Um conto de descobertas na escuridão (Parte I)

            Olhou-se no espelho – usava um vestido preto com decote em V, de comprimento pouco acima dos joelhos. Ajeitou os cabelos – queria volume, ousadia e maciez. Em alguns minutos ele chegaria e ela deixaria de ser ela para tornar-se a personagem que descobrira em si mesma no último encontro – ela seria a Baby – uma jovem ávida por novas experiências que envolvessem seu corpo sem partir seu coração.  Ela sentiu os olhos dele passearem lentamente por ela enquanto ele abria a porta do carro – Ele dirigiu pouco mais de um quarteirão e parou para colocar-lhe uma venda nos olhos. Naquele momento toda sua visão se escureceu – E ela começou a perceber outras sensações com mais intensidade: O balançar suave do carro, as curvas, a música, a própria respiração… E de repente sentiu as pontas dos dedos dele passearem pela pele de seu braço – foi rápido, apenas um toque leve – que a fez suspender a respiração por alguns segundos. Pouco depois sentiu os dedos passearem levemente por cima de suas mãos e pernas – eram toques suaves, mas que a faziam vibrar. Acariciou seu pescoço e o rosto, delineando a linha dos lábios – e ela respirava pesadamente. Seu ventre se contraía com um prazer desconhecido e ela desejava que ele a tocasse em partes onde jamais havia desejado ser tocada antes – aquela parte que era o delta do corpo feminino estava latejando – havia um calor emanando de seu corpo. Era torturante que ele a acariciasse tão levemente e não permitisse sequer que ela o tocasse. Era deliciosamente torturante sentir o toque das mãos dele antes mesmo que a pele encostasse-se à dela, como se estar privada da visão a fizesse ampliar os outros sentidos. Ele colocou as mãos dela apoiadas sobre as coxas, com as palmas para cima. Acarinhou-lhe as palmas das mãos e os pulsos. A voz dele estava rouca, diferente da voz do amigo com quem convivia – era uma voz recheada de provocação e desejo –Ela e a sua personagem ainda brigavam – A personagem, satisfeita. Ela desejando ouvir uma declaração de amor que no fundo sabia que não aconteceria. Fechou os olhos, embora a venda não lhe deixasse ver nada. Concentrou-se apenas nas sensações boas que ele lhe dava e deixou que a Baby tomasse conta de seu corpo e mente. Ele parou o carro e, delicadamente retirou a máscara de seu rosto – estavam em uma rua estranha, meio deserta, quase abandonada.  – Ele indicou uma porta de madeira, com uma escadaria grande e ela subiu – Era um lugar agradável, simples, bastante alternativo. Ela observava a rede pendurada a um canto e secretamente desejava que ele a deitasse ali e a beijasse como se o mundo fosse acabar – fora o passeio surpresa perfeito. Ela já deveria saber o quanto ele podia ser surpreendente quando ele desceu as escadas chamando-a para acompanhá-lo até o carro. Colocou-lhe a venda sobre os olhos e a acariciou novamente enquanto rodavam pela cidade. Ele a tocou com mais intensidade desta vez, percorrendo com os dedos todo o espaço livre por baixo de seu vestido, explorando seu delta de feminilidade. Era constrangedor sentir aquele toque, mas ao mesmo tempo, ela sentia que iria desfalecer se ele parasse. Ele a provocava e a fazia gemer baixinho, quase ronronando como um felino. Ela desejava que ele a beijasse, mas ele tinha outros planos e não permitia que ela sentisse seus lábios mais do que alguns segundos. Ela desejava sentir a língua dele brincando dentro de sua boca enquanto as mãos exploravam suas pernas e recantos mais ocultos e pecaminosos. Ele perguntava com aquela voz rouca e sexy como era gostava de ser tocada, mas ela não sabia responder, pois nunca conhecera um toque antes. E ele alternando a velocidade e intensidade a acariciava, até que ela explodiu em um gemido e sentiu suas pernas se inundarem de uma umidade quente e o corpo relaxar libertando toda a tensão acumulada durante as carícias – atingira o primeiro orgasmo de sua breve vida – Ela desejava beijá-lo, tocá-lo, mas ele a deitou sobre as pernas com o traseiro levemente levantado. Acariciou com delicadeza “– nós vamos aprender duas palavras hoje – Amarelo e Vermelho” – ele disse. “- Amarelo você deve dizer quando sentir que seus limites estão sendo ultrapassados de forma desconfortável. Se você disser “Amarelo”, deixarei mais brandas as palmadas. Ele explicou também que “vermelho” é a palavra que ela deveria dizer caso realmente desejasse parar. Durante todo o tempo, suas mãos a acariciavam e sua respiração lhe deixava arrepiada – de repente, ela sentiu sua mão acertar em cheio suas nádegas “- Conte.” Ele disse. Foram sete palmadas.

Ela estava novamente sentada e presa ao cinto de segurança. Sentiu quando ele ligou o carro e colocou-se em movimento. A escuridão dos olhos vendados não lhe escurecia a alma ou os desejos que irradiavam em seu corpo. Ela sentia novamente as mãos a tocar suas partes mais intimas – tinha medo que alguém no carro ao lado pudesse ver, tinha medo de serem parados pela polícia e terem que explicar o motivo da venda – E a sensação de medo pouco a pouco ia se misturando com a sensação de desejo que a invadia como uma onda quente e intensa – A música, as mãos dele, a respiração dos dois, tudo a sugava para uma dimensão paralela e única – e neste momento ela ouviu a voz dele pedindo que não se segurasse – e então, ela deixou-se engolir novamente por aquela onda de prazer que a deixara sem chão.

(25/11/2017)

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