Capítulo 1

O Sol penetra o quarto lentamente pelos vãos da persiana. Pode-se ouvir o barulho dos pássaros cantando alegres, um cheiro de café fresco e leite quente começam a espalhar-se pela casa. É o início de mais um dia.
Indiferente a tudo, Valeska permanece estirada na cama. É como se estivesse em outro mundo, vivendo uma vida que não é a sua.  Veste-se com um traje simples, se estivesse em sua casa em São Paulo com certeza tomaria um banho, demoraria meia hora para escolher uma roupa, passaria perfume, batom, colocaria brincos, bracelete, colar etc. Mas naquela fazenda no meio do nada, para que ter o trabalho de se enfeitar?
Na cozinha, seus pais já estão quase terminando o café; olhando o relógio,ela não acredita no que vê,são apenas oito e meia da manhã de um domingo de férias. O que está fazendo em pé tão cedo? Definitivamente, comprar uma fazenda foi a pior idéia que sua família já teve. Ou a pior idéia foi a de passar o mês de Dezembro na fazenda? Impossível saber.
A voz da mãe vem tirá-la do alheamento:
-Bom dia Valeska! O que faz parada aí em pé na porta da cozinha?Venha logo tomar seu café.
-Bom dia.
Calada, Valeska senta-se à mesa. Não está com vontade de conversar, mas o pai insiste:
-Então filha, o que vamos fazer hoje?Que tal irmos pescar no riacho? Você ainda não foi até lá, não é verdade? Podemos ir a cavalo, eu, você, sua mãe, o nosso vizinho, seu Lucas e a filha dele, Melissa, o que acha?
-Prefiro que você me leve à cidade e me pague muitas fichas telefônicas. E me esqueça por lá um pouquinho, só até de noite, depois vá me buscar. O que acha?
-Acho uma péssima ideia.
-Por que já faz três dias que estamos aqui e eu já li todos os livros que trouxe para passar o mês, estou com saudades dos meus amigos e da Marjorie.
-Eu não entendo o que está acontecendo com você? Sempre gostou tanto de passar as férias com a Marjorie na fazenda dos avós dela e, agora que temos nossa própria fazenda, parece que você está odiando… Passou os nossos três primeiros dias aqui trancados no quarto, nem foi conhecer nossos vizinhos ou o cavalo que eu comprei para você.

Mesmo sem vontade de ir pescar, Valeska acaba concordando em ir com os pais. Ela não sabia, mas essa pescaria marcaria para sempre a sua vida.
O dia estava agradável, com um sol ameno e um vento fresco nada comuns no mês de Dezembro naquela região interiorana, de modo que Valeska dispensou o cavalo preferindo caminhar quinze minutos pela trilha que levava até o riacho. Quando chegou seus país já se encontravam instalados à beira do pequeno rio, conversando com um homem de meia idade que ela adivinhou ser o vizinho,seu Lucas .Decidiu não pescar, apenas deitou-se à sombra;a temperatura e o ambiente suaves a faziam sentir-se lânguida,sedenta de amor. De repente sentiu uma saudade enorme de sua casa, de poder ligar para a Marjorie e chamá-la para passar a tarde juntas, uma nos braços da outra,no quarto,enquanto seus pais inocentemente acreditavam que elas trocavam segredinhos sobre namorados.
-Valeska.
-Que foi mãe?
-Por que você não vai tomar um banho de cachoeira? A Melissa já está lá.
-Estou com preguiça.
-Mas é logo ali, basta caminhar pela trilha mais uns cinco minutos…
-Quero ficar sozinha.
-Bom, então eu e seu pai não precisamos ter o trabalho de chamar a Marjorie para vir passar a próxima semana conosco, ela pode ir passar o mês todo na fazenda dos avós dela, já que você quer mesmo estar sozinha.
-Mãe, você sabe que é muito diferente conversar com a Marjorie e conversar com uma garota que eu nem conheço!
-Você decide, mas eu não perderia a oportunidade de ir tomar um banho de cachoeira, só não vou porque não tenho ninguém da minha idade para conversar por lá, mas você e a Melissa têm quase a mesma idade, iriam se dar bem.

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20 comentários sobre “Capítulo 1

    • Darlene R. Faria disse:

      Olá, tudo bem? Então, alguns leitores acompanharam mais, outros menos… Infelizmente tenho a impressão de que histórias longas divididas em capítulos não são muito populares em blogs sendo mais bem aceitas em plataformas próprias (que eu ainda não sei operar bem). O alcance foi melhor aqui do que quando eu postava apenas na página do face, mas numa comparação geral em relação às leituras de outros textos menores, me decepcionou bastante… Se quiser arriscar publicar desta forma, tenha em mente a necessidade de manter uma periodicidade das publicações para não “afogar” o leitor nem deixá-lo ficar tanto tempo sem publicações a ponto de esquecer onde estava a narrativa na última vez que acessou.
      Espero ter ajudado!
      Bjs

      Curtido por 1 pessoa

  1. Marcelo Raymundo disse:

    Ok! Cá estou eu lendo sua história e estou curtindo bastante!
    Partindo para o capítulo2… vamos lá! 🙂
    Ei! A curiosidade mata o gato… eu sei! Por isso, li os comentários e vi que vc começaria a postar no dia 03/01… bem no dia do aniversário de um cara aí! kkk
    Sim! Eu mesmo… e teria sido um belo presente se todas as coincidências tivessem batido – vc postado e eu lido no tempo certo kkk , mas, mesmo assim, adorei! Calma… não é egocentrismo, só uma piada besta! kkk
    Bora ler!

    Até! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    • Darlene R. Faria disse:

      Nossa! Fico feliz que esteja lendo!Esse é meu primeiro conto, eu era bem jovem quando escrevi, então podem haver erros perdidos no texto (revisei o máximo que pude mas sempre escapa algo)!
      Espero que goste ❤
      (E não se choque com algumas passagens especialmente fortes hahah) Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

      • Marcelo Raymundo disse:

        Ei! Estou curtindo muito! Você não é revisora, mas uma escritora… as ideias são o seu mundo e nisto, está indo muito bem até aqui! 🙂
        Bom, tendo eu quase a idade da sua mãe… acho que já vi e vivi algumas boas experiências! Ainda não estou chocado, mas encantado com o desenrolar da história. Muito boa e criativa. Parabéns! 🙂

        Curtido por 1 pessoa

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