Valeska – Considerações sobre o primeiro romance de uma autora e seus naturais erros.

Escrever sempre fez parte dos meus dias desde que em tenra idade comecei a entender a magia de unir letras e palavras para contar histórias – histórias que eu pretendia que, um futuro dia fossem tão boas e belas quanto as que eu lia. Os anos, passando depressa, sempre foram acompanhados de cadernos, rascunhos arremessados ao lixo ou guardados com zelo de quem admira a própria obra. Foi por volta do início dos anos dois mil que, pela primeira vez, arrisquei-me a escrever uma história mais longa, meu primeiro romance, Valeska. Por esta época, trabalhava em um bingo e era alvo de constantes brincadeiras por ter o costume de escrever, no verso das cartelas usadas e comandas, pequenos poemas. Valeska acabou sendo o resultado de uma brincadeira, colegas de trabalho me desafiavam a escrever um romance de temática LGBT com cenas “picantes”. Escrevi-o, de fato, incluindo alguns poemetos como parte do texto. Confesso que, nesta primeira obra, há algumas falhas de revisão e é com grande desgosto que, algumas vezes faço uma releitura e encontro erros dignos de quem, no afã inicial de criar diferentes mundos, publicava suas postagens sem revisar, escrevendo durante as madrugadas de trabalho em papéis dispersos e depois publicando em sites. Corrijo, é bem certo, tais erros na medida em que os vou encontrando, pois, ao passar os texto aqui para o blog, sinto que não revisei suficientemente. Outro erro, entretanto, é incorrigível e assolou-me, sem que eu percebesse, boa parte do início de minha “carreira”: Cometi o terrível engano de escrever sobre o amor, sem contudo tê-lo ainda conhecido. Em minh’alma, do amor só brotavam ecos das palavras lidas em clássicos romances e poesias, misturados certamente a alguns reparos dos olhos colocados aqui e ali, sem grande interesse ou emoção. Tudo tão insuficiente para falar verdadeiramente de amor – coisa que, somente anos depois, em dois mil e treze, eu perceberia, ao conhecer o “Bambino” que roubou meu coração – mas esta é uma outra história. Voltemos então a falar sobre Valeska. A história narrada é a de uma adolescente paulistana que vive uma paixão com sua melhor amiga e, num ato impensado, coloca tudo a perder. A personagem mantém um caderno, no qual escreve cartas poéticas. Os anos passam e o destino das desditosas amantes dá inúmeras voltas. Clichê com cenas demasiadamente explícitas, o romance, publicado de capítulo em capítulo no Recanto das Letras, foi responsável pelos primeiros contatos travados com outros escritores naquele site e também por chocar pessoas que na época me conheciam e, infelizmente, incapazes de separar a escritora da menina, passaram a me tratar como mulher feita, perdendo o recato nas conversas e os modos no tratamento, coisa que em absoluto eu não esperava, mas nem por isso, impediu-me de escrever logo em seguida meu segundo romance, Bianca, sobre o qual oportunamente falarei aqui. O fato é que tenho buscado organizar por data de publicação, meus poemas e textos em um caderno, numa tentativa de organizar minha produção literária e também de perceber as mudanças dos meus textos com o passar dos anos. Não me iludo crendo ser uma escritora de grandes e imortais obras, mas percebo que a qualidade do que escrevo melhorou sensivelmente com o passar dos anos, principalmente depois que eu passei a falar de amor conhecendo de fato todas as dores e alegrias de amar alguém de forma profunda e verdadeira – acredito mesmo que, caso o romance Valeska tivesse sido escrito sobre influência de um amor verdadeiro, certamente o desventurado casal teria tido outro final. Enfim, leitor e leitora, agora que já falei um pouco sobre meu singelo primeiro romance, deixo-os com um dos poemetos que a personagem Valeska escreveu para a amada Marjorie. Não reparem na singeleza das palavras e nem no mal-jeito do escrito, lembrem-se que, quem escrevia na época, tinha dezenove anos recém completos e o fazia num salão lotado, cheio de fumaça e, acima de tudo, com a alma ainda intacta, sem conhecer de fato o amor – como poderia em tais circunstâncias produzir uma poesia capaz de  arrancar lágrimas ou suspiros se nem eu mesma conhecia tais sensações? Ainda que hoje encontre tantos defeitos em meus antigos textos, não os renego, que seria de mim sem estes primeiros rascunhos? Ainda me dedicaria a escrever? Leria ainda com assiduidade? Como tudo, escrever requer prática e sentimento – e se aos dezenove anos eu ainda não os tinha, hoje, aos trinta e dois, vou adquirindo o primeiro e sentindo na alma as dores eternas de ter sido atingida pelo segundo.

Amor

Amor, palavra profunda
Amar é querer bem a alguém,
É querer este alguém sempre perto
É querer ser feliz, e querer mais ainda fazer feliz o ser amado
Amor
Sentimento difícil de disfarçar
Você fez o amor brotar em meu coração
Numa nuvem de paixão
Amo-te, mais e mais a cada momento

(Poema escrito em 2005, publicado em 2008)

 

Para quem desejar ler o livro completo: Valeska Capítulo 1

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