O diário de Mary (III)

BIANCA

São Paulo, 04 de Junho, Terça-Feira.

                Hoje eu dormi antes de sair para levar minha entrega noturna. Cada vez mais tenho a certeza de que algo fora do normal está acontecendo… Apareceu em meu quarto uma jovem, devia ter a minha idade mais ou menos, ela usava um vestido de outras épocas, talvez da Era Vitoriana, ou até mesmo mais antigo… Sua expressão era de solidão profunda, pálida, como se há muitos séculos não soubesse o que é a luz do Sol… Ela chegou perto da minha cama… Foi se aproximando de mim… Pude ver seus olhos azuis brilhando… Segurou minhas mãos, acariciou meus cabelos… Cada vez mais perto… Beijou-me os lábios… Eu estava deitada… Me via dormindo, estirada na cama, mas estava ao mesmo tempo consciente…

            Fui mais arrojada que de costume, não me limitei a ir até o prédio de Emanuela e deixar em sua porta um poema… Algo me disse para abrir a porta… E, como por magia, a porta estava destrancada… Entrei… Fui até seu quarto e a encontrei dormindo… Usava um pijama cor-de-rosa, os cabelos de um ruivo natural caiam pelo seu corpo… Aquele perfume… Cheguei perto e beijei-lhe os lábios… Acariciei seu corpo, temerosa de que ela acordasse, fui beijando-a em cada parte… Sentia aquela presença, a mesma que hoje esteve em meu quarto… Era como se me dissesse: Beije-a, tome-a… Ela não irá acordar… Desabotoei seu pijama e beijei-lhe os seios… Senti-a arrepiar-se… E, quando me afastei para fechar-lhe a blusa, notei que havia deixado em seu peito uma marca vermelha… Mas eu não me lembro de ter usado batom antes de sair de casa… Na porta, do lado de fora, ficava mais uma rosa e mais um poema…

“É noite…
Estou só…
Pensando em você…
Olhando o luar…
Sentindo a brisa me tocar…
Fecho os olhos…
Uma lágrima cai…
Silenciosa como a escuridão…
Uma lágrima de saudade…
Ainda posso sentir teu cheiro grudado em minha pele,
Como uma tatuagem
Que jamais se apagará,
Sua imagem não sai do meu coração…
Sinto sua falta,
Mais do que sentiria a falta da Luz de cada dia,
Mais do que sentiria das estrelas,
Se elas fugissem do firmamento
Os espinhos do Amor gravaram seu nome em minha alma,
Em meu coração,
Ainda sinto seu corpo encaixado no meu,
Sintonia perfeita de emoções,
Corações que pulsam num mesmo ritmo,
Meu coração chamando o teu nome,
E o teu me buscando…
Sei que não estou tão só quanto me sinto,
Por que, apesar das léguas que nos separam,
Sei que estou perto de Ti…
Sei que meu corpo está aqui,
Mas minha alma há muito tempo encontra-se abrigada em teu coração…
Num cantinho qualquer, bem lá no fundo…
E, a solidão que sinto agora não é pela sua ausência,
É a saudade que sinto da parte de mim que está e para sempre estará com você…
É a saudade de sentir meu coração pulsar através do teu…
Quero sentir minha pele através da tua…
Respirar o ar que respiras…
E fazer do teu perfume meu oxigênio…
Só você me completa,
Pois uma parte de mim está com você,
E não adianta querer devolvê-la para mim,
Por que ela já está aí desde antes de eu existir…
Uma parte de mim nasceu gravada em você,
E esperou muitos anos para me encontrar…
Meu coração buscava esta parte,
E encontrou em teu olhar…
E agora,
Só poderei ser feliz,
O dia em que para sempre ao teu lado ficar…”

 

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