Nossos sonhos não cabem em urnas (Ou um pequeno relato pessoal sobre as eleições de 2016)

Primeiramente, Fora Temer!
Nos últimos tempos uma considerável parte da população brasileira se desinteressou por assuntos ligados a política. São tantos escândalos, corrupção e sujeiras expostos diariamente no jornal e tanta precariedade, pobreza, insegurança e injustiça presenciadas no dia a dia que tal desinteresse, em um primeiro momento, parece ser algo normal, a solução mais lógica para um país “sem solução”. Mas, e se pensarmos diferente? Quando a nossa casa está bagunçada, o que fazemos? Deixamos continuar uma bagunça ou dedicamos mais tempo a organizar as coisas? Geralmente a segunda opção, correto? Com a sociedade, a lógica é a mesma! Se algo nos incomoda, temos que participar e ajudar a construir uma mudança – e isso não deve ser um comportamento que ocorre apenas a cada dois anos, quando vamos às urnas escolher nossos representantes! Atos políticos são atos diários. As lutas dos movimentos sociais, as organizações de moradores, o movimento estudantil, tudo isso participa da construção da sociedade e cabe a cada cidadão se organizar para propor e cobrar soluções! Ontem, dois de outubro, foi dia de ir às urnas e decidir os candidatos que irão representar a população na esfera municipal pelos próximos quatro anos .Em tempos onde as opções parecem ser apenas “mais do mesmo”, em tempos em que muitas vezes o ódio e seus representantes parecem dominar a cena política, a participação na política partidária vem sendo tratada por algumas pessoas como motivo de vergonha ou descrédito, mas é bom lembrar que a esperança nunca deve morrer.
Estes últimos meses foram bastante intensos. Talvez a maioria dos leitores e leitoras não saiba, mas sou militante do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e, este ano pela primeira vez, estive envolvida na construção de uma candidatura – a candidatura do companheiro Héric Moura para a vereança aqui em Santos. Foi uma campanha linda. Acompanhar e participar de cada etapa foi sem dúvida um motivo de alegria e um grande crescimento. Desde a pré-campanha até o último sábado antes da votação, foram horas de trabalho intenso, de companheirismo e de esperança. Não foi uma candidatura qualquer. Foi uma candidatura independente e coletiva, uma nova forma de fazer política, com honestidade e coerência. Percorremos as ruas da cidade batendo de porta em porta, conversando com as pessoas e explicando o projeto de um mandato com participação popular. E a cada rua, a cada casa, a cada conversa, só aumentava a certeza de estar no caminho certo, no lugar certo. E não há sensação melhor no mundo do que fazer o que se acredita! Infelizmente não conseguimos a cadeira na câmara, mas conseguimos conversar com pessoas, entender a cidade de uma forma que jamais seria possível se estivéssemos trancados em frente a livros e computadores. A frase que intitula este texto (confesso desconhecer a autoria) define bem o sentimento pós eleitoral: Nossos sonhos não cabem em suas urnas! As eleições municipais passaram, mas o sonho de ajudar a construir uma sociedade justa permanece. E esse sonho se espalha pelas ruas das cidades e pelos campos, e ainda que nossos pés pareçam lentos ao tentar caminhar em direção ao horizonte sonhado, o importante é que não estamos parados nem sozinhos no caminho!
Escrevo tudo isso para explicar aos que acompanham este espaço o motivo do meu breve desaparecimento (quem acompanha a minha página no facebook ainda recebeu uma ou outra postagem), para dizer que estou de volta com poesias, textos, resenhas, receitas, e com a alma repleta de gratidão por participar de um projeto tão intenso e belo e, principalmente, deixo aqui este relato absolutamente pessoal sobre a campanha e a construção política para convidar a cada um e cada uma a refletir sobre o que tem feito para tentar entender e mudar a situação que vê ao redor de si, pois se você não mudar, ninguém poderá mudar por você!

Um enorme abraço a todos e a todas!

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10 comentários sobre “Nossos sonhos não cabem em urnas (Ou um pequeno relato pessoal sobre as eleições de 2016)

  1. Lunna Guedes disse:

    Ah minha cara, lhe confesso que ando sem paciência com a política e, lamento porque já fez parte da minha realidade. Hoje, no entanto, eu respiro fundo e espio as ações e reações. E confesso que fugi das redes sociais porque as briguinhas dos que se acham de esquerda e dos que se acham de direita me causa preguiça. E nessa eleição o povo chamando a maioria de burra porque não votou de acordo com o que consideravam o certo, elevaram a dose de preguiça em meu ser. Aqui em São Paulo já tem gente torcendo para o Doritos (eleito) fazer um péssimo mandato só para ter assunto. aff
    Enfim, por enquanto placar é: goleada. rs

    Curtido por 2 pessoas

    • Darlene R. Faria disse:

      Concordo que as brigas onde uma pessoa diz que a outra é “burra” por ter votado de uma ou outra forma me dá preguiça também! Argumentos rasos, ataques pessoais… Quer falar sobre política? discuta com base nas ações dos políticos e partidos e não ofendendo gratuitamente pessoas. Tenho que admitir que excluí umas duas ou três pessoas do meu facebook por comentários e postagens extremamente agressivas sobre o assunto – foi bom, pois eu jamais imaginaria ter em meu circulo de amizades pessoas capazes de externar opiniões tão violentas, racistas e homofóbicas! Isso me deixou triste e, ao mesmo tempo, livre! Deveras triste que o momento a ser utilizado para discussões saudáveis acabe sendo comparável a uma grande briga de torcida! Agora o blog e a página no facebook irão voltar ao normal, com assuntos leves, comidinhas vegetarianas, músicas e poesias, e muita intensidade de sentimentos! (E minhas leituras poderão voltar aos trilhos).

      Beijos 🙂

      Curtido por 1 pessoa

    • Darlene R. Faria disse:

      Sim, é uma experiência inigualável que muda muito a gente. Quando participamos de um projeto assim e saímos de casa em casa para conversar com as pessoas, nos damos conta de que não conhecemos a cidade onde moramos, vivemos numa bolha, cercados pelo que nos é familiar, e sendo assim, mesmo quando queremos debater a política, nossas visões vão sendo modificadas a cada contato com a cidade, com as pessoas, com os problemas da cidade. Acredito que todos os que se dedicam a construção política (de forma honesta) deveriam fazer pessoalmente sua campanha, pois só assim podem entender a cidade como um todo e também iniciar um processo de fortalecimento do poder popular através da criação de uma lista de contatos para conversar periodicamente mesmo fora da época de campanha!

      Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

  2. KAMBAMI disse:

    Olha lendo vocês três, Mayara, Lunna e Darlene me fez saber que meus pés estão no chão, ainda bem, já me via como marciano mais uma vez. Também ando afastado por comentários digamos indigestos de pessoas que não diria serem partidárias mas sim extremistas. Ser partidário no meu entender é até saudável desde que se mantenham éticos e dentro da moral e não atacar idéias contrárias.
    A política e até mesmo os políticos necessitam rever seus conceitos, e seus verdadeiros interesses. O que não dá mais é para visualizar nitidamente a desfaçatez que não convence mais nem leigos, indiferente a partidos, pois todos estão no mesmo saco, com pequenas e raras exceções. 😉

    Curtido por 1 pessoa

  3. Ana Teixeira disse:

    Olá Darlene!
    “O fora Temer que existe em mim, saúda o fora Temer que existe em você!” Kkkkk
    Gostaria que lesse um texto no meu Blog de título “Em nome de quem”.
    Agora continuarei a ler o seu blog. Estou adorando!

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