O Diário de Mary (IV)

 

BIANCAHoje estou escrevendo um sonho que tive esta noite…
“O céu escuro prenunciava uma forte tempestade. Num casebre de madeira uma bela jovem está sentada à janela, nas mãos algo que se parece com uma daquelas antigas rocas que vemos em filmes medievais. Seus cabelos são negros, e os olhos muito azuis. Pergunto-lhe quem é, mas é como se ela não me ouvisse ou pudesse me ver, porém, de alguma maneira, sei que ela sente minha presença. Começa a chover e muitos raios cruzam o céu. Pela estrada vem uma carruagem, percebe-se que nela há alguém da nobreza; param e pedem abrigo, em nome do Lorde M., a moça que até então estava observando o movimento enquanto fiava, empalidece ao ouvir tal nome e, apressadamente vai receber os recém-chegados, chama o irmão mais novo, e ordena-lhe que se encarregue dos cavalos. De dentro da carruagem sai uma bela jovem, aparenta ter uns 13 anos mais ou menos e se veste com todo o esplendor que sua posição social lhe garante e lhe obriga. É a filha única do Lorde M., ela hesita em entrar naquela choupana, mas, como não é seguro permanecer na carruagem sob uma chuva tão intensa e com tantos raios, acaba cedendo e abrigando-se ali. A chuva não cessa, fazendo com que os pais e irmãos mais velhos da jovem cheguem da roça… Pelas roupas e também pelos cenários, acredito que estamos na Inglaterra. Bianca cede sua pobre cama para Emanuelle, a filha do lorde, poder passar a noite. Pouco confortável, a jovem dama faz com que se retirem as almofadas da carruagem e coloque-as sobre a cama dura onde Bianca dormia.
As damas de companhia de Emanuelle passam a noite acordadas, velando por seu sono, e, Bianca, que não consegue dormir, também fica a observá-la, como se estivesse sob algum feitiço.
O dia amanhece com um Sol brilhante, garantindo que a nobre comitiva possa seguir viagem. Emanuelle, que até o momento de partir não havia sequer olhado Bianca, nota que sua anfitriã tem mais ou menos a sua idade, e, mesmo naquela pobreza extrema, sorria, e, em nenhum momento havia demonstrado desagrado por ter que ceder sua casa a uma comitiva de completos desconhecidos…”.
Nesta hora, acordei… Percebi a semelhança entre a Emanuelle que aparecia em meu sonho e a minha amiga Emanuela… E também entre Bianca e a aparição de ontem… Isso está se tornando cada vez mais confuso, mas não quero descobrir a explicação para o que está acontecendo, pois sinto que para descobri-la, precisarei abrir mão de alguma coisa, algo que talvez eu não esteja preparada para perder, mas não sei o que é…
Poema que eu deixei esta noite, para que Emanuela nunca se esqueça de que “eu” a amo:

 “O que fazer,
Se meu coração me prende a você?
O que fazer,
Se te amo e sei,
Que nunca mais serei de ninguém,
Como sou tua…
O que fazer com essa saudade que corrói minha alma?
Com essas lágrimas que insistem em cair?
Com essa solidão que insiste em me fazer companhia?
O que fazer sem você perto de mim?
Deitar-me e chorar?
Sofrer como se nunca mais fosse ser feliz?
Não…
Apesar das lágrimas de saudade,
Deixo meus lábios mostrarem um sorriso,
Pois sei que, se tenho saudades,
É por que em algum momento você esteve comigo,
Se a solidão hoje me faz companhia,
Sei que você já esteve por perto,
E sei que logo voltará…
Choro?
Dizer que não seria mentir…
Sofro?
Com certeza…
Mas sei que,
Talvez muito antes do que imagino,
Voltarei a sorrir…
Pois você estará comigo…
“Amo-Te”

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