Dicas Literárias: A Casa das Sete Mulheres

O livro que originou a série de TV produzida pela TV Globo e exibida em 2003, “A casa das sete mulheres” conta a guerra dos farrapos sob o ponto de vista feminino, expondo não apenas fatos históricos mais importantes como também a forma como tais fatos alteraram a rotina das mulheres da família do General Bento Gonçalves, que liderara a Revolução Farroupilha.

O ano é 1835. Os fazendeiros sulistas estão descontentes com a política nacional em relação ao charque. Alegam que o governo permite que o charque de países vizinhos entre livremente no país ao mesmo tempo em que impõe tributos altos ao charque nacional e ao sal, imponto um grande prejuízo aos estancieiros (fazendeiros).  Em 19 de Setembro de 1835 eclode a revolução, que duraria até 1845 e deixaria um rastro de mortes, sangue, dor e amor.   Inicialmente o intuito da revolução é apenas depor o presidente da província para que em seu lugar o imperador designe outro, mais sensível às necessidades dos produtores. Para resguardar a segurança das mulheres de sua família, o General Bento Gonçalves reúne todas na Estância da Barra. São sete mulheres em uma única casa, isoladas da sociedade, dos bailes, condenadas a uma espera permeada pelo medo e pela solidão. Na estância vizinha, a Estância do Brejo, vive sozinha D. Antônia, irmã do General Bento Gonçalves. Observe-se que quando se fala que viviam sozinhas deve-se entender que, na verdade, não ocupavam sozinhas as estâncias, que eram devidamente guarnecidas por escravos e peões.

A história conta-se por si mesma à partir de cada personagem, portanto faz-se necessário elencar um a um os personagens e sua trajetória na trama:

  • Bento Gonçalves: Homem forte, de caráter carismático e afeito à posição de liderança. Estancieiro, corajoso e muito acostumado à peleja (guerra). É um homem de caráter firme, dedicado à família (Sua esposa Caetana e seus filhos Joaquim, Bentinho, Caetano, Perpétua, Leão, Marco Antônio, Ana Joaquina e Maria Angélica). Ao iniciar a Revolução Farroupilha, seu único intento era lutar por justiça, para que a produção brasileira fosse valorizada; não pretendia derrubar o império ou separar o Sul do restante do Brasil, tornando-o uma república. Tais ideais surgiram devido aos acontecimentos e alianças. Os longos anos de guerra lhe trouxeram sofrimentos físicos e o desgaste de sua saúde. Também trouxeram sofrimentos morais, pois o passar dos anos foi descortinando os verdadeiros caráteres de pessoas que ele tinha como companheiros leais e a deturpação dos valores que ele tinha como certos, uma vez que em alguns momentos há pessoas que tentam colocar dinheiro e posição a cima de qualquer outro objetivo.
  • Caetana: A mulher de Bento Gonçalves, bela e cobiçada. É uma mulher ao mesmo tempo alegre e agoniada. Sofre pela falta de notícias do marido, sofre pelos filhos mais velhos que o acompanham na guerra e por ver nos olhos dos mais novos o desejo de seguir com o pai para a guerra (um fato engraçado: Leão e Marco Antônio, os dois meninos mais novos, chegam a fugir de casa, ainda crianças, na tentativa de ir ao encontro do pai, ficando muito adoentados por isso).Apesar dos temores, nem seus filhos nem seu marido morrem na guerra, embora para o marido Bento os dias difíceis acabem trazendo uma doença dos pulmões que o enfraquece e acaba matando-o anos após o término da revolução.
  • Perpétua: Filha de Caetana e de Bento Gonçalves, Perpétua já está em idade de procurar pretendentes quando a guerra eclode. Embora ela julgue difícil encontrar pretendentes em tempos de guerra, o amor aparecerá em sua vida de forma completamente inesperada: Inácio, dono da estância vizinha e casado com Teresa, mulher frágil que sofre dos pulmões, ao conhecer Perpétua apaixona-se por ela, e ela por ele. Perpétua tenta ser amiga de Teresa, enviando-lhe emplastos para que se fortaleça. Quando Teresa morre, Inácio e Perpétua se casam. Da união nascem duas crianças, uma das quais recebe o nome da falecida esposa de Inácio: Teresa.
  • Caetano e Bentinho: Filhos de Bento Gonçalves e Caetana, não tem uma grande participação na história, embora tenham sido aparentemente guerreiros valentes astutos e leais.
  • Joaquim: Filho mais velho de Bento Gonçalves e Caetana, Joaquim forma-se em medicina e se junta ao pai na batalha, salvando vidas dentro do que lhe é possível com a escassez de medicamentos. Ama a prima Manuela, para o qual foi prometido ainda menino e mal vê o momento em que a guerra acabe para que possa desposá-la. Seus planos são interrompidos quando ela se apaixona por Giuseppe Garibaldi, mas ainda assim ele não perde a esperança e, embora Manuela e Giuseppe não fiquem juntos, ela jamais aceita se casar com ele e ele passa muitos anos ainda após a guerra esperando que a moça mude de opinião, o que nunca acontece.
  • Leão e Marco Antônio: No início da revolução, são crianças. Após o episódio da fuga frustrada para encontrar o pai, Marco Antônio toma certa aversão às guerras, enquanto Leão continua a arder em desejo e, quando atinge a idade adequada, junta-se às tropas.
  • Antônia: Dona da Estância do Brejo, vizinha à Estância da Barra, é irmã de Bento Gonçalves. Tendo ficado viúva cedo, não chegou a ter filhos.
  • Ana: Irmã de Bento Gonçalves, perde na guerra o marido e um dos filhos.
  • Maria Manuela: Irmã de Bento Gonçalves e casada com Anselmo, Maria Manuela tem três filhas – Rosário, Manuela e Mariana e um filho, Antônio. É uma mulher de costumes rígidos. Fica viúva por conta da guerra e, quando a revolução termina, volta a morar em Pelotas com Manuela e com o filho.
  • Rosário: Filha de Maria Manuela e Anselmo, Rosário é uma jovem sonhadora, amante da moda e dos bailes e, por isso, odeia a vida na Estância e a guerra que a arrastou de sua vida na cidade. Com o passar dos meses, Rosário passa a receber a visita de Steban, um soldado uruguaio pelo qual se apaixona. Tudo estaria bem se Steban não fosse um fantasma. A moça pouco a pouco vai se afastando das outras habitantes da casa, passando horas e mais horas trancada na biblioteca onde seus encontros românticos com Steban acontecem. A família de Rosário pensa que ela está transtornada por causa da guerra e a manda para um convento, onde a menina continua encontrando-se com seu fantasma, até o dia em que se suicida para estar perto dele para sempre. Curioso é que ela se mata utilizando-se de uma espada uruguaia, muito antiga (pertencente a Steban) que as freiras não sabem como pode ter ido parar no convento.
  • Mariana: Filha de Maria Manuela e Anselmo, Mariana é uma menina alegre e sonhadora. Chega a trocar cartas com um marinheiro espanhol que morre em um ataque. Depois conhece João Gutierres, um peão, índio, pelo qual se apaixona e que a corresponde. Mariana sabe que sua família jamais aceitará tal romance, passando a encontrar-se escondida com o amante. Acaba engravidando e sua mãe a deixa trancada no quarto sem poder ver ninguém, até que D. Antônia a leva embora para a Estância do Brejo. João, demitido do serviço, acaba integrando-se às tropas de Bento Gonçalves. O filho dele e de Mariana nasce e é chamado Matias, conforme ele havia confidenciado à Mariana que gostaria que fosse. João retorna anos depois, por ter perdido uma das mãos. É recebido por Mariana, por D. Antônia e pelo filho, já bastante crescido. Maria Manuela chega a ir até a estância antes do retorno de João, vê o neto e manda-o chamar a filha, mas foge antes que Mariana a veja. Ela retornará a Pelotas sem ver a menina e pensando que jamais a veria de novo. Se tal encontro aconteceu algum dia, o livro não deixa bem claro.
  • Manuela: É pelos diários de Manuela que a história é contada. É a filha mais nova de Maria Manuela e Anselmo e, desde muito jovem tem certas premonições. Uma destas visões é a de um marinheiro de cabelos louros e olhos azuis agarrado a um mastro de navio. Manuela sabe que este será o amor de sua vida, e, no entanto, ela tem ainda quatorze anos. Quatro anos depois ele aparece: É Giuseppe Garibaldi, marinheiro italiano cuja cabeça está a prêmio em sua própria terra e que tem como ideal máximo a liberdade, e é pela luta em prol da liberdade que Garibaldi apaixona-se pela revolução Rio-grandense e luta ao lado de Bento Gonçalves. Ele se apaixona por Manuela, mas após Bento negar-lhe a mão da sobrinha (o pai de Manuela já havia falecido e o tio era o homem mais próximo para representar a família), ele continua lutando junto ao exército e acaba conhecendo Anita, mulher casada que abandona o marido para ficar com ele e acompanha-lo ao campo de batalha. Manuela esperaria o retorno de Garibaldi pelo resto de seus dias, tendo morrido, portanto solteira e conhecida em pelotas como “a noiva de Garibaldi”.
  • Garibaldi e Anita: Lutaram juntos pelo sonho da República Rio-Grandense, Anita chegou mesmo a ter seu filho, Menotti, no acampamento de batalha, enfrentando grávida todas as dificuldades de uma guerra. É somente no final da revolução que ela e Garibaldi decidem abandonar o exército farroupilha, pois todos os amigos que vieram da Itália juntar-se à Garibaldi acabam morrendo e ele, sem seus amigos, um deles quase um irmão, vendo homens e mais homens valorosos morrerem em vão, por uma batalha praticamente perdida, pede baixa do exército e vai para o Uruguai com Anita. Mesmo após a morte da companheira, Garibaldi não volta a buscar Manuela, como esta esperava que acontecesse. Tempos depois da morte de Anita, Garibaldi morre. Entre suas vitórias pelo exército farroupilha, está a construção de uma pequena frota que tomou de assalto a Lagoa dos Patos e garantiu um porto ao exército.
  • Netto, Teixeira Nunes e Corte Real: Oficiais leais ao exército farroupilha têm como ideais a República e a abolição dos escravos. Netto e Teixeira Nunes acompanham Bento Gonçalves até o final da revolução. Corte Real acaba morto em combate.
  • Bento Manuel: É um oficial farroupilha que tem grande inveja de Bento Gonçalves, deserta do exército republicano e passa a apoiar o Império.
  • Onofre Pires: Oficial, primo e amigo de Bento Gonçalves, durante a revolução começa a tornar-se ganancioso e desumano, desagradando Bento Gonçalves. Após ter insinuado que Bento seria ladrão, é desafiado para um duelo, onde Bento acaba ferindo-o gravemente. O ferimento gangrena causando a morte a Onofre.
  • Nettinho: Escravo, negro de olhos azuis, todos suspeitam que seja filho do general Netto com uma escrava. Mostra-se muito valente.
  • Zé Pedra e Beata: Escravos da fazenda, valentes e servis. Aguardam a alforria que só viria se os farroupilhas vencessem a guerra.
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2 comentários sobre “Dicas Literárias: A Casa das Sete Mulheres

  1. Lunna Guedes disse:

    Li esse livro antes de a minissérie ir ao ar por indicação de uma amiga que tinha se apaixonado pela trama, mas confesso que, gostei mais da adaptação que do livro em si. Isso é raro, mas achei que faltou pesquisa por parte da autora do livro – coisa que não faltou a Maria Adelaide do Amaral – na hora de alinhavar a trama, principalmente por ser uma história com personagens reais. rs

    bacio

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