O conto do sonho, do luar e da chuva

Era como se fosse possível ouvir o silêncio da noite, denso e soturno. Os pés descalços tocavam a grama gelada pelo sereno da noite. Ela gostaria de poder abrir os olhos e ver seu corpo nu iluminado pela luz argentea do luar, mas estava vendada – Ela sentia prazer quando seu Dono a vendava, aguçando cada um dos outros sentidos. Seus braços estavam amarrados ao longo do corpo, mantendo-a em uma postura ereta junto ao espaldar alto da cadeira. Pouco antes ela havia sorrido ao ver aquela cadeira com estofado vermelho e detalhes entalhados na madeira, depois, ficara rubra ao perceber que tais detalhes nada mais eram que figuras de casais em posições luxuriosas. Talvez no final da noite estivesse experimentando alguma destas posições junto ao seu Senhor. Esse pensamento e o roçar das cordas em seus seios a fizeram sentir um arrepio que ela sabia não ser devido ao frio, apesar do leve vento gelado que percorria seu corpo e invadia sua região secreta, que se encontrava exposta -Havia cordas prendendo suas pernas junto as pernas dianteiras da cadeira, garantindo que Ele pudesse desbravar seus mistérios todas as vezes que desejasse. Ela arfava, ansiosa por sentir um toque. Tentava ouvir a respiração dele, mas só conseguia ouvir o próprio coração acelerado. Ele a beijou lenta e longamente e era torturante não poder usar as mãos para percorrer-lhe os cabelos. Ele começou a alternar os beijos entre a boca e o pescoço, usando as mãos ora para apertar-lhe levemente os mamilos, ora para desbravar sua gruta dos mistérios. Ela gemia baixo, desejava sentir ele ali dentro. Desejava abraça-lo. Ela estava quente e de repente ele se afastou e puxou seus cabelos. Ela gritou. Ele colocou um dedo dentro dela “- Como está molhada e pronta… Mas ainda não irá ter o que quer”. Ela podia ouvir ele caminhando ao redor dela e pressentia todas as vezes em que ele se aproximava e a acertava com a palma da mão na parte interna das coxas, ou batia em seu rosto, ou quando o frio que sentia em sua gruta foi substituído pelo calor úmido dos lábios e da língua de seu Senhor. Dentro dela um vulcão se preparava para a ebulição repentina que arrastaria tudo e acordaria os anjos e demônios da noite com seu grito. As cordas se soltaram e ela sentiu quando ele a carregou no colo, deitando-a sobre a relva, o cheiro de terra e grama amassada misturado ao cheiro dele formavam um aroma único. Sentiu que não conseguia fechar as pernas, que agora esticadas eram mantidas separadas, as mãos, por outro lado, foram unidas acima da cabeça. Pingos quentes começaram a tocar a pele da barriga, dos seios e dos braços – ela não podia ver, mas sabia que era cera. Ela implorava para que ele a tomasse ali, mas ele insistia em dizer que não era o momento e ela sentia como se a qualquer momento fosse derreter apenas com a proximidade da respiração dele. De repente, ela sentiu novamente as cordas soltarem suas mãos e pernas. Um trovão a assustou no exato momento em que ele se deitou sobre ela, adentrando seu corpo pulsante e quente e a fazendo rolar para cima dele, cavalgando-o enquanto uma chuva grossa molhava seus corpos sedentos um do outro. Ele sussurrava “-Você é uma feiticeira! A minha feiticeira iluminada por relâmpagos e luar.” Gritaram juntos quando o ponto alto do prazer os atingiu.
Naquele momento ela acordou na penumbra do quarto e sentiu seu corpo quente, repleto de um desejo indecente. Em vão tentou conciliar novamente o sono. Quando o Sol despontou no céu, ela imaginou como seria ter passado a noite com ele sob a chuva, como no sonho e depois ver o Sol raiar lado a lado. Sentiu saudades, mas foi fazer o café, sem tempo para escrever naquele momento.

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