Eleições 2014 ou “é pra ver isso que eu pago meus impostos?”

No próximo domingo os brasileiros irão às urnas para eleger seus representantes. Deveria ser um momento sério, um ato levado a cabo após longas reflexões, baseado na comparação entre as propostas do candidato, a ideologia pessoal do eleitor e, no caso de candidatos que já exercem cargo público, deveria o eleitor analisar o que foi feito para cumprir as promessas feitas na campanha anterior… É… Deveria… Mas, espera um pouco, eu disse momento sério? A campanha eleitoral começou em 6/07/2014 e foi marcada por um festival de pérolas e propagandas quase circenses. Não quero dizer que todos os candidatos tiveram um nível baixo, mas, vamos admitir: Ver tantas propagandas bizarras pode desestimular o eleitor e fazê-lo acreditar “que tudo é uma palhaçada mesmo”.

 Vamos relembrar algumas pérolas eleitorais deste ano de 2014?

  •  “Tá de saco cheio da política? Vote no Tiririca!”

Este é um dos bordões do já Deputado Federal do Estado de São Paulo,Tiririca do PR. Humorista, nascido em Itapipoca – CE, foi o mais votado em 2010 e, este ano, novamente transformou o horário eleitoral em um momento de descontração. De acordo com pesquisas, ele tem grandes chances de ser re-eleito. Apesar da propaganda hilária, o deputado-humorista foi, segundo a revista Exame, um dos melhores deputados do ano de 2014 e apresentou projetos interessantes, como o que permite a artistas circenses, sem endereço fixo, utilizar o SUS ou outros serviços públicos.

Projetos a parte, vamos rir um pouco com alguns vídeos da campanha?

2) “Raio Privatizador”

É um avião? Um pássaro? Não… É o candidato do PRP,Paulo Batista, com seu vídeo de campanha cheio de efeitos especiais e inspirado no bom e velho tema de super-heróis. Apesar da idade madura (34 anos) e de ter cursado o nível superior, o candidato não utilizou seu horário de propaganda de forma a apresentar idéias e propostas concretas para a população – a única coisa que se pode subentender é que o candidato pretende “lutar contra o comunismo” e privatizar muitos bens públicos (afinal, não é à toa que ele tem um raio privatizador), entretanto, em nenhum momento ele se preocupa em explicar o que é a privatização, apenas faz parecer que num passe de mágica os serviços ficam melhores após o raio privatizador… E pensar que nós pagamos impostos para ver vídeos como este (atenção para a musiquinha que lembra jogos de videogame ao final do vídeo):

3) “Maconha Legal”

A liberação da maconha é um tema em pauta nestas eleições. Ainda assim, tudo tem um limite e a população merece ser melhor informada sobre os pontos positivos e negativos da liberação. Não é o que se vê neste vídeo do candidato a Deputado Federal pelo Estado de Santa Catarina, “Presidente THC” do PSDB:

4) “A coisa tá feia, a coisa tá preta, o negócio é votar no capeta”

O candidato a deputado federal do Estado de São Paulo, Toninho do Diabo (SD), aparece no vídeo convocando a votar no capeta. Nenhuma proposta, nem mesmo subentendida no vídeo. É… a coisa tá feia mesmo:

Não basta os vídeos bizarros, é possível encontrar também promessas estranhas, principalmente entre os presidenciáveis:

Levy Fidelix, PRTB, promete a nomeação de um industrial para o Banco Central e um banqueiro para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O Pastor Everaldo, PSC, promete “privatizar tudo o que puder”. Já Rui Costa Pimenta (PCO) radicaliza e propõe o fim da polícia (?) e a criação de milícias populares para substitui-la.

Há também a ala dos homofóbicos de carteirinha, como Matheus Sathler, candidato a Deputado Estadual pelo PSDB. Uma de suas propostas é a crianção de kits destinados às crianças: o “Kit macho” e “Kit fêmea”, cartilhas que teriam por finalidade ensinar “homem a gostar de mulher e mulher a gostar de homem”.

E, em relação a homofobia, não poderia passar despercebido o debate entre Levy Fidelix – PRTB (ele mesmo, o homem do aerotrem) e Luciana Genro – PSOL. Neste vídeo, temos motivos para rir e para chorar: Rir pela forma espontânea como Levy Fidelix se colocou, e chorar (de vergonha alheia e desgosto) por ouvir as palavras do candidato Fidelix, que em rede nacional incita o ódio aos homossexuais, colocando-os inclusive como “doentes que precisam ser atendidos bem longe da gente”.  Entretanto, o vídeo tem um grande ponto positivo: Encontrar, em meio a este grande circo eleitoral, uma candidata sensata e centrada, Luciana Genro – PSOL. Vejam:

Depois de toda esta “overdose” de bizarrices, fica a pergunta: E você? Já escolheu seus (as) candidatos (as)? Não desanime! Faça uma pesquisa e você certamente encontrará candidatos com boas propostas, dispostos a levantar bandeiras importantes como saúde, educação, combate à homofobia e à discriminação em geral… Os meus candidatos já estão escolhidos!

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5 comentários sobre “Eleições 2014 ou “é pra ver isso que eu pago meus impostos?”

  1. jomabastos disse:

    Vexame à parte, no Brasil a corrupção é seguramente o principal obstáculo ao desenvolvimento.
    As campanhas eleitorais são uma corrida desequilibrada. Para chegar a Brasília uns vão de bicicleta e outros de carrão. O Estado está engrenado pelo grande poder econômico que financia a atual “democracia”. Nada a fazer?!
    Há uma solução: o Financiamento Público. A Corrida iria ser mais equilibrada, seria um processo mais justo e transparente. Saberíamos ao certo de quanto é que cada partido dispunha financeiramente para a campanha, e a justiça eleitoral teria maior efetividade. Pelo menos todos nós saberíamos o seu custo. Mas este Financiamento Público só poderia ser possível, se votássemos em estruturas partidárias com lista de candidatos previamente definidas e não em candidatos individuais. Assim os partidos políticos alicerçavam-se e a nossa democracia iria fortalecer-se naturalmente.

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    • Darlene R. Faria disse:

      Concordo… Infelizmente, estamos longe de conseguir uma democracia equilibrada. A campanha é influenciada pelo grande poder econômico e pela televisão. Certa emissora de TV aberta quase contrariou as leis eleitorais ao tentar organizar um debate com apenas os três candidatos à presidência com maiores intenções de voto. Pouco mostram a agenda dos candidatos “nanicos”, o que deixa espaço para perguntarmos: como eles podem crescer se a própria televisão “boicota” sua participação no pleito? Os únicos candidatos menos conhecidos que conseguem visibilidade são os que nada tem a apresentar além de bizarrice, como os que postei no texto… Enfim, é votar e continuar trabalhando (e muito) para melhorar o país.

      Abraços!

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      • jomabastos disse:

        Os debates ou embates(?) foram uma vergonha para a democracia. Falou-se de tudo, menos nas soluções mais importantes de que o país necessita: Infraestruturas logísticas, novas estruturas e infraestruturas para a Educação, Saúde e Saneamento Básico. Foi um autêntico programa televisivo de entretenimento para os extremistas que querem fazer deste país um país bolivariano, com traços cubanos e com a natural ascendência soviética, mas também foi um espetáculo para aqueles mais de 50 milhões de pessoas, 25% da população brasileira, que recebem o Bolsa Família de 70 Reais mensais, que é o valor que a ONU considera a linha da miséria. Se o governo brasileiro determinou que ganhar 70 Reais por mês, 2,34 Reais diários, é sair da miséria, este é um meio muito demagógico e mentiroso para dizer ao povo que o Brasil não tem fome e não vive miséria. Dentro destes mais de 50 milhões, existem mais de 25 milhões de eleitores desempregados que não constam das estatísticas de desemprego, ou seja, é como se não existissem como população ativa e não necessitassem de emprego, não buscam ocupação e portanto não estão inscritos como desempregados, ou seja, servem simplesmente para votar nas eleições.
        Ah, já agora vou dissertar um pouco sobre o programa “Mais Médicos”. Este país está necessitado de pelo menos um novo Hospital Universitário em cada Estado Federal, para fazer face à necessidade de médicos por este país. O programa Mais Médicos pagou mais de de R$ 540 milhões em 2013, e o orçamento para o ano de 2014 é de R$ 1,9 bilhão.

        Vivemos rumo ao subdesenvolvimento.
        Que tenha um domingo bem alegre!

        P.S.: Pode deletar este meu comentário se o considerar inconveniente e fora de contexto.

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      • Darlene R. Faria disse:

        Eu não deletaria! Acredito na importância de se discutir e refletir sobre questões importantes. Sempre mantenho comentários feitos, seja no blog, na página do blog no facebook ou até mesmo em publicações pessoais do face. Só deleto comentários desrespeitosos e, este não é o caso do teu.
        Quanto aos hospitais universitários: Não seria o caso apenas de construí-los, mas de cuidar dos já existentes. Há alguns anos, estive na UFRJ para prestar vestibular e vi o abandono em que se encontrava um hospital universitário situado no campus universitário.Não sei como está a situação atualmente e espero que aquele espaço esteja sendo melhor aproveitado…

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      • jomabastos disse:

        Gostei de suas palavras ao afirmar que gosta de discutir assuntos com importância primordial para o desenvolvimento em geral.
        É verdade, o Hospital Universitário do UFRJ funciona sensivelmente a 50% da sua potencial potencialidade, e com toda a certeza existirão muitos outros maus exemplos espalhados por este país, em resultado de uma péssima administração do binômio Saúde e Educação.
        Quando proponho a criação de novos Hospitais Universitários, além de formarem e criarem novos postos de trabalho para o imenso desemprego, teriam como objetivo a formação de novos médicos, para colmatar a falta destes neste imenso brasil, e os bilhões que futuramente estariam no programa “Mais Médicos”, serviriam para investir em outros setores precários da sociedade.

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