Medo

       A cidade parece ter novas cores desde que eu te conheci e eu também me sinto mais cheia de cor e de vida – quase uma lagartinha saindo do casulo para se tornar borboleta. Sabe, Bambino, meus dias já não são os mesmos – eles ganharam uma misteriosa aura de alegria, um motivo desconhecido para esperar qualquer coisa de bom. Eu espero tuas mensagens no celular em horas estranhas, conversamos longamente pela internet e é como se eu me perguntasse “como eu vivi sem ele até hoje”.

      Ainda tenho muito medo, Bambino… Medo que você perceba o que significa para mim, medo que outras pessoas percebam como fico quando estou perto de você e é por isso que nunca estou lá antes dos teus ensaios para conversar como você me pede nas mensagens de texto. Talvez seja medo dessa felicidade que me envolve se acabar no momento em que você perceber que o meu gostar é diferente do teu. Ou talvez seja medo de ser a pessoa mais feliz do Universo se por uma distração do Cosmos os nossos modos de gostar um do outro se encontrarem e nos fizerem mais do que amigos…

(Da série “Devaneios tirados do fundo de uma gaveta – 2013)