Capítulo 3

Ainda sonolenta Valeska se lembrou que em breve Marjorie estaria com ela na fazenda. Não se empolgou tanto com a ideia de em breve estarem juntas – seus pensamentos já estavam novamente em Melissa. Levantou-se e foi para o chuveiro, tudo que precisava era um bom banho para poder acordar.
Marjorie e Valeska desde crianças tinham certa inclinação uma pela outra, estavam sempre juntas, e aos quinze anos beijaram-se pela primeira vez; fazia já dois anos que viviam esse romance às escondidas e, mal viam a hora de completarem a maioridade para poderem morar juntas. Para elas, o importante era que se amavam e nada mais. Porém, Valeska sentia pela primeira vez a dúvida nascer em seu coração, amava realmente Marjorie? Ou era apenas o costume? Era tão nova quando começaram a namorar. Viveram juntas momentos inesquecíveis, os primeiros beijos, os primeiros carinhos ousados, a primeira noite de amor… Mesmo assim, agora que conhecera Melissa, Valeska não tinha tanta certeza se realmente queria levar a diante o namoro com Marjorie.
Saiu do banho, vestiu-se e foi tomar café. Melissa chegou e decidiram cavalgar até a cidade.
Para Valeska, acostumada ao trânsito e a correria de São Paulo, o centro da cidade pareceu deserto, porém aconchegante. Sentaram-se no banco da praça e tomaram um sorvete. Apesar de terem a intenção de passar o dia na cidade, decidiram tomar um lanche e voltar pouco após o almoço, pois não havia muito que fazer.
Quando chegaram à fazenda, a casa de Valeska estava vazia; grudado na geladeira, um bilhete avisava que haviam ido novamente pescar.
Era a oportunidade perfeita: estariam sozinhas em casa pelo resto da tarde. Restava aguardar o momento certo…
Valeska sugeriu escutarem um pouco de música entregando a Melissa o porta Cd’s para que esta ficasse à vontade para escolher. Ficou surpresa quando Melissa escolheu um cd de música eletrônica… Pensava que Melissa não estivesse acostumada a essas músicas, por morar numa cidade tão pequena e praticamente rural…
Começaram a dançar, Melissa colava seu corpo em Valeska, balançando ao ritmo da música. Podiam sentir seus corações baterem acelerados, Melissa segurou Valeska pela cintura com uma das mãos, enquanto a outra passeava por todo o corpo da amiga. Beijaram-se. Podia-se sentir o clima de desejo no ar; começaram a despir-se, deitaram no sofá, Valeska começou a acariciar o corpo de Melissa, beijando-lhe o pescoço, os seios, passeando com a língua até a barriga, Melissa buscou acariciar as partes mais íntimas de Valeska, fazendo-a gemer de prazer, a partir daí, seus corpos foram tomados de um furor animalesco, amaram-se de todas as formas possíveis até serem surpreendidas pelo cair da tarde e vestirem-se apressadamente, temendo a chegada dos pais de Valeska.
Fizeram um lanche rápido, Valeska, de tão exausta, sentou-se no sofá e dormiu, não viu sequer a hora que os pais de Melissa vieram buscá-la, pois já estava muito escuro para ela voltar sozinha pela estrada.
Ao contrário de Valeska, que dormia exausta, Melissa quase não conseguia esconder sua agitação… Estava eufórica, há tempos esperava pelo seu primeiro beijo, por sua primeira noite… Já havia lido livros picantes,  perdia horas imaginado-se em todas as cenas mais eróticas, mas não havia encontrado até então ninguém a quem se quisesse entregar…até Valeska aparecer…
Quando a viu pela primeira vez, parada entre as pedras decidiu que queria ser possuída por ela, teve que agir com cuidado e com uma malícia cuidadosamente disfarçada para chegar onde queria… Mas agora tinha conseguido; não era mais uma menina, podia-se considerar uma mulher…
A semana passou muito rápido… Valeska e Melissa encontravam-se todos os dias, viviam uma paixão proibida e ardente… Amaram-se na cachoeira,na chuva, no meio do pasto…
Para alívio de Valeska, Marjorie acabou passando todo o mês na casa dos avós, não imaginava como seria se ela, Melissa e Marjorie tivessem que compartilhar o mesmo dia-a-dia…
Assim como a semana, o mês terminou depressa, Valeska e os pais precisavam voltar para São Paulo. A fazenda ficaria para trás e com ela, um grande amor de verão; Valeska voltaria para os braços de Marjorie.
Em São Paulo, Valeska rapidamente esqueceu aquele amor de verão, aos poucos foi sendo absorvida pela rotina, pela companhia de Marjorie, pelo colégio… Escreveu poucas cartas à Melissa, simples relatos, sem juras de amor ou sentimentalismos… Tampouco se mostrava apaixonada por Marjorie, estava distante, já não lhe fazia mais os agrados de antes, procurava-a apenas quando queria sexo… Chegava a duvidar de seus sentimentos… Já não a amava mais?Ou era apenas uma fase de distanciamento?
Não sabia ao certo…

Vieram então as férias de Julho… Na fazenda o frio era acolhedor, Valeska adorava aquele clima de inverno, que parecia fazê-la livre.  Viveu intensamente a primeira semana com Melissa, amando-a sempre de uma maneira selvagem, como que querendo possuir cada átomo do seu corpo.
Valeska havia contado a Melissa sobre seu relacionamento com Marjorie, e ficou muito surpresa, pois Melissa não demonstrou ciúme ou mágoa, disse que era normal afinal, quem foi mesmo que inventou a monogamia? – Opinião no mínimo estranha para uma jovem criada em meio à natureza e teoricamente afastada da malicia presente nos habitantes das grandes cidades.
Na segunda semana de julho, Marjorie juntou-se a elas. Sua presença deixava Valeska confusa, principalmente porque Marjorie e Melissa tornaram-se grandes amigas. Uma tarde, na cachoeira, Melissa e Valeska desancavam a sombra das arvores enquanto Marjorie nadava.  Melissa confessou sentir-se atraída por Marjorie, provocando uma grande onda de ciúmes em Valeska. Aos poucos, porém, Melissa conseguiu convencer a amiga de que uma noite a três seria uma idéia excitante. O único problema seria convencer Marjorie.
Pediram permissão aos pais para passarem uma noite acampada, apenas as três… Após incessantes instruções de segurança (não se afastem da barraca à noite, mantenham as telas e a porta bem fechados para não haver o risco de entrarem animais indesejáveis, etc.), partiram rumo à sua noite de “acampamento selvagem”. Escolheram um local não muito distante da casa de Valeska, assim, seria menor o risco de surpresas desagradáveis.
Melissa pegou escondido do pai uma garrafa de vinho na adega de casa e levou com elas. Marjorie não queria beber, afinal era menor de idade, mas o friozinho da noite e o fato de Valeska estar bebendo a encorajaram. Aos poucos foram se liberando, perdendo a vergonha… Melissa chegou-se para perto de Marjorie, abraçou-a e começou a acariciá-la. Marjorie não percebia a malícia desse ato, para ela Melissa era apenas uma criança de 15 anos, que vivia numa fazenda perdida no meio do nada… Esquecia-se de que ela mesma, aos 15 anos já sentia determinados desejos, e que havia apenas dois anos de diferença entre elas
Estavam dentro da barraca, pois não queriam arriscar-se a ficar do lado de fora pois temiam o aparecimento de cobras ou aranhas. Não podiam acender ali uma vela e a luz da lanterna começava a enfraquecer. O vinho chegava já ao final. O contato do corpo de Melissa provocava arrepios em Marjorie, ela ia aos poucos se sentindo excitada. Nesse momento Valeska,que até então estivera apenas observando abraçou Marjorie e começou também a acariciá-la, beijando lhe as orelhas e a nuca, para logo em seguida beijar-lhe a boca. Marjorie gemia de prazer, mas negava-se a deixar-se possuir com Melissa presente.
Melissa então começou a tirar a roupa, no que foi imitada por Valeska. Em seguida,ambas fizeram com que Marjorie se deitasse, tiraram-lhe também as roupas e começaram a beijar seu corpo todo, fazendo-a gemer ainda mais e possuindo-a uma de cada vez, de uma maneira animal. Marjorie entregou-se completamente a esse ato incomum e, quando não agüentava mais ser possuída, trocou de lugar com Melissa. Sentia prazer em deixar-se perder naquela cascata de ébano que eram os cabelos dela, lambia-lhe todas as partes do corpo, penetrando-lhe o sexo com a língua e com as mãos, enquanto era também acariciada e tocada por Valeska. Saciaram-se durante toda aquela madrugada numa orgia selvagem.
Foram dormir quando o sol já estava nascendo…
O dia seguinte foi talvez o mais difícil na vida de Marjorie, acordar e ver-se ali, nua entre sua namorada e uma nova amiga e lembrar tudo que havia acontecido entre as três machucava-lhe o coração. Lágrimas começaram a correr de seus olhos. Cuidadosamente, sem acordar as duas, vestiu-se, deu um beijo de leve nas faces de Valeska e foi até a beira do rio, para pensar um pouco e tentar entender o que havia acontecido.
Pouco antes da hora do almoço, era Valeska que despertava. Sentia seu lado animal saciado mas sentia também certo ciúme de Marjorie. Como ela havia permitido que outra pessoa tocasse sua namorada na sua frente? Por outro lado, não tinha o direito de sentir-se enciumada, traíra Marjorie o verão todo com Melissa, chegara a duvidar do seu amor por ela, precisou então vê-la entregue aos braços de outra para sentir novamente em seu peito o amor bater mais forte. Como pudera ser tão tola, deixando se levar por uma garota de quinze anos ávida de prazer animal e que aparentemente não tinha idéia do que eram sentimentos?Como?
Notou então que Marjorie não estava na barraca. Vestiu-se e foi procurá-la, tinha que pedir-lhe desculpas por tudo, pelo que havia acontecido na noite anterior e pelo que acontecera durante o verão… Lágrimas rolavam levemente de seus olhos. Conhecia Marjorie e sabia que dificilmente ela seria perdoada. Talvez esse fosse o ponto final na história de amor que deveria perdurar durante toda a sua vida.
Após a saída de Valeska da barraca, Melissa despertou. Em seu sorriso podia ver-se a satisfação de ter realizado mais uma de suas fantasias. Vestiu-se alegremente e correu para a cachoeira, nem percebeu a presença de Marjorie sentada sobre as rochas, jogou-se na água, em seu corpo leves marcas arroxeadas refletiam a saciedade de seus instintos…
Marjorie a observava… Como podia aquela garota com feições de menina ser tão maliciosa, causar tão grande prazer e ao mesmo tempo, tanta dor?E por que Valeska havia permitido tudo o que aconteceu?
Valeska chegou pela margem oposta do rio, ficou atrás de uma pedra, observava estática a cena… Não entendia o que Marjorie fazia ali, observando Melissa nadar. Será que Marjorie havia gostado do que aconteceu entre elas?Não era possível…
Deu a volta, sentando-se ao lado de Marjorie, esta nem notou, ou fingiu não notar sua presença, ela então resolveu tentar conversar:
-Bom dia, amor.
-Amor? Que Amor? Que Amor é esse que você diz ter por mim que nos coloca na situação em que nos vimos ontem à noite, como animais, ou até pior que eles?
-Marjorie, meu amor, não diz isso. Eu… Sei lá, precisamos conversar, mas quero que saiba que acima de tudo eu te amo…
-Vou pra casa.
-Vamos chamar a Melissa, ela tem que nos ajudar a desmontar a barraca, e então poderemos voltar.
-Chama você, eu vou indo na frente para guardar nossas coisas nas mochilas.
-Tudo bem…

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