Capítulo 11 – As viagens de Emanuela

BIANCA

São Vicente era realmente uma bela cidade. Não tinha praias espetaculares nem belas matas. As ruas, por vezes tinham um ar de abandono. Emanuela poderia ter começado suas viagens por tantos e tantos lugares, mas quis começar pela cidade onde viu Mary ser transformada, onde passou momentos maravilhosos de sua infância mortal. Passeava pelas ruas desertas do centro. Durante o dia o movimento ali era grande. Havia muitas pequenas lojinhas, carrinhos de sorvete, gente apressada, fazendo compras, passeando. Mas já era madrugada e as ruas estavam vazias. Emanuela queria companhia. Pensou em Carmilla, por que a havia libertado? Lucius e Danielle, onde estariam? Queria simplesmente mais uma daquelas noites cheias de prazer. Pensava nisso enquanto andava, e, quando se deu conta, estava na Praça da Biquinha. Havia um grupo de jovens ali. Bebiam uma batidinha e jogavam algo com um baralho. Emanuela aproximou-se, rapidamente fez amizade com eles. Logo convenceu uma das meninas, Cláudia, a ir dar uma volta a sós com ela. Conversaram longamente, Emanuela levou-a ao emissário, fizeram amor ali, nas pedras, tal qual Lorde M III. e Mary. Emanuela não matou Cláudia, e também não a transformou. Era muito cedo para trazer alguém para junto de si, não queria responsabilidades, nem a mesma companhia todas as madrugadas. Levou a garota de volta para casa, deu-lhe um beijo e um último adeus. No dia seguinte estava em São Paulo. Após uma animada semana na Capital, curtindo as melhores baladas e noitadas, partiu para o interior do estado, cidadezinhas pequenas, desertas. Era muito difícil encontrar alimento nesses lugares pois a maioria das pessoas se mantinha dentro de casa após o escurecer; muitas vezes Emanuela teve que invadir a residência de seus “jantares”. Logo se cansou do interior. Percorreu o litoral brasileiro de Norte a Sul. Amava o mar, as praias noturnas, algumas badaladas, outras desertas, algumas calmas, outras sempre com ondas enormes, mas todas belas. Deixou o Brasil, conheceu toda a América do Sul, Central, América do Norte, a Estátua da Liberdade e as salas mais secretas do Pentágono. Teve amantes, muitas, ricas, pobres, moças de família, garotas da vida, noitadas com duas, três, até cinco pessoas no mesmo quarto. Conheceu o Oriente Médio, Japão, China… O mundo era pequeno demais para sua curiosidade, para a sua busca pelo prazer.

Bruna era uma vampira livre, morava com Carmilla, mas aos poucos descobria que não a amava. Era romântica e doce, não suportava a solidão, não suportava a promiscuidade da companheira. Queria sair e fazer amor ao luar, mas sem haver outras pessoas a observar-lhes cada movimento. Havia dez anos, Emanuela havia partido e só agora Bruna notava que, não era por culpa da amiga que Carmilla buscava formas não convencionais de sexo como o sadomasoquismo e o sexo grupal. Isso fazia parte de sua personalidade e nada a mudaria. Decidiu abandonar o lar, já não amava mais Carmilla. Foi pedir abrigo na casa de Bianca, onde foi bem recebida. Após semanas, decidiu partir. Também queria conhecer o mundo, encontrar um grande amor e ser feliz.
Bianca aos poucos ia superando o abandono que sofrera. Não entendia o porquê, mas ia aceitando o fato de Emanuela não querer viver com ela. Não se encontram nem mesmo quando Carmilla a libertou. A companhia de Bruna a alegrou um pouco, assim como a alegrava ver Mary e M. juntos e felizes. Sofreu quando Bruna partiu. Em poucas semanas havia se acostumado a sua companhia, seu carinho, sua alegria, sua luz… Algo nela mexera com seu coração machucado por séculos de solidão e, principalmente, machucado pela recusa da mulher amada, por quem abandonara sua família, sua vida… A quem jurara amor eterno num pacto de sangue.

A vida ia tornando-se mais amena à medida que Bianca percebia que a chance que tiveram fora naquele quarto quando pela primeira vez fora buscar Emanuela e que ao se negar pela primeira vez a segui-la havia quebrado o pacto que havia entre elas. A história estava para sempre enterrada pelos séculos, os personagens principais já não mais existiam. Emanuela não era mais a mesma pessoa, assim como Carmilla não era mais a garota apaixonada pela prima, como Bruna não era mais a jovem desesperada que preferia fugir para um convento a aceitar uma traição, todos haviam mudado… Alguns muito, outros pouco. O amor fora verdadeiro em seu tempo de florescer, mas tal como uma rosa murcha já não mais recupera o viço, essas paixões jamais voltariam a ser como eram… Mary e M. estavam felizes, era verdade, mas o amor deles havia sido interrompido em seu auge por uma fatalidade, M. jamais deixara de amar Mary, ou melhor, Susan… Ela jamais havia deixado de amar Emanuela, mas esta havia encontrado um amor maior nos filhos, que a impedira de segui-la, e agora, encontrara outro grande amor: seu próprio prazer carnal e sua liberdade. Carmilla aprendera muito rápido a viver sem Bruna, jamais a havia buscado, apaixonara-se pela ideia de vingança. Bruna sempre esperara um grande amor, era uma alma doce e sonhadora…

Após alguns anos de viagens, Emanuela se julgou preparada para trazer alguém para seu mundo. Escolheu uma jovem negra, de olhos azuis devido à mistura racial, uma garota inteligente e muito bela. Tinha 16 anos e estava distraída no jardim de sua casa, onde esperava pelo namorado escondida dos pais. Foi tudo muito rápido, Ashley viu aquela jovem ao seu lado, assustou-se, mas algo a impediu de gritar. Emanuela a abraçou e a desvirginou ali mesmo antes de mordê-la e dar-lhe o Beijo da Eternidade. Levou para a casa de Carmilla para que se recuperasse. Formaram um trio, Emanuela, Ashley e Carmilla. Sua casa é um lugar muito badalado entre vampiros e vampiras de todas as idades e que tem em comum a busca intensa por um prazer carnal não convencional e totalmente sem compromisso.

Mary e M. vivem juntos, trouxeram para este mundo uma jovem de olhos claros e cabelos louros que tentara suicídio após a morte do namorado num acidente de trânsito. Thalissa é a filha amada e muito mimada de um casal feliz, que ainda pretende trazer mais umas três “crianças” para animar-lhes a casa, e que planeja ter muitos netos.

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