Capítulo 2 – O Despertar de Mary (I)

“Como é doce quando finalmente chegamos ao fim da trilha e encontramos nos olhos de alguém aquela luz que nos guiou através de todas as barreiras, podemos ver o milagre de uma nova luz a se acender, e nos mostrar então, que a estrada não terminou, mas que, de agora em diante, teremos companhia para seguir caminho… o caminho da vida… que muitas vezes parece sem sentido, mas que nunca queremos abandonar… percorrer as estradas ao lado de quem amamos é descobrir a cada dia um mundo novo…”

 

Domingo, 13 de Outubro de 1996.

Acordei em uma larga cama, podia perceber pelo modelo, que se tratava de um móvel muito antigo, na cabeceira, duas velas iluminavam levemente o ambiente. Demorou um pouco até que meus olhos se acostumassem a pouca luz. Em minha mesa de cabeceira, uma rosa branca, sua alvura manchada por duas gotas de sangue. Passo a mão pelo pescoço e posso sentir ainda uma leve dor onde M.III mordeu-me. Relembro minhas últimas horas como mortal. Como estava deslumbrante em meu vestido negro, que contrastava com a alvura de minha pele, noto que ainda estou com ele, e me alegro, talvez isso seja um sinal de que M.III o aprovou. Lembro-me do calor da noite e da brisa gelada que percorria meu corpo, ao chegar ao Emissário, me despedi de Emanuela, deixando-a sentada na escada. Subi e me encaminhei até as rochas mais afastadas, a escuridão era completa. De repente, sob a luz do luar, pude vê-lo, vinha caminhando em minha direção. Usava uma roupa antiga, uma longa capa negra. Ele chegou e, sem dizer nada, tomou minhas mãos, cingiu-me a cintura com força, mas nem por isso indelicadamente. Pude sentir sua respiração se aproximando de meu corpo. Olhou dentro dos meus olhos e beijou-me. Tenho que confessar que foi meu primeiro beijo, um beijo doce, que me transportou ao paraíso. Aos poucos suas mãos começaram a percorrer meu corpo. Podia senti-lo arrepiar-se, a respiração cada vez mais ofegante, seu corpo trêmulo.

-Você quer?

Apenas pude balançar a cabeça, em sinal afirmativo, estava muda em meu espanto e emoção, e também em minha excitação. Sentia aos poucos meu sexo ficar molhado, como muitas vezes havia lido nos romances e imaginado que jamais iria me acontecer. Ele aos poucos vai abaixando as alças do meu vestido, até deixar-me nua, iluminada apenas pelo luar. Afasta-se e me olha, um olhar cheio de desejo, desejo acumulado durante séculos. Ele me abraça novamente, deita-me em uma rocha grande, começa a me tocar me fazendo gemer baixinho. Aos poucos se vai despindo também. Sinto uma leve pontada de dor quando ele se coloca dentro de mim, mas a dor é logo abafada pelo prazer. Ele se movimenta, às vezes lentamente, às vezes com mais violência. De repente, chego a um ponto em que não posso mais suportar, um gemido mais alto, vejo as estrelas não distantes, lá no céu, mas sim ao meu redor. Nessa hora sei que cheguei ao meu primeiro orgasmo. Sinto-o aproximar-se de meu pescoço, não sinto dor quando ele me morde, apenas o calor do sangue a escorrer. Aos poucos, vou ficando desacordada, e a última coisa de que me lembro são seus lábios se aproximando dos meus, para dar-me o Beijo da Vida Eterna.

Novamente cochilo, para acordar algumas horas depois, com M.III ao meu lado, acariciando meus cabelos. Nossos olhos se cruzam. Um leve rubor transpassa minha face, ao me lembrar de como ele me havia feito mulher antes de me morder. Como que adivinhando meus pensamentos, ele deita-se ao meu lado e me beija de leve, com ternura. Sinto sede, muita sede. Ele me oferece uma taça cheia de sangue fresco, que sorvo com prazer. Ele me entrega um pequeno volume, envolto num veludo vermelho, abro-o e reconheço meu diário, como? Eu o havia deixado naquela pequena caixa, como uma lembrança para Emanuela. Não tenho ânimo para fazer perguntas, ainda me sinto muito cansada, há muito que perguntar, há muitas respostas para obter, mas tudo isso pode esperar mais alguns dias. Apenas pergunto a data e começo a escrever minhas primeiras impressões, sob o olhar atento e doce de M.

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Um comentário sobre “Capítulo 2 – O Despertar de Mary (I)

  1. jomabastos disse:

    ” a estrada não terminou, mas que, de agora em diante, teremos companhia para seguir caminho… o caminho da vida… que muitas vezes parece sem sentido, mas que nunca queremos abandonar…”
    Bela introdução.
    Tudo evoluiu para melhor no começo deste segundo capítulo.

    Que tenha uma semana cheia de saúde e muito feliz!

    Curtido por 2 pessoas

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