Maratona de Maio, dia 02 – Conte como é a sua estante de livros

Estantes são, em geral, bastante semelhantes, a despeito de algumas inovações na decoração. O que as diferencia é o conteúdo. Não vejo muito o que possa dizer acerca da minha estante atual – Três tijolos no chão, apoiando pedras de ardósia, mais três tijolos sobre essas pedras e mais pedras sobre esses tijolos, mas três tijolos, mais pedras e, um espaço acima, perfuradas na parede, três mãos francesas sustentam uma longa tábua de madeira tratada, e, ainda acima desta, mais três mãos francesas sustentando outra tábua. Como podem ver nenhuma inovação. No canto direito do quarto, pouco acima da altura da minha cabeça, uma prateleira de canto, branca, diferente das outras. Não sou de luxos, gosto de coisas rústicas e muito do que tenho em casa nasceu do improviso – Algumas vezes por falta de dinheiro para decoração, outras tantas por acreditar ser desnecessária a maioria das compras – O meio ambiente agradeceria se fôssemos capazes de diminuir o consumo drasticamente. Mas voltemos aos livros e estantes da minha vida. A primeira prateleira da minha estante, feita de pedras, não contém livros – Uma pequena precaução contra as enchentes que uma ou outra vez pegam minha rua de surpresa e transbordam para dentro de casa. Na segunda prateleira, alguns livros destinados a trocas, um fichário “jeans” com materiais de música e um fichário vermelho onde anoto minhas receitas. A terceira prateleira é inteiramente dedicada aos livros didáticos que, vez ou outra, tomo nas mãos e começo a reler e fazer os exercícios propostos, numa tentativa de manter ativa a memória, o raciocínio matemático e alguns outros conhecimentos adquiridos no ensino médio – Afinal, nunca se sabe quando terei vontade de, novamente, prestar vestibular e iniciar outro curso superior, não é verdade? Na quarta prateleira, repousam alguns livros da coleção “Os Pensadores”, dos quais confesso ter lido menos do que gostaria, alguns livros de auto-ajuda que ganhei de presente e ainda não li, lado a lado com um exemplar de “História da riqueza do homem”, livro que ganhei de presente meses depois de me filiar ao PSOL. Sem cerimônia ou motivo, na mesma prateleira, misturam-se os quatro primeiros livros do Harry Potter, um tratado sobre bruxaria em inglês (um dia eu consigo ler), um exemplar antigo de bem-hur e meus livros nacionais e portugueses, aqueles clássicos cobrados no vestibular que são uma delícia de ler sem a pressão imposta no ensino médio – Guardo, com especial carinho, meus primeiros clássicos, lidos sem que a professora aprovasse, no terceiro/quarto ano: O Guarani (J. Alencar), A Moreninha (Joaquim Manoel Macedo), e Amor de Salvação (Camilo Castelo Branco). Na prateleira de cima, há alguns clássicos internacionais, capas duras, papel amarelo, leitura densa para dias frios, uns tantos livros do Jorge Amado, minha coleção da saga Diários do Vampiro (porque aos 33 anos, entendo que não preciso ser sempre séria e profunda), livros do Sidney Sheldon que marcaram minha adolescência – Não os mesmos exemplares, pois os que eu lia, pertenciam à biblioteca municipal de Avaré – a coleção das Crônicas de Gelo e Fogo, que me pergunto como ler sem sentir os braços doerem, os livros da Lunna Guedes, guardados com carinho dentro de uma capa plástica, deitados sobre os outros, para não danificarem. Alguns livros ficarão por pouco tempo, serão lidos e colocados para troca assim que passar o caos pandêmico que se abateu sobre o mundo. Alguns eu guardo para futuras releituras. Outros ainda me remetem tanto ao prazer infantil da leitura repleta de mundos mágicos, que eu simplesmente guardo pensando nos filhos que (não sei se) um dia terei, imaginando-os leitores ávidos tal como eu mesma, na infância (É, faz tempo, melhor deixar para outro texto esse assunto). Na estante branca, ao meu lado direito, alguns pesados dicionários de língua portuguesa, espanhol, inglês e francês, dentre eles o Dicionário Brasileiro Globo que pedi de presente de aniversário quando completei 9 anos, livros sobre receitas e alimentação saudável da Editora “Seleções Readers Digest” (quem tem mais de 30 deve lembrar que eram adquiridos escolhendo em um catálogo – ignoro se ainda existem). Alguns bichos de pelúcia adornam as prateleiras, uma concha, uma lata de biscoitos decorada onde coloquei papéis com os títulos que desejo ler para sortear mensalmente e estabelecer como escolhidos do meu desafio literário, um par de castanholas penduradas num gancho – trazidas da Espanha pela minha prima e um galinho que muda de cor de acordo com a previsão do tempo (outro item antigo e bonitinho). Essas são, em resumo, minhas prateleiras, meu cantinho favorito da casa, que me trás lembranças de outras prateleiras, outros livros, outros “causos” –  que, quem sabe, eu me anime um dia a contar.

Também mostraram suas estantes:

Mariana Gouveia – Ale HelgaCafé com leitura – Catarina voltou a escreversacudindo as ideias

8 comentários sobre “Maratona de Maio, dia 02 – Conte como é a sua estante de livros

  1. Gosto (como escrevi em meu post) do improviso, do que se faz para preencher espaços sem que compre pronto e estilizado como se aquele objeto numa loja fosse pensado para nós. Não foi. AH, fiquei muito feliz por saber-me em seus espaços, guardados. O cuore deu até um solavanco gostoso.

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    • Teus livros figuram entre os meus mais queridos ❤
      Também tenho essa visão sobre coisas compradas em loja, e, minha mãe adora inventar coisas, então ela está sempre com a furadeira e a serra tico tico dela de prontidão para fazer um armário, uma prateleira aqui, outra ali…rs… As prateleiras aqui de casa, ela instalou (e me ensinou a mexer na furadeira também), também fez o armário do banheiro e um armário atrás do espelho do quarto, para guardar perfumes, colares e outras coisinhas pequenas….

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  2. Que legal saber de sua estante. Uso mais o improviso na cozinha e banheiro. Aproveito os vidros, potes de plásticos, etc…
    Também faço improviso no jardim, com alguns vasos reaproveitados.
    Abraços

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    • Acho que faço improviso em tudo na vida. Tempos atrás fui pra casa de um amigo e, com preguiça de levar o pote cheio de gel de cabelo, coloquei num pote de manteiga. Eis que ele entra no quarto e eu estou passando “manteiga” no cabelo kkkkk

      Abraços!

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  3. Ler sobre sua estante me levou numa viagem ao tempo. Minha mãe era assinante e ainda há muitas revistas da saudosa Seleções pela casa dela. Sidney Sheldon me apresentou ao estilo policial na minha adolescência também, quando peguei emprestado na escola “O ditador” e virou amor.

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    • Lembro de ter lido “O outro lado da meia noite” do Sidney Sheldon, e de ter ficado um pouco perturbada pelas referências sexuais no texto…rs… Hoje, uma menina já sabe todas essas coisas, na minha época, por mais que minha mãe seja uma pessoa a frente do seu tempo, eu não me interessava por sexo e achava estranho ler esse tipo de cena heheh parece bobeira, mas são histórias da nossa vida, né?

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  4. Oi! Bom dia! Sabe que acho que nossas estantes são bastante da nossa personalidade. Improvisos, dornos, tipos de leituras preferidas, os que ganhamos,mas que assemelham-se muitas vezes aos nosso gostos por saberem do que gostamos. Infância, presente…
    Adorei o post e conhecer um pouquinho de você através dos seus livros e como os organiza!

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