Resenha do livro: Anna Karenina

Sobre o autor: Leon Nikolaievitch Tolstói nasceu em 1828 em Iasnaia Poliana e faleceu em 1910, aos 82 anos de idade. Na Universidade de Kazan estudou línguas orientais e direito. Chegou a servir o exercito, entretanto possuía visão pacifista e anarquista recusando toda forma de poder e governo. Seus textos autobiográficos “A Minha Fé” e “Qual é a minha confissão” foram apreendidos, tendo sua difusão clandestina. O autor, por suas ideias, foi perseguido e excomungado pela Igreja.
A leitura do livro Anna Karenina é muito agradável. Com quase 800 páginas, ele prende o leitor do início ao fim. Não há suspense ou mistério, apenas uma narrativa detalhada da vida social na sociedade russa nos anos de 1870. Há uma grande preocupação descritiva – não só em relação aos ambientes, objetos, roupas e ações dos personagens como e principalmente, em relação às suas ideias, visões de vida, sentimentos e opiniões. Talvez um autor moderno tivesse conseguido contar a história em menos de 300 páginas, mas certamente não teria o mesmo sucesso tampouco o mesmo valor moral.
Anna Karerina é uma obra, sobre adultério, família e consequências dos atos de cada um em uma sociedade doente e hipócrita. O autor é extremamente realista – não há diálogos melosos entre os personagens, as demonstrações de afeto são extremamente comedidas e, ainda assim, Anna é uma das personagens femininas mais ricas e complexas já vistas.
Ao acompanharmos o desenrolar dos acontecimentos, nos parece estar vivendo cada momento tal é a perfeição com que o autor narra os ambientes, pensamentos e ações.
Ao tratar o adultério o autor mostra-lhe duas faces: a do homem que trai por capricho – como o que acontece no início da história, e a da mulher que trai o marido por descobrir em outro homem o amor que até então não havia encontrado, caso da heroína do romance, Anna.

É um livro que certamente valeu a pena ler.

Uma dica: A edição da Editora Abril, de 1971 é excelente. Tentei baixar em pdf mas só consegui a tradução em linguagem mais moderna, que deixa o texto sem sal nem açúcar.

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9 comentários sobre “Resenha do livro: Anna Karenina

  1. gabriellacunha disse:

    Darlene, libertar os livros é ótimo. Além de libertar um pouco nossas estantes, é essencial para passar um pouco mais de cultura para os outros, e principalmente para quem não tem acesso. Muito bom. Ainda não li o livro, mas pelo filme posso imaginar o que vem por aí 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    • Darlene R. Faria disse:

      Sim! Libertar livros é incrível! Eu pessoalmente tenho medo de “esquece-lo” em algum canto e ele ir pro lixo, por isso frequento um evento chamado “Troca-Troca de livros” onde o pessoal espalha cangas cheias de livros no chão e quem passa por lá pode deixar livros e pegar outros, não necessariamente na base 1×1. É só ir e deixar os livros lá…Se tiver algum que interesse, basta pegar e levar pra casa! E os que sobram o pessoal que organiza leva embora pra disponibilizar no próximo evento! Muitos dos meus livros adquiri assim!

      🙂

      Curtido por 1 pessoa

  2. Barbara disse:

    Eu tenho vários outros títulos dessa coleção e as traduções estão ótimas também! Tenho uma edição de Anna Karenina de 1971, também da abril mas da coleção Imortais da Literatura. Porém, está aqui em casa tomando pó porque ainda não tive a oportunidade de ler. Já estou separando para tentar ler esse mês! Depois da sua resenha, fiquei com mais vontade ainda ❤

    http://www.fragmentoliterario.wordpress.com

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