Horizonte

Eu já sei o teu nome, a tua idade e o teu telefone. Eu já sei a textura exata da tua pele e em sonhos nossas mãos se unem todas as noites. O som da tua voz é minha canção de paz. Sabe bambino, você é como um furacão e eu sou uma folha de papel que você arrasta a esmo por aí. É assustador e ao mesmo tempo é belo – é como se eu flutuasse e pudesse ver a vida do alto. E eu subo e subo, meu coração deseja voar e tocar o teu. Impossível, eu sei – não foi um coração humano como o meu agraciado com o dom de alcançar o coração de um anjo misterioso como você. Mas sabe de uma coisa? A cada segundo eu percebo que foi o erro mais correto da minha vida entrar naquela sala e deixar que teu olhar quebrasse minhas barreiras de proteção. Bambino, o horizonte é lindo e inalcançável e ainda assim eu insisto em ir em direção a você:  que é meu horizonte. Não sei quem irá juntar os cacos do meu coração quando eu cair das nuvens. Também não sei o motivo pelo qual escrevo cartas que você não vai ler. Tudo nesta vida é um mistério, mas o amor… O amor é o mistério sublime que eu aprendi a conhecer no teu olhar sem que você sequer percebesse. Não sei quando iremos nos ver – já não há segundas feiras para mim – mas até lá sonharei contigo durante cada segundo do meu dia e em meus devaneios noturnos viveremos num universo paralelo onde nossos nomes são traçados juntos dentro de um coração na areia da praia e nós, abraçados, sabemos que conseguimos o impossível e atingimos o horizonte.

(Da série “Devaneios tirados do fundo de uma gaveta” – escrito em algum dia de 2013)