Sobre amor, natureza e dor.

Solidao-Clarice-Lispector

Em meio ao verde, aos pássaros, sob esse maravilhoso céu, vivemos nós… Simples e pequenos seres. Não percebemos o quanto somos submetidos à natureza e tentamos desesperadamente vencê-la, prever-lhe os movimentos, as mudanças…
Mas é nela que encontramos o maior abrigo para nossa alma magoada e cansada de sofrer…
Às vezes tenho vontade de me deitar na terra e ser engolida por ela, de misturar aos poucos meus átomos aos dela até que meu corpo desapareça e minha alma torne-se livre para voar, ou então, passe a viver através do “Corpo” de uma árvore, que solitária no meio do campo observa tudo ao seu redor…
Às vezes tenho vontade de me misturar também às águas desse rio que corre e correr com elas conhecendo lugares diferentes, e um dia evaporar, subir até o céu, e depois desabar sobre a Terra, quero ser a água da chuva a molhar o teu corpo… Assim posso te tocar ao menos uma última vez, e quem sabe, em meio a esse ciclo infinito de evaporar e tornar-se água novamente, não conseguiria te esquecer, ou ao menos aplacar a dor em minha alma?
Tenho vontade de ser vento… Ser vento significa voar para a liberdade… Ser a brisa do mar a tocar seu rosto…
Ser fogo… Queimar meu coração em suas próprias chamas, até reduzi-lo a cinzas, e depois como uma Fênix, delas renascer… Não adiantaria muito, renasceria te amando do mesmo jeito… Mas a jornada seria interessante, pois ao queimar meu coração, talvez conseguisse purificar esse amor, deixando dele apenas as boas lembranças e queimando toda a dor… É, talvez a dor não renascesse comigo, talvez renascesse apenas o Amor”

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3 comentários sobre “Sobre amor, natureza e dor.

  1. jomabastos disse:

    Conseguimos sentir aquilo que escreve. Bem, eu sinto. E é por isso que vou dedicar-lhe um poema de Fernando pessoa.

    AUTOPSICOGRAFIA

    O poeta é um fingidor
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que leem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    Curtido por 1 pessoa

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