O Diário de Mary (XVI)

BIANCA

São Vicente, 03 de Julho de 1996, Quarta-Feira.

Emanuela está em choque. Bianca apareceu em nosso quarto há alguns minutos. Eu estava me preparando para dormir, nem ia escrever hoje, Emanuela já estava deitada, quase pegando no sono, quando não pode disfarçar ter sentido o cheiro das rosas, e um vento gelado que entrava pela janela. Quando vimos, Bianca estava sentada bem na beirada de sua cama. Usava aquele vestido vermelho, de corte medieval, sobre ele, uma capa negra, destacando a brancura de sua pele. Ela chegou perto de Emanuela, beijou-lhe a face, acariciando lhe os cabelos. Emanuela estava cada vez mais pálida. Lágrimas lhe escorriam pelas faces. Seus olhos estavam vidrados, apavorados. Bianca perguntou-lhe se desejava viver com ela pela Eternidade. Emanuela apenas acenou a cabeça negativamente. Seria o fim? Emanuela tinha decidido, mais uma vez quebrar o Pacto? O que aconteceria? Pude sentir o desespero de Bianca, sua impotência para lutar pela mulher amada. E assim como havia aparecido, Bianca desapareceu, levando com ela o perfume das rosas.
Ao acordar, encontrei sob meu travesseiro a seguinte mensagem:

“Querida Mary,

Se você ainda deseja juntar-se a M. encontre-o Sexta-Feira, à Meia-Noite, nas rochas do Emissário Submarino de Santos. Não se atrase. Leve Emanuela com você, mas a deixe a certa distância… Você saberá a hora de deixá-la.

Até logo,
Beijos,
Sua amiga,
Bianca”
São Vicente, 04 de Julho de 1996,

 Hoje é meu último dia neste mundo, estou me vestindo para sair. Acabei de tomar um banho, estou usando meu melhor perfume e um vestido longo de cetim negro, decidi não usar nenhuma maquiagem, apenas um colar de prata envelhecida e um anel no mesmo material. Meus cabelos estão soltos, negros como a noite… O mais difícil é convencer Emanuela a sair comigo, escondida de minha mãe, que jamais nos deixaria sozinhas na rua uma hora dessas… Mas sei que devo de alguma forma conseguir… De repente, ocorreu-me dizer-lhe que, se ela não viesse comigo, Bianca apareceria em nosso quarto, e dormiria a seu lado na cama. Tal ideia causou-lhe tanto medo que, rapidamente, ela vestiu uma roupa qualquer, pronta para acompanhar-me…

“Lanço-me para as sombras da noite,
Onde poderei encontrar teu coração,
O nevoeiro cobrirá nossos corpos,
Para que olhos indiscretos não vejam quando você tomar meu corpo,
E minha alma,

Um sono profundo dormirei,
E então poderei acordar,
No nosso mundo,
Nosso noturno mundo,

Lanço-me para as sombras da vida,
Para que possamos viver juntos,
Para unir dois corações que o destino separou,
Para unir duas vidas, duas almas soterradas pelo peso dos séculos.

Lanço-me para as sombras,
Rumo ao Desconhecido
Mas não tenho medo,
Você guiará meus passos nesta viagem,

Lanço-me para longe de todos que amo,
Mas sei que a saudade passará,
Pois a Eternidade a encobrirá…
E o Amor maior me abrigará…

Toma agora meu corpo,
Que imaculado para você guardei,
Toma meu Sangue,
E num Beijo,
Leve com você minha alma.”

E esse foi o final do primeiro capítulo do livro “Bianca – Um amor que resiste aos séculos”. A segunda parte promete muito romance e mistério! 

Abraços! 

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3 comentários sobre “O Diário de Mary (XVI)

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