Desafio Cinetoscópio #16: Um filme que você nunca assistiria de novo

50 tons de cinza (trilogia). Sei que esses filmes são os queridinhos de muitos leitores e leitoras, mas não é aquele filme para se assistir duas vezes. A obra cinematográfica apenas cumpre o que promete -Uma narrativa rasa, machista, que objetifica a mulher, banaliza o amor e o sexo e, para agravar ainda mais a situação, coloca a personagem em uma situação em que a violência do homem é “explicada” pela sucessão de traumas pelos quais ele passou na infância – muito embora traumas da infância possam ser sim fontes de comportamentos violentos, tais comportamentos não podem ser naturalizados e justificados por uma violência sofrida na infância. E a personagem feminina? Insegura, Anastasia navega entre submissão e momentos em que quer demonstrar personalidade forte e independente. Uma jovem inteligente, apática e muito atrapalhada. Por outro lado, a personagem masculina é dominadora, invasiva e bastante problemática. Em alguns momentos surge um humor ruim (relacionados em sua maioria ao sexo). No livro a descrição detalhada das cenas prende a atenção – é possível ler e imaginar um voo de ultra leve e outros cenários de muito de luxo -tais cenas poderiam ser mais bem exploradas no filme, bem como as citações literárias maravilhosas que constam no livro e não aparecem no filme. Com certeza vou assistir o próximo da trilogia, afinal, o elenco é bacana e eu estou curiosa para assistir ao desfecho, mas não assistiria novamente nenhum filme dessa saga.