Resenha do livro: A Filha da Noite

Marion Zimmer inspirou-se na ópera “A flauta mágica” de Mozart para escrever “A filha da Noite”. Uma distância de quase 200 anos separa a ópera, encenada pela primeira vez em 1791 do livro de Zimmer, publicado em 1983.

Embora a primeira vista possa parecer uma simples obra de fantasia que se passa em um mundo onde há homens, animais e halfings (seres híbridos descendentes de homens e animais), a obra traz uma simbologia profunda ligada ao autoconhecimento, lealdade, amor e coragem.

O prólogo apresenta a origem dos halfings e seu uso como escravos dos humanos; apresenta também a Rainha Estrela, Sacerdotisa da Velha Deusa da Noite e Sarrasto, Sacerdote da Luz e Herdeiro do trono de Atlas Alamésios, pais de Pamina que foi criada apenas pela mãe, sem nada saber acerca do genitor até ser seqüestrada por ordens dele. Somente no segundo capítulo tomamos contato como Taino, filho do Imperador do Oeste que atravessa o deserto em busca do reino de Atlas-Alamésios onde deveria procurar o Templo da Sabedoria e submeter-se aos Ordálios.  Atacado por um dragão, Tamino é salvo pelas irmãs halfing de Pamina e levado pela rainha estrela a acreditar que Sarasto é um monstro que levou Pamina embora a força. Parte então Tamino em uma jornada em busca de Pamina, que lhe é prometida pela rainha estrela. Mais do que uma busca pelo amor, Tamino embarca em uma jornada de aprendizado e evolução espiritual.

Quando os halfings são apresentados ao leitor, fala-se de um valor fundamental: A liberdade. Muito embora não haja nenhum híbrido homem-animal em nosso mundo, há historicamente uma tendência humana a escravizar outros povos também humanos, tratando-os indigna e cruelmente. Embora a história original date de mais de 200 anos atrás, a mistura híbrido-humano levanta outra questão atual: a genética. A simples idéia de misturar duas espécies gerando um terceiro individuo diferente já fascinava e intrigava o pensamento humano.

O relacionamento entre a rainha Estrela e as filhas reflete também diferenças que ocorrem de fato em muitas famílias: tratamento diferenciado entre filhos, chantagem e manipulação.

A história de Pamina reflete o autoconhecimento. Quando foi raptada a pedido de seu pai, Pamina acreditava quase absolutamente em tudo que sua mãe dizia, sem questionar as crueldades praticadas contra os halfings, que via quase como animais de estimação. Ela cresce emocionalmente através de pensamentos, dúvidas, desafios e medos que culminam em sua recusa em unir-se à mãe. Da mesma forma Tamino cresce muito durante a história, deixando de ser um jovem e mimado príncipe para se tornar um homem corajoso, capaz de pensar e analisar aspectos de uma mesma questão antes de acreditar no que lhe foi dito e agir.

Esse caminho entre criança crédula e adulto honrado e corajoso é percorrido por cada um de nós, ainda que não de forma tão marcante e, infelizmente, em muitos casos, de forma incompleta uma vez que vivemos em um mundo consumista, ganancioso, onde valores como honra e coragem tem sido deixados de lado de forma tão negligente.

Um livro excelente, de leitura fácil e final surpreendente que vale a pena ler mais de uma vez.

Para quem quiser ouvir um pouco da ópera, esse vídeo é bem legal – uma mistura de cinema, teatro e ópera com um resultado muito bom:

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5 comentários sobre “Resenha do livro: A Filha da Noite

  1. Lunna Guedes disse:

    Da Marion Zimer li apenas os quarro livros do que hoje, seria chamado de saga, “as brumas de avalin” e, embora seja fa do estilo ficcao, nao e um livro que eu va reler novamente. Cheguei a escrever, no auge da minha paixao pelo estilo, um ensaio chamado “a lenda”… Que fez relativo sucesso entre os colegas de curso. Todos me pediam para publicar. Foi interessante, porque foi gracas a isso que descobri o mundo dos zines.

    Bacio

    Curtido por 1 pessoa

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