O conto que se tornou poesia – 24/07

Que paradoxo quando a prisão é liberdade
Meia luz ou escuridão – olhos vendados
Pés descalços no chão frio, corpos arrepiados
Imagens intensas de volúpia e sensibilidade

Nos olhos do Senhor, uma masmorra de fantasias
Onde escrava, a menina deseja ficar presa
Quer ser tua, nua, numa entrega indefesa
E sentir doces torturas, delirantes estripulias

Ela é tão tímida – Mas presa, se torna indomada
Ela é tão tua – A pele alva aguarda com ansiedade
Tuas mãos com carinhos e uma dose de agressividade
Ela está tão nua – Uma mulher pronta para ser devorada

Se o Senhor ordena, ela se ajoelha a seus pés. Entregue
E permite-se experimentar as sensações impudicas
Vivendo experiências oníricas e muito lúdicas
E ela desabrocha – E deixa que seu Dono a instigue

Suas palavras tão comedidas se tornam desavergonhadas
Atadas, as mãos a impedem de tocá-lo – E ela geme de desejo
Seu corpo sobre o dele se encaixa num selvagem molejo
Seus sentidos aflorados pelo cheiro dele e pelas palmadas

Os olhos brilham, se encontram num turbilhão
Os corpos são territórios livres de prazer e descoberta
Ela sente que, cativa e submissa, caminha na direção certa
Ele sussurra – “agora” e ela obedece – torna-se explosão

 

 

 

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