas (O que pode parecer bem irônico tendo em vista que há assuntos no campo do terror e da fantasia que me prendem por horas a fio), tenho que admitir que apreciei muito a leitura, pois é inegável a qualidade dos textos.

Conheceu o blog agora e quer mais informações sobre o #DesafioLiterário2020? Corre que dá tempo de participar, é só clicar aqui.

Quer saber quais foram os livros dos outros meses? Dá uma espiada:

Janeiro, Fevereiro, Março, Abri e Maio.

06 on 06 – Quem sou eu?

Quem sou eu? Sou um Universo todo. Todos nós somos Universos, inteiros, completos, insondáveis. Como astronauta, exploro as estrelas, galáxias, planetas que há em mim – Quanto tempo nós passamos na vida buscando o que está fora e ignorando nosso céu estrelado? Quantas horas perdidas em vida com medo da inevitável aterrissagem dentro de nós, das caminhadas à beira do abismo, das incursões em nossas florestas sombrias, das manhãs frias? São anos insistindo em ver e mostrar apenas os nossos Jardins, nossas flores coloridas, criando uma eterna primavera que, na vida real, é impossível – Pois existe também o inverno, o outono, o verão. Então, sem mesmo conhecer cada recanto do meu Universo, fica impossível responder quem sou com outras palavras além das que já disse e melhor explico: Sou um Universo e sou minha própria desbravadora. Como todo Universo, estou em constante mutação, pois nada no Cosmos é igual e eterno. Um Universo em constante integração com tantos outros Universos que me cercam – Alguns desses Universos repelem-me e causam repulsa. Outros me atraem para suas órbitas e assim, mutuamente, ampliam a si próprios e a mim, através do dialogo. Eventualmente, há Universos que me atraem a ponto de que eu deseje permanecer dentro deles por mais tempo, e isso, se chama amor – Essa atração irresistível entre dois Universos que se cruzam no caos infinito do mundo, mas essa definição fica para outra conversa

Pintura: Adriano Dica

Fotos: Fotoclube Frame

Texto: Darlene R. Faria

Também participaram do projeto:

Ale Helga (blog Meus Amores)

Lunna Guedes (blog Catarina)

Mariana Gouveia (Blog O outro lado)

Obdulio (Blog Serial Ser)

Lucas (Blog Universo Desconhecido)

Sobre feijão tropeiro, improvisos e não-planos.

Observo os quiabos sobre a pia – É inevitável o sorriso quase sarcástico que acompanha meus pensamentos – De todas as coisas que imaginei fazer neste ano de 2020, e foram muitas, desde os planos mais básicos até as loucuras mais improváveis, ficar presa em casa, saindo raramente, sempre de forma planejada, em uma quase operação de guerra que busca evitar as áreas e os horários mais movimentados, usando uma máscara e sem poder sequer estender a mão para cumprimentar qualquer conhecido que, apesar de meus extremos cuidados, cruze meu caminho, é algo que definitivamente não constava sequer das minhas hipóteses mais loucas. E acreditem: Minha imaginação é bem grande. Digo tudo isso, pois, olhando pros quiabos me lembro da última ida ao mercado: Ao chegar, apesar da tensão, não houve como fugir do riso: Quem imaginaria que estaria dando banho em garrafa de óleo e limpando sacos de arroz e farinha com álcool gel? E quem poderia supor que, ir à feira, nestes tempos significaria comprar coisas para duas semanas e chegar a casa com paciência para higienizar tudo metodicamente antes de guardar? Como não rir de bananas e abacaxis sendo lavados?  Pois é, tempos estranhos. E tempos estranhos fatalmente trazem uma necessidade de inovar, improvisar. Um exemplo é o meu gosto pelo alho – Geralmente coloco 5, 6 dentes na maioria dos pratos – Seja no feijão, no molho de tomates, no quiabo. Mas, sem poder sair cada vez que algo acaba, fiquei encarando aqueles quiabos que imploravam por muito alho, enquanto, em um pote, o feijão fradinho cozido também implorava por alho e ainda ia adiante, exigindo que eu deixasse de lado o quiabo e o transformasse logo em um feijão tropeiro – prato que em outros tempos muito me agradava. Mas como inventar versões veganas em meio ao caos? Acredite, neste momento o quiabo assobiou baixinho e disse: Usa-me nesse feijão tropeiro aí! E então veio a ideia: Piquei meus cinco dentes de alho, higienizei os quiabos. Piquei o alho e coloquei numa panela de fundo grosso, coloquei sal e óleo e fui picando os quiabos em rodelas fininhas naquela panela quente, para que fritassem. Terminados os quiabos, acrescentei meia cebola e um pedaço de pimenta vermelha e, por fim, o feijão com o mínimo de caldo possível – Tudo fritando junto e misturado. E então, o toque final: Acrescentei farofa na mistura, mexi delicadamente até secar de vez e estava pronto meu feijão tropeiro vegan. E, olha, ficou muito bom – Num futuro, quando não for mais necessário ficar em casa ou dar banho nas embalagens, possivelmente eu varie os vegetais, ou apenas aumente mais a quantidade de alho!

O conto do café da manhã, dos abraços, panquecas e saudades

Durante aquela época de isolamento, o tempo parecia passar como o vento – Algumas vezes, tempestade, outras vezes, completo marasmo. Depois de tantos dias exatamente iguais, em cuja conta ela já se perdera, um final de tarde trouxe o frio. Embora o inverno estivesse longe, o outono em seu ápice derrubava as folhas das árvores e ia deixando que o ar gelado chegasse de manso, nublado e, essa melancolia tão natural nas tardes do meio do ano, fez com que a menina que todo o dia pensava naqueles mergulhos dados em olhos cálidos e misteriosos, lembrasse também de manhãs onde se perdera em abraços quentes, lençóis bagunçados e pele perfumada. A saudade era coisa estranha – Já haviam passado períodos longos sem se ver, sem se ouvir, sem se tocar, mas a ideia de que a qualquer momento o encontro poderia acontecer, até então, mantinha um calor no coração, uma expectativa gostosa de viver aquele sobressalto quando menos esperasse, porém, naquela tarde fria, não havia perspectiva – O mundo todo estava parado, suspenso, aguardando uma solução que demorava a chegar. Havia apenas a saudade e a esperança de que tudo se resolvesse. E assim, a menina, já cansada de aguardar as notícias que não dependiam de ninguém que ela conhecesse e que tardavam a chegar, foi até seu lugar favorito: A cozinha. Ela apreciava imensamente conversar com os alimentos, desagradava-lhe ir jogando todos nas panelas ou vasilhas, sem dialogar com eles – Cozinhar era, para ela, algo mágico e sagrado. E então, olhando as bananas na fruteira, lembrou de um café da manhã com panquecas fofas e beijos. Tal qual aquela manhã, com delicadeza, amassou as bananas, misturou farinha de aveia, aveia em flocos, chia, açúcar demerara e um pouco de água– Lembrou o sorriso dele provando aquelas panquecas improvisadas, servidas na cama, com café e amor. Para a menina, aquele sorriso era o resplandecer de um sol só dela, o melhor bom dia que qualquer mulher poderia desejar. Naquela tarde de solitário outono, a lembrança daquele sorriso aqueceu seu coração. O frio pedia uma alteração na receita: Adicionou cacau, canela e cravo em pó, um pouco de kümmel e um pouco de fermento em pó. Numa caneca, colocou água quente sobre o chá mate. Aqueceu a frigideira antiaderente levemente untada com óleo e despejou toda a massa. Tampou e deixou em fogo bem baixo. Pensou em pegar o caderno para escrever, mas desejava apenas permanecer ali, envolta em seus devaneios. De quando em quando, observava para que não queimasse. Quando já estava firme, virou e deixou mais alguns minutos. Furou com um garfo para ver se não havia nada cru. Coou o chá e espremeu meio limão. Retirou delicadamente aquela panqueca macia (que pelo tamanho da frigideira se tornara um bolo) e colocou em um prato. Estava pronto o lanche da tarde que, embora não matasse a saudade dos momentos vividos, trazia memórias e um vislumbre do futuro onde, após uma noite intensa e um amanhecer doce, ela prepararia um café da manhã e o serviria, antes de entregar-se novamente a cada pedido dele. Então, ao sentir aquele sabor doce e delicado, como acreditava na íntima ligação entre magia e alimento, desejou que ela sempre fosse para ele uma pessoa doce, na medida exata de seus desejos.

Prepare o sofá, a pipoca e os nervos pra essa lista de filmes assistidos em Abril!

Abril foi um mês de filmes pesados! E eu juro que não pretendia assistir tanta coisa intensa – Afinal, estamos em uma pandemia e o importante é relaxar, certo? Pois é, como dizem por aí, “Falhei na missão”.  Mas calma! A maioria dos filmes vale muito a pena!

Clímax

Um filme francês onde um grupo de bailarinos, em uma festa realizada no último dia de ensaio, sofre os efeitos do LSD colocado na bebida. O filme tem uma atmosfera pesada, consumo de drogas, palavrões, sexo. O mais assustador, porém, é saber que foi baseado em uma história real! Nota de 0 a 5? 2.

O autor

O filme conta a vida de um homem que deseja ser um escritor consagrado. Ele é irritante e inseguro. Após se divorciar, vai morar em um apartamento e começa a trabalhar em um romance, baseado nas situações que acontecem na vida de seus vizinhos, manipulando e observando as pessoas em busca de material para escrever. O final é surpreendente. O filme tem cenas de nu frontal masculino e feminino, então, se você não fica à vontade assistindo essas cenas, cuidado! Nota de 0 a 5? 3.

O Guardião Invisível

Filme espanhol de suspense e mistério acompanha a detetive Amaia Salazar, que se vê assombrada pelo próprio passado ao retornar a cidade em que nasceu para investigar uma série de assassinatos misteriosos. O filme se baseia na trilogia de Baztan, da escritora espanhola Dolores Redondo. O filme é um suspense cheio de detalhes, daqueles que mantém os olhos vidrados na tela, tem algumas cenas com sangue e corpos mutilados, mas nada que possa ser considerado tão pesado para quem está acostumado com o gênero. Nota de 0 a 5? 5.

Legado nos Ossos

É a continuação do filme “O guardião invisível”. Amaia Salazar se vê novamente envolvida em uma seqüência misteriosa de crimes que a leva de volta a cidade natal. Há elementos envolvendo a história e as lendas locais e Amaia irá perceber que há uma grande proximidade com sua própria história. Assim como o primeiro filme, as cenas não são muito diferentes da maioria dos filmes desse gênero – É o suficiente para causar um arrepio na espinha, mas não extrapola muito os limites conhecidos. Nota de 0 a 5? 5.

Inferno

Baseado na obra de Dan Brown, Inferno nos leva, junto ao professor Robert Langdon, a uma corrida contra o tempo para impedir a liberação de um vírus que irá exterminar a humanidade. O filme tem cenários maravilhosos, citações de Dante, ação e reviravoltas surpreendentes. Também desperta algumas reflexões interessantes sobre a humanidade e seus efeitos no planeta em que vivemos. Nota de 0 a 5?5

Em busca de Zoe

De longe, o filme mais clichê que assisti em Abril, a obra retrata o dia a dia de Echo e sua família, que precisam superar a morte de Zoe, a filha mais velha, assassinada brutalmente. O filme é um suspense leve sobre um tema bastante pesado, que envolve a escola, os sonhos de uma adolescente, o medo, drogas e crime. Nota de 0 a 5? 3

O passageiro

Ao pegar o trem de sempre logo após ser demitido, um policial em dificuldades financeiras é abordado por uma misteriosa mulher com uma incumbência hipotética e uma alta recompensa. Com pouco tempo para descobrir a motivação da proposta, ele se vê encurralado e precisa lutar para salvar sua vida, sua imagem e a vida de todos que estão no trem. Nota de 0 a 5? 5.

A origem

Uma organização especializada em invadir os sonhos para roubar informações recebe a proposta de fazer com que o herdeiro de uma grande companhia decida vender parte dos negócios do pai. Uma missão quase impossível que Cobb, um homem perturbado por erros do passado, irá aceitar como uma tentativa desesperada de poder voltar para casa. Nota de 0 a 5?5

Morte às 6 da tarde

Um filme arrepiante, repleto de sangue, violência, corpos e suspense, morte às 6 da tarde deixa um gostinho de decepção ao ter o mistério solucionado de forma rápida. A ideia de uma assassino recriando castigos do século XVIII é bem atrativa e apesar das cenas capazes de causar náuseas (não coma pipoca assistindo esse filme), acaba prendendo a atenção, mas, quando a equipe policial consegue descobrir o assassino, o filme perde bastante o ritmo e se torna enfadonho – Depois melhora bastante, com uma nova reviravolta. A personagem principal também não convence muito, uma mulher arrogante e sempre mal-humorada. Nota de 0 a 5? 3

Se eu fosse homem

Única comédia do mês de Abril, se eu fosse homem conta a história de uma mulher divorciada que, após uma tempestade, amanhece com um pênis. É um filme para rir e refletir sobre algumas diferenças entre homens e mulheres e a forma como elas afetam o dia a dia. Como é algo totalmente fora da realidade, não dá pra esperar uma grande reflexão, mas certamente proporciona muitas risadas e um final surpreendente com gostinho de “será que vai ter uma sequência?”.

Flu

Um vírus desconhecido, fatal e altamente transmissível se alastra por uma cidade coreana, desencadeando uma crise sanitária e política. Com a cidade isolada, surge a questão: Acreditar em uma cientista que diz ter conseguido curar a filha – e portanto, produzir anticorpos para uma vacina – Ou matar toda a população antes que o vírus atinja a capital? O assustador, no caso deste filme, não é o apenas o vírus, mas a questão política – Afinal, o mundo estaria mesmo livre de pessoas que preferem matar uma cidade inteira ao invés de acreditar e buscar uma vacina? Nota de 0 a 5? 5

E vocês, leitores e leitoras, quais desses filmes já assistiram? Conta pra mim! E, se gostam do conteúdo, compartilhem nas redes sociais de vocês, pra página ganhar mais seguidores!

Abraços!

Trabalhador

Quem produz a riqueza desse mundão?
Quem faz com que não falte o pão
O arroz, o feijão, o legume, o macarrão?
Quem constrói o prédio que arranha o céu?
Quem desafia o perigo e coleta o mel?
Quem fia a linha, costura a vestimenta
Quem vende aquela bala de menta?
É ele, o patrão. Sim ou não?
O patrão, imponente em sua sala
Ele manda, ordena, fala
Nada produz apenas goza o fruto da labuta
Do trabalhador que vive na luta
Da trabalhadora que morre na luta
Da trabalhadora que no fim do dia, cansada
Ainda encara pela frente outra jornada
Do trabalhador que no fim do dia, cansado
Não consegue um prato balanceado
O patrão usurpa o império
Que o sangue do trabalhador constrói
E na televisão, com semblante sério
Diz que é difícil empreender:
Que seu Zé tem muitos direitos
Que torna seus lucros rarefeitos
Que Dona Maria tem que ganhar menos
Que não aguenta lucros tão pequenos
Que é difícil a empresa sobreviver
Sem aumentar a jornada
Sem deixar quem trabalha sem direito a nada
E em lobby obscuro desconstrói
As já minguadas garantias de quem carrega
A economia do mundo nas costas
E mesmo doente, cansado, não arrega
Não desiste, persiste, ainda que triste
Ainda que faminto, ainda que sem estudo
Ainda que lhes falte tudo.
O patrão bate no peito, orgulhoso
Diz que é rico porque merece
Até parece que esquece
Do dinheiro que herdou
Do imposto que sonegou
Das pequenas corrupções
Das grandes devastações
Não pense em crise, trabalhe
Com a fome batendo na porta
Com a aposentadoria tão distante
Não pense em crise, trabalhe
Em meio a uma pandemia
Pro bem maior – Salvar a economia
Patrão em sua casa confortável
Tenta defender, incansável
A necropolítica genocida
Sangue derramado na pátria amada
Adormecida, devastada, vilipendiada
E daí se houver morte, se faltar caixão
Não pode é prejudicar o capital
Que moveu a campanha do capetão
Não pode faltar o dízimo do pastor falastrão
A rachadinha, a compra de votos, a sonegação
Primeiro de Maio, dia do trabalhador
Trabalhador é quem trabalha
Trabalhador que sente a dor
Que trabalha a dor, com dor
Trabalhador – E trabalhadora
Esquecida até título da comemoração
Que sequer tem o que comemorar
Mas que deve servir para lembrar
A frase dita no Manifesto
“Trabalhadores do mundo, uni-vos”
(Nota da poesia: Trabalhadoras, também)
Lembrem-se sempre da lição:
Sem o trabalhador fica vazia a mão do patrão
Sem trabalhadora, fica vazia a conta da patroa.