Minhas impressões sobre o 57ºCONUNE,Brasília, manifestação, política e juventude (não exatamente nesta ordem)

     Na última Quarta-Feira (10/07) embarquei para a viagem mais longa que fiz até hoje: Saí de Santos para participar do 57º CONUNE (Congresso da União Nacional dos Estudantes), juntamente com outros companheiros do Enfrente – Juventude em movimento, coletivo do qual faço parte. Antes de falar sobre o congresso em si, vou falar sobre as minhas impressões da viagem: Dormi o caminho quase todo, acordava nas paradas de ônibus e voltava a dormir de novo – Era noite e só chegamos em Brasília na metade do dia 11, quinta feira. A cidade parece bem bonita, mas tive muito pouco tempo para apreciar, uma vez que fiquei quase o período todo envolvida nas atividades do congresso. Um aviso para quem futuramente for até lá: O ar é muito seco nesta época do ano, o calor durante o dia é intenso, bem como o frio durante a noite. Acreditem: Passei o último dia usando meias de lã e um vestido de manga comprida na tentativa de evitar que os raios solares atingissem minha pele diretamente e isso foi um alívio pois foi o único dia em que apesar do calor, consegui transpirar e não sentir meu corpo em brasa (então, bebam água, usem roupas leves mas que protejam a pele e, se não forem alérgicos(as) usem protetor solar). Há pés de fruta pela cidade e pássaros muito bonitos – Infelizmente estava economizando a bateria do celular e não consegui fotografar as aves.

         Agora vamos ao que interessa: O Congresso teve início dia 10/07 e terminou dia 14/07 e foi incrível! As atividades aconteceram na UnB e no Ginásio Nilson Nelson (pertinho do Estádio Mané Garrincha). Muito bom ver jovens do Brasil todo reunidos para debater pautas importantes, trocar experiências e ideias – Se você não tem acompanhado os movimentos de juventude, pode se surpreender com a quantidade de informações e pautas que essa galera consegue analisar e debater! Além disso, o CONUNE trouxe convidadas e convidados para compor as mesas – Professores, lideranças de movimentos, gente que tem muito o que falar. Como nem tudo é perfeito, o planejamento só permitia que escolhêssemos uma mesa de debates na manhã do dia 11 (e infelizmente eu cheguei na metade do dia e por isso não participei) e uma na tarde do dia 11 – Pra uma pessoa cheia de entusiasmo como eu, isso foi um enorme sacrifício – Afinal, tanta gente interessante, tantos temas fundamentais, e eu presa a apenas um! Acabei escolhendo uma mesa sobre a questão ambiental, especialmente sobre as barragens, que contou com a participação da nossa ex- candidata a co-presidência da República, professora Sônia Guajajara. Outra imperfeição desse primeiro dia me foi apontada por uma amiga: Na palestra sobre Jovens Mulheres na Política, a mesa só apresentou mulheres CIS – Faltou incluir mulheres trans! Que falha feia!

         O terceiro dia de congresso, 12/07, já iniciou com uma manifestação pela Esplanada dos Ministérios, contra a reforma da previdência, contra os cortes na educação pública e a intenção do (des)governo de instituir a cobrança de mensalidades nas Universidades Públicas. Foi uma manhã agitada, com o Sol castigando muito (eu terminei o dia com bolhas no pescoço, pele muito vermelha e ressecada e um desconforto enorme, apesar de ter bebido pelo menos 4 litros de água), além do receio de sofrer represálias truculentas por parte da polícia que estava lá com seu pelotão de choque e cavalaria – ainda bem que no final tudo correu bem e não houve problemas. A tarde do dia 12 contou novamente com muitas atividades na UnB e entre todas as mesas temáticas, optei por participar de uma plenária feminista ao ar livre, num teatro de arena cercado por árvores e, novamente tive uma experiência enriquecedora, com análises feitas por estudantes mulheres, poesia, arte e música de temática feminista.

         Os dois últimos dias foram compostos por um ato em homenagem aos 40 anos do Congresso de Reconstrução da Une, com a presença de vários ex-presidentes da entidade, e pelas plenárias finais que votaram as melhores teses de análise de conjuntura, educação e movimento estudantil, alem de eleger a nova diretoria – Infelizmente o resultado desta eleição não foi exatamente o que eu queria, mas faz parte: Teria sido uma alegria ver a chapa da Oposição de Esquerda vencer a disputa, mas não foi possível. Ainda assim, carrego a certeza de que nossa juventude está cumprindo seu papel da história de forma corajosa ao se opor a este governo e a este sistema e levantar tantos debates.

         Para os que me perguntam: Mas e as festinhas? É, aconteceram noites culturais, mas o sono depois das atividades do dia e do sol escaldante foi maior e eu não consegui participar de nenhuma festa, nem mesmo do Festival da Democracia homenageando a nossa saudosa e eterna Marielle Franco.

         Vale à pena pegar a estrada, dormir num acampamento com uma rotina rígida de acordar às 6 horas da manhã, passar frio e calor para estar no CONUNE? Sim. Deu um aperto no peito e um arrependimentozinho de não ter feito uma universidade pública,  e um arrependimentozinho de não ter me integrado a chapas para disputar a direção quando eu ainda era universitária (hoje sou formada em Direito e atualmente sou estudante de nível técnico, me considero estudante mas acredito que tais disputas devem ser deixadas para que está começando agora nos movimentos e na vida), um orgulho grande de ver toda uma geração tão empenhada e muito mais energia para cumprir os desafios que estão por vir. Se eu diria para uma pessoa jovem se envolver no movimento estudantil? Sim! Em minha opinião a militância é fundamental na formação do ser humano e deve começar na juventude.

         Algumas das fotos que tirei (ou onde fui clicada por amigos) durante a estada em Brasília estão no meu Instagram: darlene_poetisa. A manifestação também rendeu um poema “Poesia das ruas” já publicado no blog e no Instagram!