O retrocesso do ensino religioso confessional nas escolas públicas.

Religião (Substantivo feminino): Crença de que existem forças superiores (sobrenaturais), sendo estas responsáveis pela criação do universo; crença de que essas forças sobrenaturais regem o destino do ser humano e, por isso, devem ser respeitadas. Comportamento moral e intelectual que é resultado dessa crença. Reunião dos princípios, crenças e/ou rituais particulares a um grupo social, determinado de acordo com certos parâmetros, concebidos a partir do pensamento de uma divindade e de sua relação com o indivíduo; fé ou culto.

No último dia 27 o STF (Supremo Tribunal Federal)  determinou a legalidade do ensino religioso confessional nas escolas públicas brasileiras – tal decisão significa que o ensino religioso, já previsto na LDB (Lei das Diretrizes e Bases), poderá ser ofertado tendo por base uma única religião.

O Brasil vive uma realidade bastante complicada quando observamos a educação pública: Congelamento dos investimentos devido a “PEC do Teto” aprovada pelo governo Temer, falta de estrutura, salas superlotadas, disciplinas como sociologia e filosofia pouco a pouco sendo extirpadas do conteúdo curricular – todos estes problemas não sanados por si já tornam uma aberração a simples proposta de investir em aulas de religião.  E ainda assim, aqui estamos, falando sobre a volta de um conteúdo dispensável aos currículos escolares.

Religiosidade é dogma, é um conceito de padrões que não se modificam. A religião é pessoal, intimamente ligada ao dia a dia familiar – Na escola deve-se aprender as ciências exatas, as biológicas, as ciências humanas. Na escola deve o discente encontrar espaço para desenvolver sua capacidade de interação social, questionamento, pensamento crítico e capacidade argumentativa.

Não pretendo relegar a religião a um plano de completa inutilidade: Quando estudamos história é possível perceber que cada povo desde a antiguidade, desenvolveu seu sistema religioso – Diante disso, não seria, portanto mais adequado que o ensino religioso fosse parte integrante de disciplinas como história, artes, sociologia? Poderiam assim nossas crianças e jovens estudar sobre religião em sala de aula de forma a incentivar-lhes a observação do mundo e o desenvolvimento do pensamento crítico:

Comecem as aulas falando sobre a religião dos povos indígenas brasileiros vergonhosamente dizimados até os dias de hoje por esse maldito capitalismo que não deixa espaço para a vida. Falem sobre as religiões afro-brasileira e sobre o sangue dos escravos que ajudou a construir nosso país e da vergonha de termos sido um dos últimos países a abolir a escravidão. Importante conversar sobre o Islamismo, a questão Palestina e o risco que o fundamentalismo representa. E sobre a segunda guerra e a perseguição ao povo judeu. Expliquem as antigas religiões gregas e romanas. Mostrem que terrorismo também é coisa de povos de etnia branca explicando sobre os conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda. Aproveitem o tema e falem sobre hinduísmo e a Cultura indiana, sobre budismo, sobre o Oriente e sua Cultura. Falem sobre o catolicismo e a corrupção do Vaticano, sobre a idade média e as mulheres injustamente queimadas. Falem sobre as mensagens de ódio que muitas vezes os pastores insistem em propagar e os problemas que isso causa- sobre a destruição dos terreiros no Rio de Janeiro ou o espancamento de LGBTS, por exemplo. Falem que muitas vezes o ódio vem disfarçado de “mensagem de amor”, que muitas vezes o pastor pode ser o pedófilo e que por mais que ele pareça uma pessoa “do bem” ele não tem o direito de tocar o corpo de ninguém! Falem das religiões neo-pagãs e sua mensagem de simplicidade, de liberdade e de apenas seguir a regra de não fazer a ninguém algo que não gostaria pra própria vida! Falem por fim que religião é algo pessoal, que é sim interessante conhecer todas, imprescindível respeitar todas, mas jamais tentar impor o seu culto a outros ou permitir que outros tentem fazer você ritualizar pelos cultos deles, e que o respeito as religiões deve encontrar como limite a integridade física e psicológica – ou seja – Nunca deve-se aceitar a violência sob pretexto de “fazer parte da religião x ou y”. Falem tudo isso ou simplesmente lembrem-se que o país é LAICO e não falem nada acerca do tema.  O que não devemos é, como cidadãos, permitir que nossas crianças cresçam cerceadas por dogmas impostos sem possibilidade de questionamento.