O Diário de Mary (V)

BIANCA

São Paulo, 06 de Junho de 1996, Quinta-Feira.

Aquele sonho que eu narrei ontem, de alguma forma teve uma continuação:

“Dias se passam…
Uma tarde, Bianca está novamente fiando quando uma carruagem para em frente a sua casa. Ela reconhece que é a mesma que dias atrás havia parado ali para abrigar-se. Sem entender porque, Bianca sente o coração disparar…
Um criado vem conversar com ela, em nome do Lorde M. que em sua imensa bondade havia decidido recompensar a noite em que sua filha fora acolhida naquela casa e para isso, decidira que Bianca deveria o quanto antes juntar-se às damas de companhia de Emanuelle, como sua serva pessoal.
Pela expressão de Bianca, nota-se um misto de alegria e dor. Por alguma razão deseja estar novamente ao lado de Emanuelle, mas não quer deixar sua família. Seus pais, pobres camponeses, nada podem fazer para opor-se a vontade do Lorde M. o poderoso senhor daquele grande feudo onde viviam. Bianca então, entre lágrimas, recolhe numa trouxinha as poucas coisas que tinha de suas, beija seus irmãos menores e seus pais, pois sabe que, provavelmente nunca mais os verá.”.
Começo a pensar que as pessoas têm razão quando dizem que a vida vai muito, muito além desses anos que nosso corpo vive… Até outro dia, eu não acreditava em nada que a ciência não pudesse provar, e, agora, com todos estes sonhos e poemas, acabo acreditando que o que está se passando agora é a continuação de algo que ocorreu a muitos e muitos séculos…
Hoje, mais uma vez, me infiltrei furtivamente no prédio de Emanuela, e deixei em sua porta este poema:

“Se um dia eu disser que deixei de te amar…
Saiba que esse dia eu já não mais existirei…
Serei apenas uma sombra solitária a vagar…
Perdida, tentando um motivo pra viver reencontrar.

Jogo aos teus pés meu espírito…
Entrego-lhe meu coração
Perco-me em meio ao Amor,
Às lágrimas, à saudade…

E só irei reencontrar meu sorriso,
Quando puder novamente me perder em teus braços,
Em teu olhar,
Em teu coração…

Ainda te sinto junto a mim,
E nas noites frias, te procuro,
Sinto-te, mas não te encontro ao meu lado…
E como uma criança, agarro o travesseiro que você deixou vazio em minha cama…
Procurando um restinho do teu perfume, que já não desgruda da minha pele…

Procuro-te em meus sonhos,
Onde te encontro, e,
Alegremente, bailo para você,
Como se flutuasse nas nuvens…
Como guiada apenas pelo ritmo do amor…

Acordo feliz…
E novamente me vejo só…
Lágrimas que me invadem a alma e o coração…
Lágrimas, companheiras da solidão…

Se essas lágrimas que caem,
Um dia pudessem tornar-se estrelas…
No céu já não haveria lugar para tantas…
E elas choveriam sobre a Terra… Brilhando de dor e de saudades…

O Amor me sufoca…
Mas não me mata…
Ele me dá motivos para continuar a existir…
Mesmo sabendo que a vida sem você ao meu lado é nada…
E que minha única razão de continuar aqui é a esperança…
De um dia estar contigo”

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