O conto da sétima noite

Sete sempre fora seu número favorito… Ela nunca havia tentado entender o motivo da fixação pelo número, apenas acreditava ser seu número “da sorte”. E aquele era um sétimo dia – O sétimo depois da noite em que se beijaram. Sete vezes a lua já havia iluminado o céu. Sete vezes ela havia ido dormir pensando naquele momento surpreendente e intenso. Sete vezes o Sol despontara rasgando o céu com seus raios dourados. Sete longos dias em que a respiração se suspendeu repentinamente diante de uma lembrança. Sete dias em que tantas vezes sentiu o corpo arrepiar-se e as mãos tremerem ao ver aquele ícone verde notificando que ele estava on line no Facebook, e invariavelmente ela o chamava ou esperava que ele respondesse uma conversa interrompida pelos imprevistos da vida.

Ela contemplava a noite pela janela aberta – desejaria antes estar presa na contemplação daqueles olhos. Ela tocava a folha de papel antes de traçar suas palavras, entretanto desejava tocar as mãos dele. Ela lembrava versos de uma música antiga sobre o número sete, sete rosas, sete vidas, sete estrelas. Ela acreditava que o número sete era um número de sorte – e nessa sétima noite desejava que o Universo a presenteasse com a sorte de vê-lo, tocá-lo, beijá-lo novamente. Desejava que ele telefonasse dizendo que estava indo até o portão dela para dar-lhe um beijo de boa noite. Que a convidasse para ver o Sol nascer aconchegada nos braços dele, sentindo a brisa do mar e a luz das estrelas. Ela sabia que nada disso iria acontecer, mas sonhar acordada lhe trazia uma sensação boa, como pudesse sentir tudo o que estava desejando naquele momento. Ela fechou os olhos e suspirou pesadamente. Olhou o pequeno vaso de Hera que havia colocado bem embaixo de sua janela para que apanhasse o orvalho noturno e sorriu. Lembranças boas. Olhou para as estrelas e desejou estar com ele novamente. Fechou a janela, olhou-se no espelho e soltou os cabelos – seus olhos reluziam, um brilho flamejante, febril, um desejo intenso e ao mesmo tempo doce, assustador e tão agradável de sentir. Ela terminou de escrever, tomou um banho quente e foi se deitar. Será que em algum lugar ele também havia percebido a magia dos sete dias que se haviam passado?

(11/10/2017)

 

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