O diário de Mary (XI)

BIANCA

São Paulo, 13 de Junho de 1996, Quinta-Feira.

     “Matheus cresceu depressa, tornou-se um jovem sedutor, não exatamente belo, mas cheio de um grande encanto. Aos vinte e um anos, conheceu Cècile Sandrin, sobrinha de um rico fazendeiro. Foi uma paixão instantânea e avassaladora, mas algo os separava: Cècile era extremamente rica, Matheus não era assim tão pobre, mas suas condições eram visivelmente inferiores… Matheus herdaria do pai uma pequena propriedade rural, nada mais. Não tinha estudos, nem vocação para estes. Mesmo assim, ao parar para ajudar uma carruagem que havia quebrado a roda numa estrada erma e assim conhecer a pequena Cècile, então com dezesseis anos e prometida em casamento a um primo distante, a paixão tomou conta dele. Foi um sentimento correspondido. Matheus passou a trabalhar para a família Sandrin, vivendo momentos ardentes ao lado de Cècile. Essa paixão logo gerou seus frutos: Um ano após conhecer Matheus, Cècile dava à luz duas crianças: Suzane e Shirley. Porém, nem tudo foi tão bom, Cècile casou-se com Gerald, a quem estava prometida. Matheus foi expulso das terras da família Sandrin, voltando a trabalhar na propriedade dos pais. Nunca mais pôde estar perto de sua amada Cècile. Por este mundo, ficaram espalhados muitos outros filhos e filhas de Matheus, a grande maioria com mulheres de vida fácil…

            Suzane, aos dezenove anos, casou-se com um fazendeiro muito rico e trinta anos mais velho que ela. Não tiveram filhos. Viúva aos 24 anos casou-se novamente, desta vez com um jovem advogado, com quem teve uma bela menina, Luane.

            Shirley casou-se com um médico. Teve um filho, Cecil, um belo garoto de olhos verdes e cabelos negros, que mais tarde seguiria os passos do pai, tornando-se um dos melhores médicos de sua terra.

            Luane conheceu Thiago em um baile na casa de seus avós. Amaram-se quando se viram. Thiago era filho de um fazendeiro amigo da família Sandrin, por isso, seu interesse por Luane foi visto com muito bons olhos. Quando Luane contava 20 anos e Thiago 27,casaram-se numa bela festa.

            Cecil, avesso às companhias femininas, casou-se apenas para manter as aparências. O amor de sua vida era seu cocheiro Robert, com quem vivia os momentos mais intensos de paixão e luxúria. Não teve filhos.

            Luane e Thiago tiveram sete filhos, sete meninas: Alexia, Marina, Carla, Patrícia, Ana Claudia, Ana Clara, Julianne e Cristhine.

            Todas se casaram, gerando filhos, e depois tendo netos e bisnetos e assim por diante. Vidas que se perderam através dos anos, e que no momento, não são importantes à esta narrativa…Talvez, alguma dessas crianças tenha gerado filhos importantes na história, quem sabe? Mas para nós, o importante é o que ocorreu com Cristhine.

            Após um casamento abastado, Cristhine gerou cinco crianças, entre elas, Joana. Joana casou-se, mas, devido a sua estrutura frágil, teve apenas uma filha, que, de tão pálida, foi chamada Alba.

            Alba teve seu marido e dois filhos, uma menina, Clarmilla e um menino, Rafael. Cada um deles constituiu uma família. Clarmilla não teve filhos, mas criou uma menina, filha de sua governanta, como se fosse sua. Rafael casou-se e teve um filho, Leonardo, que se formou em medicina. Aos 32 anos, Leonardo, ainda solteiro, foi morar no Brasil, onde conheceu Taís.

            A história se segue, com gerações e mais gerações, passaram-se séculos, guerras, revoluções. Filhos, netos, antepassados que se perdem no tempo, filhos legítimos e filhos bastardos, amores proibidos que se consumaram, finais felizes, tragédias, lágrimas, sorrisos, até que em 1980,nasceu Emanuela, filha de Valéria e Lucas, que de alguma maneira, através de tantos séculos, têm uma antepassada comum: Emanuelle, filha do poderoso Lorde M.”

                Estranho, estou tão exausta, parece que eu viajei no tempo, acompanhando esta história. Acompanhei-a através de meus sonhos, e agora, não sei o que devo fazer, contar para Emanuela? Não contar? Hoje não tenho nenhum poema para levar, nada me inspira a escrever para ela. Porém, quando me lembro daqueles olhos azuis… Meu coração acelera… Lorde M.III… Quero chamá-lo para mim, quero que ele me domine, me tome em seus braços, e faça mulher e sele nosso destino com uma mordida e um beijo de amor… Eu amo Lorde M.III !

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